Personal Views 2007 - ESAD

Este ano (bem como em edições anteriores) as conferências da ESAD apresentam um cartaz muito variado e com nomes sonantes como: Gerard Unger, Neville Brody ou Ellen Lupton.

http://www.esad.pt/personalviews/


A primeira sessão vai realizar-se já a 26 de Janeiro com Andrew Blauvelt.

Sobre Andrew Blauvelt:

As head of the Design Studio at the Walker Art Center in Minneapolis, ANDREW BLAUVELT is one of the most influential figures in US graphic design both as a practising designer and as a creative director commissioning other designers’ work.

http://www.designmuseum.org/design/andrew-blauvelt


Sobre as Personal Views:

Muito mudou no mundo do design gráfico ao longo dos últimos 20 anos. As ferramentas que usamos para trabalhar, que são também as ferramentas que usamos para pensar, sofreram uma revolução. O que era considerado verdadeiro e fundamental no design abriu-se à questionação e ao debate. Novos conjuntos de valores e modelos teóricos competem agora para ser aceites e talvez o maior efeito se tenha feito sentir no campo do ensino do design.

Ao reflectir sobre estas mudanças, afigura-se importante no contexto de uma escola superior de design, questionar se os conceitos tradicionais de design são ainda legítimos ou se a própria noção de ortodoxia – afirmar que existe uma abordagem estandardizada ao design – terão sido substituídos por uma série de preferências pessoais. É neste contexto que foi concebido o ciclo de conferências Personal Views, e foi daqui que se subtraiu o seu título.

Tendo isto em mente, Personal Views pretende explorar os parâmetros e os perímetros da nossa profissão. E numa altura em que o ultrapassar de fronteiras é visto como um acto de modernidade, estas palavras podem provocar uma certa apreensão em alguns quadrantes, e talvez com razão. Receia-se que enquadrar esta exploração em termos de parâmetros e perímetros seja uma atitude de grande conservadorismo e que resulte inevitavelmente num processo de contenção, um processo que limita o âmbito da nossa actividade, as relações que podemos estabelecer com outras ideias e práticas e também a nossa visão daquilo que é possível. E num mundo onde, mais do que nunca, é preciso estabelecer ligações, qualquer processo que pretenda isolar ou restringir a nossa actividade é, com toda a propriedade, considerado contraproducente.

Mas estabelecer relações entre ideias e práticas pressupõe que existem diferenças entre elas e depende portanto da capacidade de identificar um terreno comum. Esta posição contrasta com as tentativas de criar relações por meio de eliminação das diferenças, o que resulta muitas vezes num colapso de fronteiras que torna impossível distinguir uma coisa da outra. Ter como objecto um terreno sem características distintivas, onde tudo é visto como intermutável e interdependente, torna a procura de relações e entendimento não menos, mas mais difícil ainda.

Talvez se trate aqui de uma reflexão intelectual de uma cultura cujas fronteiras e distinções relativamente a outras áreas da nossa vida – entre o público e o privado; entre o desejo e a necessidade; entre a escolha e a participação – se tenham consumido e esbatido. A perda endémica do tecido social que daí resulta parece delinear um território que é ainda mais significativo.

Personal Views é, então, uma dessas tentativas de delineação do território, assente no princípio de que a procura de clareza e substância não deve ser confundida com tentativas de chegar a definições inquestionáveis. Não obstante as relações entre ideias e práticas, Personal Views interroga-se acerca daquilo que distingue a nossa actividade de todas as outras, daquilo que nós podemos fazer enquanto outros não podem, ou não querem. E porque territórios diferentes requerem diferentes ferramentas de navegação e exploração, também pretende questionar a natureza do território que habitamos para que possamos equipar-nos da forma mais adequada. Pretende atingir este propósito convidando profissionais experientes do mundo do design gráfico a falar sobre os valores, referências e objectivos que os guiam. É provável que nenhum dos oradores forneça uma resposta consensual, mas, em conjunto, todos irão construir um quadro a partir do qual os jovens designers em especial podem começar a formar um juízo acerca dos instrumentos intelectuais, assim como operacionais, necessários para construir e sustentar uma prática social com significado e valor e que vai para além de uma simples preocupação pela aparência das coisas.

Andrew Howard, coordenador
http://www.esad.pt/personalviews/

Personal Views - ESAD

Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Universidade de Aveiro a leccionar Design de Interação

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