DESIGNLAB

Design, Tipografia e Multimédia.

Visualize isto, Sr. Manuel!

Manuel Lima @ ESAD

A conferência do Manuel Lima da passada sexta-feira na ESAD foi muito interessante. Isto é, Lima tem vindo a acrescentar informação sobre a apresentação que já tinha assistido no OFFF de 2008 sobre visualização de informação + Visual Complexity (Site). A apresentação em si é boa (slides agradáveis e informação q.b.), mas confesso que desta vez, à medida que Lima percorria os vários exemplos das categorias que definiu, acabei por passar pelas brasas (a sala estava muito quente e abafada, dada a afluência de pessoas). No final, o interesse voltou a subir e creio que todos na sala apreciaram a conferência. Geraram-se também perguntas interessantes no final, como a visualização dos processos criativos e a visualização processos com poucos dados, mas complexos no problema.

João Lemos e Manuel Lima

João Lemos (?) apresentou o Manuel Lima no início e este abriu a conferência apresentando o seu trabalho e referindo os vários tópicos que iria abordar durante a hora seguinte. Alguns fui reconhecendo, mas o que me manteve na sala foi o “anuncio” do update que ele fez às metodologias de representação dos diagramas.

Iniciou a conferência dizendo de onde vinha esta [nova] área de estudo [que tem uns bons 15 anos, basta procurar por Schneiderman e Ware] mas que, como referiu, na área do Design ainda é uma novidade. Pessoalmente tenho visto que Ben Fry também se debate com esta área há alguns anos, na visualização de DNA para cientistas, ou visualização de processos e mudanças de código, com o Processing.org.

Tópicos da conferência

Mencionou o “mentor” dele — Nathan Shedrof (?) — e o “understanding spectrum” como a origem do trabalho pessoal e dissertação de mestrado que deu origem ao VC. Também mencionou o “quantificar o inquantificável”, na sua origem, um livro — The Measure of Reality de Crosby. Não fiquei muito entusiasmado, pois o subtitulo é compreende o periodo de tempo de 1200 a 1600… Mas é definitivamente uma referência para quem tiver que trabalhar nesta área.

Falou na importância dos Open Datasets. Mas isto também já não é novidade, basta ver a conferência da TED de Hans Rosling (excelente!) que já mencionei aqui. A propósito disto mencionou dois serviços que ainda não experimentei, mas em breve hei-de o fazer: Swivel e o Many Eyes da IBM. Aqui, as redes sociais e a democratização das ferramentas estão a ter um papel crucial, afirma Lima. A “Visualização Vernacular” (disponível através da ACM Interaction) de Viegas e Wattenberg também são um artigo a ler, ainda a propósito da primeira forma de visualização fora da área da engenharia.

Pelos vistos, Lima debate-se com (o que sugeriu) que irão ser 14 métodos / elementos de representação gráfica para a construção dos variados tipos de visualização para o livro que irá lançar em 2011 – VCBook. Como não registei nenhuma imagem, não me arrisco a representar aqui nada, mas posso adiantar que se prende com a forma e com a interacção, uma vez que esta disciplina retira muito do potencial do meio digital interactivo.

Fez-me lembrar a apresentação de Petr van Blokland na ATypI de 2006 onde recuperou os 7 princípios de representação gráfica de Jacques Bertin (Semiologie Graphique, 1967) e acrescentou mais 7 para os meios interactivos (podem ler no meu manual de Processing).

Pergunto a mim mesmo se Lima passou por esta(s) referência(s) aparentemente obrigatória(s). Até porque, como discuti com o João S. no final da apresentação (João: a referência do Bertin é especialmente para ti!),  as tipologias de visualização parecem-me sempre variantes do mesmo tipo [radial] que já tinha apresentado no OFFF. Enfim, como nunca me dediquei a sério a esta área, fiquei contente, mas desconfiado ao mesmo tempo. Até porque há uns tempos passei pelo Flowing Data e também lá estavam alguns métodos de representação… A dissertação do Victor Silva na FBAUP também passa por isto, onde podem ler mais… não sei, fico à espera do livro para ver mais.

Mas, o que realmente me motivou a escrever este post (estava em dúvida se o iria fazer) foram os números que Lima foi largando, como a capacidade de 1PB que em breve os portáteis irão alcançar (graças à lei de Kryder). Outro número foi os 30 Milhões de livros possíveis armazenar neste espaço, ou o número de volumes [1080] que comporiam a Wikipedia inglesa se fosse compilada em versão impressa. Pois muito bem, Sr. Lima, visualize isto: Quantas horas são precisas para ler ou escrever esses livros? Pois muito bem, acerca do “cognitive surplus”, Clay Shirky e Martin Wattenberg fizeram alguns cálculos: 100 Milhões de horas para a Wikipedia em inglês… apenas 100000 horas por volume, simples não? A Marta M. mandou-me o link onde isto estava e recomendo vivamente a ver a conferência de Shirky onde faz estas afirmações (e também adquirir o livro dele: Here Comes Everybody). Dêem uma vista de olhos à conferência aqui: http://www.youtube.com/watch?v=AyoNHIl-QLQ&feature=player_embedded. Entre os 100M de horas perdidas online, ou as 100 Biliões de horas a ver TV, alguém devia fazer a visualização destas actividades “inúteis” (como diria a minha Mãe há uns tempos atrás), não acham? Pode ser que o Felton o faça para o próximo ano… ;)

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