Blauvelt (Personal Views)

Personal Views, 28
ESAD. Matosinhos, 2007-01-26

Imagem gráfica da conferência de Blauvelt (Personal Views)

A primeira sessão das Personal Views da ESAD correu muito bem, tendo-se destacado a enorme afluência de público (apesar dos cerca de 20 mins de atraso).
Andrew Howard apresentou Blauvelt, aproveitando para comunicar (dado que a sala estava cheia) que, a partir da próxima sessão já em Fevereiro, irá existir uma ligação de vídeo para uma sala adjacente ao vivo para colmatar a deficiência do espaço do Auditório. Uma solução engenhosa, mas Andrew, não era melhor arranjar uma espaço maior?

Lembrou também que dia 08 de Fevereiro inaugura uma exposição no Silo do Norte-Shopping…

Walker Arts Center (WAC)

Mineapolis, Minesota. Norte dos Estados Unidos da América, perto da Fronteira do Canadá. Centro de Arte Contemporânea que engloba diversas artes – Arquitectura, Cinema, Vídeo, New Media, Design, Pintura, Escultura, Teatro,…

Blauvelt

Andrew Blauvelt

Abre a sessão com uma citação de Sol Levitt:
“An idea is a machine that becomes art”

Andrew Blauvelt

Trabalhando com a sua equipa (aprox. 14 pessoas, 9 das quais se encontram afectas à produção) muito perto da concepção e organização de eventos (mais de 200 por ano) Andrew tem uma posição privilegiada no Centro.

Ex-professor, dedica-se há vários anos exclusivamente à produção gráfica no Centro.
Aluno da Cranbrook na década de 1980, época marcada pelo elevado experimentalismo, prolífica (nas palavras de Blauvelt) nas “fingerprints of the designers ego”.
Design

Acredita que o Design enquanto disciplina tem que seguir critérios, Parâmetros pelos quais nos temos que guiar. Isto faz com que o Design se afaste da criação artística ou dos trabalho de autor (1).
No centro preocupam-se em contratar estagiários (com alguma remuneração e muito trabalho atribuído!) e chamam-lhes “fellows” numa tentativa de retirar a carga negativa ao posto, ao abrigo de um programa de fellowship.
Tentam levar os trabalho a concurso e preocupam-se em executar design “vencedor”

O American Arts Center promoveu um concurso do qual foi presidente da mesa do Júri (Ed Fella, Irmã Bloom e Alexey?)

Annual Repport do WAC

365, A year to view, é um relatório anual com 365 páginas (piadinha com a impossibilidade de executar realmente 365 face às 366). Dada a restrição orçamental com que lidam, executaram o relatório a “preto e branco” em meios de cores diferentes. Isto é, imprimiram de forma monocromática, em papel de cor. 6 tintas diferentes em 6 papeis diferentes deu origem a uma combinação variada e interessante. Um dado curioso foi o mailing do catálogo, após uma vaga de atentados e a viver um clima de terrorismo, decidiram optar pelo shrinkwrap e enviar directamente assim. A pesquisa efectuada (2) para este relatório revelou ser muito importante para o próprio WAC, revelando uma quantidade de actividades que sugeriu uma melhor coordenação.

Apresentação de exposição para arquitectos suíços (toda em “analógico”).

American Institute of Graphic Arts (AIGA)

AIGA Poster

É a entidade “oficial” que regula o design nos EUA. Efectuaram posters de estudantes para a promoção da Associação. Estratégias Hook, Teaser, Payoff…: “Why should you join AIGA before you’re dead”.

Aiga Briefing & Poster

A importância do humor e ironia na construção de uma peça (mesmo uma séria como esta).
A eficácia de um bom briefing – o próprio documento da AIGA deu, de certa forma, origem ao cartaz onde se demonstram dados estatísticos curiosos e importante, como os salários médios, a comida entre outros dados da actividade profissional do Designer nos EUA.
Map of the World of Artist Work

Brincadeira visual com a criação de mapas de natureza diferente. A composição de texto em volta do centro foi um caso de revisão editorial complicada ;)

Map of the World of Artist Work

Sistemas (Systems Design)

“Signs are simple, systems are complex”

Sobre os sistemas gráficos, considera que a actividade dele reside muito na construção de sistemas complexos de relações de signos e ideias.
Moving Signs (exposição itinerante) por motivo das obras do Centro. O trabalho conjunto com a direcção do Centro permitiu realizar uma campanha/exposição fora do espaço do museu com intervenções pela cidade. Marcas de pavimento em spray de giz (lavável). Intervenção (sobre impressão) dos materiais administrativos do próprio Centro.

Arquitectura

Pela abertura do novo edifício, abordou a importância da arquitectura, mas ressalvou que não é tudo. Isto é, não é só pelo edifício ou pela notoriedade do centro que as pessoas o visitam. É pela qualidade global. Campanha de abertura: “Where Blank Meets Blank”.

Esquema de paragem de Autocarro

O museu ainda não estava acabado (esquinas ainda à vista, placas de revestimento por colocar) mas a campanha permitiu fazer uma ponte entre o público e a vida do dia-a-dia com o museu em duas fases: primeiro o contributo, segundo a utilização desses dados e construção dos mesmos em campanha gráfica. Ainda hoje o website segue os mesmos critérios.

Web

Mnartists.org – Solução de hosting para artistas do Minnesota do WAC.
Colocou logo à partida um desafio para resolver: como aplicar uma identidade visual para New Media?

MNArtists.org - Logótipo de sistema dinâmico

Recorreu-se à criação de um “algoritmo” para o definir. Assim, o próprio logótipo extravasa as fronteiras dos logótipos tradicionais (dado que só existe realmente enquanto definição de parâmetros). Resulta da dinâmica do uso do próprio website. A forma (baseada num pentágono irregular) é afectada graficamente pelo tráfico (upload e download) gerado no próprio servidor. Assim, a formalmente não existe um logótipo fixo embora o seu conceito o defina como tal.

Walker

A identidade visual criada com base no Tipo Walker de Mathew Carter foi redesenhada após 10 anos de existência. A reformulação (3) efectuada pela Process Type Foundry baseia-se num sistema semelhante ao de Carter. No entanto, em vez de ser um sistema “atómico” de combinação de elemento micro tipográficos, é um sistema “molecular” em que altera a combinação conjuntos de elementos a nível de palavras tais como ornamentos de fundo, logótipos, etc. Assim comnsegui-se um sistema mais fiável, leve e flexível.

Quanto à aplicação de lonas exteriores (banners), carinhosamente apelidadas de “dirty laundry” aproveitaram uma fachada de vidro fosco para fazer a projecção simultânea de um ecrã em 5 projectores cobrindo cerca de 10 metros de largura, com os eventos do WAC. O sistema foi concebido para ser actualizado facilmente a partir de um computador central alterando só os dados de entrada (a aplicação final não se altera).

Produção de Design

A maior parte dos museus ou centros de arte mundiais recorre a serviços externos para a concepção e produção gráfica. Blauvelt aponotu qque, parte do sucesso e qualidade das campanhas e materiais que produzem se deve ao facto de tudo ser preparado “in-house”, especialmente os catálogos. Isto consegue-se pela equipa que o rodeia ser polivalente – designers, editores, artistas, marketing, etc. Muitas vezes, esta versatilidade da equipa supera as dificuldades que encontram no percurso – como ilustrado pelo exemplo do Reader produzido recorrendo a imagens de catálogo da NASA (uso inteligente de recursos gratuitos) após o orçamento se ter esgotado, bem como o uso de “flush cut” binding, ou a encadernação de tecido de linho em conjunto com a colagem de papel, foil stamping de cores diferentes e papeis diferentes (já que não difere a compra de baixas quantidades em relação ás grandes) ou ainda a encadernação.

Book binding

Ainda em nota marcou a importância de olhar para os objectos com o olhar critico da primeira vez – demonstrou uma encadernação sem lombada onde o título era impresso/revelado pela colocação de massa de cor no corte de encadernação.

Algumas perguntas a Blauvelt

No final, ou melhor, na debandada final da conferencia, não surgiu o espaço para perguntas. No entanto, a curiosidade foi maior e (tendo já ter trabalho numa instituição semelhante) não pude deixar de me aproximar com um amigo para fazer duas perguntas que foram de certo modo importantes para perceber que, apesar da distância e diferença cultural, não somos assim tão diferentes de Blauvelt e a sua equipa.

Enquanto comissário de Design e Designer de Comunicação (em chefe) do departamento de comunicação/produção, como é que este é gerido face à estrutura total do WAC?
Na realidade Blauvelt desmistificou esta coordenação da forma mais natural possível. O WAC usa uma estrutura de empresa normal, dado que eles tem que lidar como os vários departamentos, como a direcção e marketing. A diferença (talvez) seja que eles se encarem uns aos outros num sistema “horizontal” de responsabilidade.
Outro factor que ajuda muito é o facto do departamento de comunicação ter sido criado de raiz na concepção do WAC. Desde sempre contam com este para efectuar este tipo de actividades (o facto de ter sido criado pelo e para a mulher do director do centro deu-lhe, obviamente, um importância acima do normal) o que contribuiu para consolidar um “crédito” que gozam na liberdade para a criação de projectos.

Isto é, como apresentado em alguns projectos, o próprio departamento cria e gere actividades do WAC de raiz. Como é que isto é possível?
Ajuda (e esta foi a revelação) o facto de ele ser o próprio director do departamento e coordenar as actividades/exposições de raiz com o resto dos departamentos. Assim, torna-se possível criar projectos mais interessantes, bem como a própria investigação para catálogos ou campanhas ser mais rica e específica dado que todos estão em sincronia. Não se limitam a acbar a preparação/montagem de algo e “despejar” resultados numa equipa de designers par “embelezar”.

Como e quando é que foi tomada a opção de mudar uma imagem gráfica tão forte e reconhecida como a criada por Carter?
Bom, a oportunidade perfeita surgiu – a inauguração de um novo edifício para além dos 10 anos de idade da antiga. O novo sistema, apesar de “beber” muitas das ideias originais, adapta-se muito melhor à nova realidade. Mais uma vez o facto de termos conquistado a confiança de todos, foi decisivo na apresentação da proposta.
Notas

1. Ver as ideias de Erik Spiekerman no relatório da ATypI Lisboa 2007:
http://users.fba.up.pt/~pamado/atypi/2006-10-25ATypIRel.pdf

2. Blauvelt atribui extrema importância à pesquisa dos trabalhos. Como explicado, a fase inicial dos projectos, a pesquisa, revela ser uma ferramenta essencial dado que se tomam decisões estratégicas e gráficas que afectam a produção dos trabalhos em toda a sua extensão. Potencia a eficácia da comunicação.

3. Ver notícia publicada:
http://users.fba.up.pt/~pamado/designlab/?q=node/13

O Post original teve direito a comentários, pelo que incluo nesta nova versão dentro do texto original:

Mais perguntas
Submitted by Anonymous on Mon, 2007-01-29 21:24.

também fiz algumas perguntas a blauvelt durante o lanche:

tendo em conta a sua posição bastante crítica em relação ao “design de
autor”, perguntei-lhe se, mesmo assim, estaria disposto a publicar uma
monografia sobre o seu próprio trabalho. ele respondeu que não
conseguia isolar a sua contribuição dentro do resto da produção do
walker art center. fazer um livro sobre o seu trabalho equivaleria a
fazer um livro sobre o seu cliente.

também aproveitei para lhe
perguntar o que achava da crítica de design anglo-saxónica, tendo em
conta a sua experiência a escrever para revistas como a Emigre, Eye.
ele respondeu que era muito dispersa e irregular, essencialmente
dependente de conferências e congressos (muitos dos artigos publicados
são originalmente comunicações em eventos do género).

mário

Design de Autor
Submitted by pamado on Tue, 2007-01-30 11:31.

“Tendo em conta a sua posição bastante crítica em relação ao “design de autor”, perguntei-lhe se, mesmo assim, estaria disposto a publicar uma monografia sobre o seu próprio trabalho.”

Esta é uma posição que também me agradou muito na “atitude” de Blauvelt. O “sentimento” de equipa (se é que se pode assim chamar) demonstra muito da sua atitude analítica face aos desafios do Design. Isto é, a sua abordagem enquanto profissional de artes gráficas constroi-se a partir da parametrização do Design, resultando numa solução que acaba por ser “mais do que soma das partes”. Novamente, remeto esta ideia para a que foi expressa por Spiekermann na ATypI 2007. Neste aspecto, enquanto Designers, afastamos-nos do trabalho de autor, do trabalho mais artístico. Por si só, este afastamento pode constituir um desafio, uma barreira a ultrapassar.

Por outro lado, não fiquei com a noção que ele fosse muito crítico face ao Design de Autor. Só achei que ele não considerava uma abordagem muito viável para o WAC (?) preferindo optar pela escolha de linguagens específicas para cada caso.

“Por outro lado, não
Submitted by Anonymous on Tue, 2007-01-30 12:19.

“Por outro lado, não fiquei com a noção que ele fosse muito crítico face ao Design de Autor”

foi falta de clareza da minha parte: ele disse-o em conversa, já fora da conferência, acrescentando também que era particularmente crítico em relação às monografias de design.

mário

Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Universidade de Aveiro a leccionar Design de Interação

1 thought on “Blauvelt (Personal Views)”

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