DESIGNLAB

Design, Tipografia e Multimédia.

Tipografia em Portugal, um resumo

Cartaz da conferência

A tipografia é algo que nos rodeia […] em grande parte subliminar”
Ivo F.

Este é o apanhado da sessão na Universidade de Aveiro na passada Sexta-feira 29 de Maio. A sessão decorreu sem percalços e foi um complemento excelente ao panorama actual do Design e Ensino português do Design e Tipografia. Ricardo e Ruben falaram do exercício da actividade profissional e pedagógica na ESAD.CR, onde Bolonha parece ter validado a tipografia como uma disciplina nuclear e indispensável na formação de um Designer de Comunicação. Mais tarde, a oportunidade de conviver pessoalmente durante o almoço foi também um bónus inesperado, mas muito agradável.

Rúben Dias (esquerda) e Ricardo Santos na segunda parte da apresentação

Após a breve e eloquente apresentação do professor da disciplina de tipografia, a sessão iniciou com Ruben Dias a fazer-se passar pelo Ricardo Santos o que marcou o registo informal que iriam manter o até ao final das quase duas horas da sessão.

Cumpriram o protocolo de resumir a sessão mencionando que iriam falar dos Workshops que desenvolvem em conjunto, bem como do trabalho pessoal. Uma estratégia que, dada a diversidade das actividades (em torno do type design) me pareceu muito apropriada.

“As oportunidades não caem do céu”

Acerca do trabalho árduo que têm vindo a desenvolver nos últimos anos e do investimento nos workshops, que lhes “sai do corpo”.

Tipo Oban, Portfólio Item Zero

Rúben Dias apresentou a Oban, tipo de letra ainda não publicado, mas que já se pode ver em algumas publicações como:

Capa do Catálogo 100 Fotos, Site do Leonardo Finotti

  • Catálogo das 100 fotos, 100 obras de Óscar Niemeyer por Leonardo Finotti (portfólio)
  • Jovens Criadores, realizado especialmente a convite do organizador Paulo Gouveia.

Percorreu alguns aspectos do desenho do Tipo e a sua evolução (a partir do momento académico). Referiu alguns pormenores de puro luxo como o “Q” holandês -> é como o nosso “&”. Pode dar-se ao luxo de uma certa extravagância dada a sua rara utilização. Passado algum tempo, começa a parecer um acento (o que é, de certa forma, prejudicial para a leitura/consistência do tipo).

Nas minhas notas tenho uma referência que se lê: “da cholla à …” ? Definitivamente tenho que começar a escrever melhor… Creio que o desenho me parece muito com a Cholla, mas a versão actual que Rúben mostrou, apresenta pormenores muito mais refinados e práticos, que fazem desta fonte um verdadeiro todo-terreno tipográfico.

Ricardo Santos mencionou a Escola António Arroio onde obteve uma formação orientada para o Design Gráfico. Actualmente a actividade de Type Designer é o que o ocupa quase a tempo inteiro.

Inicia a apresentação deixando bem claro algumas noções tipográficas como a diferença do desenho dos tipos de Títulos (display), Texto e Legendas (caption) e como a Adobe, no formato OpenType aproveita bem estas noções que datam do Século XVIII.

Dingbat da Lisboa Humanist, do site www.vanarchiv.com

Apresentação do Tipo, ou melhor, da família Lisboa -> Espólio simbólico e iconográfico da cidade. É aqui que se encontra a riqueza do trabalho desenvolvido, e talvez a razão pela qual a fonte tem tanto sucesso… ou será? Deixo isto em aberto, porque depois do trabalho monumental apresentado…

Fez por várias vezes a referência ao “combater a tendência do ‘lá fora’ – Design dos tipos de letra de todo mundo…” Ricardo apresenta uma forte tendência nacionalista, não num sentido negativo, mas sim com a afirmação de um orgulho pelo património nacional, pelos nossos altos valores. Acredito nas palavras de Ricardo e subscrevo. Está na altura de acompanhar o trabalho dele e do Dino dos Santos na identificação, recuperação e valorização do património tipográfico português.

Afirmação do tal orgulho, mas também de um determinado estilo português. A Lisboa, mais do que uma fonte bonita, é uma fonte que fala português. E bem!

C.S.

Aborda insistindo na questão geográfica (Lisboa) e dá-nos um pequeno vislumbre da organização interior do tipo/desenho, de onde nasceram todas aquelas formas. O trabalho encontra-se muito bem documentado.

Imagem do Booklet Lisboa, do site www.vanarchiv.com

Divide o trabalho de desenho de tipos em dois aspectos de igual importância:

Funcional/estrutural (Design) com características como:

  • Desenvolvimento e suporte multilinguístico;
  • Espacejamento cuidado;
  • Criação de caracteres especiais e símbolos matemáticos;
  • Criação de caracteres alternativos;
  • “Picuinhices” gráficas -> criação numerais em vários estilos;
  • Atenção à legibilidade e funcionalidade máximas.

Aspectos visuais (Estilo):

  • Temperamento “quente e simpático” (moderado como o centro do país…);
  • Ligaduras e terminais;
  • Versão Slab e Sans;
  • Respeito pela herança caligráfica.

Iniciada em 2000 (há 8 anos!) ainda é um trabalho em desenvolvimento. Acerca disto, Ricardo ainda volta ao tema mais tarde reforçando a importância de melhorar sempre e aumentar o trabalho já feito, de forma a fornecer um melhor produto aos utilizadores – tentar ao máximo adaptar e criar uma família funcional e abrangente.

Imagem do Booklet Lisboa, do site www.vanarchiv.com

Um factor que contou para a crescente popularização foi o facto de ter sido escolhida como uma das fontes favoritas do Tipográfica em 2005.

Contribui para a nossa própria cultura/património e para nos impormos cada vez mais “aos outros”.

Apresenta os primeiros esquiços da Lisboa Serif (em desenvolvimento há cerca de 2 anos) assim como a versão Slab e Stencil.

Revela a importância de parar e avaliar o trabalho desenvolvido. Pensar e reavaliar os objectivos/missão a nível conceptual a um nível Macro e Micro tipográficos. Por um lado para quê, qual a funcionalidade e para quem. Por outro, as questões mais técnicas do desenvolvimentos, estilos, versões, ligaduras, pictogramas. Este não é só um aspecto importante no Design de Tipos, mas em toda a actividade profissional. Às vezes, por estarmos demasiado embrenhados na nossa actividade também é bom termos uma opinião externa para além da nossa…

Pormenores do desenho de Lisboa, do site www.vanarchiv.com

Apresentou uma das melhores metáforas sobre o desenho e estilo de tipos:

Primeiro desenhamos o esqueleto da letra, a sua estrutura e depois vestimos a roupa da letra [esquema com os vários estilos “vestidos” sobre-impostos]

Ricardo e Rúben apresentam os resultados dos Workshops

Conjuntamente, apresentam no final da sessão o trabalho dos workshops dos últimos 3 anos que têm desenvolvido em equipa. Consideram a tipografia como a base do Design Gráfico. Uma opinião que partilho e que já manifestei várias vezes, umas vezes com mais sucesso que outras.

Tipografia à séria, paralelamente ao projecto.

Iniciam as actividades pela caligrafia como base de todo o desenho [tipográfico] onde desenvolvem o estudo da letra.

(A) Dhesiva como resultado do Type Big, Small Type em 2005. Um workshop de 30 horas, uma vez por semana à sexta-feira, onde chegaram a ter participantes que se deslocavam de longe (como Coimbra) para estarem presentes.

A importância de desenhar o tipo de letra e depois testa-lo! É sempre muito mais gratificante para quem desenvolve, criar tanto o trabalho gráfico, como o próprio desenho do tipo de letra, pois assim têm outro tipo de feedback imediato.

Design Your Type em 2006 (depois de uma pequena interrupção) conseguiram mostrar um vídeo produzido por um dos participantes. Enquanto o vídeo não corria, surgiu a questão “Como é que em Portugal se pode ser Type Designer?”, à qual o Ricardo tomou as rédeas e afirma que é complicado. “Long story short” as pessoas não valorizam este trabalho (por falta de consciência?) e porque a pirataria é fácil. Mais facilmente observamos os estúdios a comprar imagens do que fontes… Mais uma vez, Ricardo reforça a ideia de investir no capital nacional, uma forma de não só o valor profissional mas também manter vivo e em circulação o investimento económico.

Imagem do site Comunicar Design 2008

A propósito da Comunicar Design 2008 na ESAD CR (durante os 3 dias non-stop de workshops) desenvolveram uma parede tipográfica com objectos encontrados, e o I Love Typography – com 20 participantes, em 2 horas, recorrendo unicamente a pinhas escreveram o nome do workshop utilizando pelo menos 10 tipos de letra diferentes (1 por letra)

Ainda explicaram o que iriam desenvolver durante a tarde, o workshop “Os tipos das letras” que, para grande pena minha não pude estar presente.

Basicamente dividem o workshop (se é o que o fazem para todos?) e 4 unidades temáticas:

  1. Design Caligráfico;
  2. Unidade Formal – técnica e/ou ferramenta utilizada
  3. Técnicas e Possibilidades – exploração do meio e da técnica com diferentes expressões, muitas vezes associadas a épocas específicas dados os desenvolvimentos tecnológicos que as permitiram.
  4. Potenciar a mensagem – o material usado entra em relação directa com o objecto da comunicação.

Ficou o bichinho…

E foi assim. Foram cerca de 2 horas muito interessantes e um almoço muito bem acompanhado. Foi um prazer estar com todos, e não vejo a oportunidade de estar com eles novamente, ajudar a promover ou ainda de participar num workshop desta fantástica dupla.

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