Personal Views 35: Ellen Lupton

Ellen Lupton

Depois da falta na Sexta-feira, a tão antecipada conferência de Ellen Lupton revelou ser, sem dúvida, uma das melhores conferências que tive oportunidade de assistir no último ano. Agora, graças à diligente equipa técnica da ESAD, já podemos ver esta conferência on-line no site das Personal Views. Link e Vídeo no final deste post.

Lupton, provou ser uma oradora exímia, pontual (chegamos às 15:05 e Ellen já tinha começado) e muito preocupada com os conteúdos e apresentação (sempre a confirmar com Howard a continuação da mesma, uma vez passada a hora final).

Fez a apresentação dos seus últimos projectos como Thinking With Type, DIY, Design Your Life e Free Font Manifesto. Desvendou ainda alguns projectos que irão ser tornados públicos em breve como Indie Publishing e Graphic Design: The new basics.

We are living a Revolution today: an unstoppable movement of self-education!

Irónica por vezes, mas directa nas mensagens a passar e com muito sentido de oportunidade. A leveza do discurso e o sentido de humor imperaram em 2 horas numa hora cheia de pequenas pérolas e de ideias inspiradas e inspiradoras.

Ellen Lupton is a writer, curator, and graphic designer. Her most recent books are D.I.Y: Design It Yourself (2006) and Thinking with Type (2004). One of her best selling books is Design, Writing, Research: Writing on Graphic Design (Princeton Architectural Press, 1996) which she co-authored with J. Abbott Miller. She is director of the graphic design MFA program at Maryland Institute College of Art (MICA) in Baltimore. She also is curator of contemporary design at Cooper-Hewitt National Design Museum in New York City, where she has organized numerous exhibitions, each accompanied by a major publication, including the National Design Triennial series (2000 and 2003), Feeding Desire: Design and the Tools of the Table, 1500–2005 (2006), Solos: New Design from Israel (2006), Skin: Surface, Substance + Design (2002), Graphic Design in the Mechanical Age (1999), Mixing Messages (1996), and Mechanical Brides: Women and Machines from Home to Office. Books in the works include D.I.Y. Kids (with Julia Lupton) and Graphic Design: Structure and Experiment (with Jennifer Cole Phillips and MICA students and faculty). The third National Design Triennial, Design Life Now, opened in December 2006.

http://www.esad.pt/personalviews/


Design, Tipografia, Investigação e Ensino

Quando chegamos à conferência Ellen já abordava a questão do ensino da Tipografia enquanto disciplina aos seus alunos.
Referia-se à oportunidade de aprender sobre tipografia como uma actividade de “utilidade pública” (quase).

It’s never too early to learn Typography

Bem como nunca é cedo demais para se começar a ensinar. Clara referência aos seus projectos Design Writing Research e Thinking with Type.

Refere-se à tipografia como um bem de utilidade pública sobre o qual o público deve ser educado da mesma forma que a ortodentia ortodontia deve ser abordada. Isto é, após uma breve piada com o facto de ter os dentes demasiado grandes para a sua cara, a conselho do seu médico procedeu à respectiva correcção (originalmente referiu-se ao médico como “orthodontist”). Assim como a Tipografia, a ortodontia é uma actividade reservada aos especialistas. É assim que o seu ortodentista dentista irá passar os próximos dois anos a aplicar “kerning” aos seus dentes (piada original).


Projecto DIY

We have a big role as Designers: to educate the Client andthe Public.*
The more people know [acerca da nossa actividade] the more they will respect us and our work.

* Ver posts do Ressabiator sobre a relação com o cliente como ponto de entrada para esta discussão nacional na blogosfera chegando a sites tão prestigiados como o Design Observer.

Ainda sob a perspectiva do DIY, considera os cartões pessoais como pequenas obras de arte, expressão ideal de uma atitude DIY. São pequenos [auto] retratos tipográficos.

Apresenta o projecto DIY for Kids. Que tomará em breve a forma de livro publicado em conjunto com a sua irmã gémea Julia Lupton.


Design is an universal practise.

O nível de literacia popular e conhecimento académico progridem à medida que as pessoas acedem a maiores fontes de conhecimento e que estas se banalizam. Apresenta o Design Your Life – Using Design thinking in everyday life, projecto de natureza mais geral que mantém com a irmã. Irão lançar o livro (espera ela) brevemente.

We are living a revolution today: an unstoppable movement of self-education
DIY Funeral IKEA Style ;) e Church of DIY

Em tom descontraído apresenta um site “Church of DIY”, como que uma religião assumida por um grupo de pessoas que pretendem auto-instruir-se e fazer as coisas pelos próprios meios. Definitivamente, nesta época da partilha – “Age of Sharing” o DIY está para ficar (pelo menos nos EUA). Ao contrário do que se passava há poucos anos, até os direitos de autor (copyrights) são alvo de escolha e personalização de partilha – Creative Commons.


Indie Publishing

Apresenta o próximo projecto que irá apresentar ao público sob a forma de livro: Indie Publishing
Uma espécie de DIY para designers acerca da edição e publicação (editorial). Pelas imagens que tivemos oportunidade de ver, recomenda-se a compra e leitura do documento já existente on-line.

O nosso trabalho, este trabalho é um trabalho político. Isto é, não deixa de ser uma forma de discurso social, e, ao mesmo tempo, de o fomentar. Exemplo disto são estas mesmas conferências [e Blogs…]. Promover a discussão em torno do Design “by letting a broader public know what we do and why!”


Interlúdio

Breve passagem por dois assuntos que a incomodam (uma espécie de interlúdio freak, mas muito comum nos últimos oradores que tenho ouvido). Usa estes dois assuntos como analogias em desenvolvimento para os assuntos que abordou e, em relação ao primeiro (suspeito) para o que irá apresentar como último assunto:
Suspeito que Lupton fez uso desta interrupção (aparentemente inocente) para criar uma ponte no discurso, um par de metáforas que levaram à conclusão da conferência.

– As Roller Bags (as malas tipo trolley) – noção do individuo e da comunidade (a postura que cada um de nós ocupa na comunidade de Design global e a ligação ao Free Font Manifesto?);

– As Almofadas Epidémicas como afirmação de status e valor (a procura dos valores básicos e gerais da Bauhaus no Design actual?);


Graphic Design: The new basics

I am not all abou DIY. I’m also about excelence and detail…

Citação de Lev Manovich

It has become a cliché to announce that “we live in a remix culture”… Now this is simply the basic logic of cultural production.

Faz notar que não só se dedica à produção própria e ao auto-didactismo. Luta pela excelência e pela educação “tradicional” do Design. Preocupada com isto apresenta o mais recente projecto que desenvolve com os seus alunos:
Graphic Design: The new basics. Um projecto que toma a forma do mais recente livro que irá publicar, do qual nos presenteia com excertos do primeiro capítulo – Transparency.

.Afirma que este é um projecto que regressa às origens do ensino do Design numa perspectiva muito “Bauhaus”, mas à luz do dias de hoje. Isto é, o que para o tempo da Escola da Bauhaus conceitos de transparência se reduziam a tipografia aplicada em superfícies translucidas, hoje há todo um conjunto de tecnologias que pelas possibilidades que oferecem complexificam a relação que temos com os trabalhos que realizamos. Este projecto é, acima de tudo, uma busca pela linguagem mais básica do Design.


Free Font Gheto vs. Free Font Manifesto

Por fim, e um assunto que me é muito pessoal, apresenta muito sumariamente o Free Font Manifesto e a reacção que este teve na ATypI deste ano – podem ler mais no relatório apresentado à FBAUP (PDF ~1MB) e ver as fotos. Notou, que o público profissional presente em Lisboa não entendeu o conceito apresentado, e que teve que ser mais forte para resistir às críticas inflamadas de todos.

Até à data continua a receber críticas, mas isto não a impediu de (apesar de ter retirado os comentários) manter o seu Blog com o manifesto on-line. [Bravo Ellen!] Acima de tudo, porque o próprio Blog serve como um hub dos mais importantes projectos que seguem o mesmo ideal de partilha de conhecimento, como Gentium, Linux Libertine e Typeforge*

.*Qualquer parcialidade é pura coincidência ;)
Mais sobre este tópico ou sobre os desenvolvimento livre e partilha de conhecimento on-line na recém-apresentada Tese de Mestrado.


Conclusão

Ellen Lupton esteve mais uma vez à altura, numa conferência excepcionalmente boa:

– nunca aborreceu;
– nunca perdeu o ritmo;
– apresentou um resumo do seu trabalho/projectos (quase dá a entender que é uma viciada em Blogs, mas como ela diz, é preferível esta abundância da crítica sobre design, de informação auto-publicada do que a alternativa…);
– apresentou projectos em curso;
– projectos futuros;
– metodologias;
– ideias inspiradoras.

Foi perfeito em quase tudo. Talvez o único defeito a única lacuna se prenda em algo que ainda não consegui compreender totalmente, e com que me debato actualmente – o empreendedorismo.

Talvez um defeito de uma mente académica brilhante, Ellen pecou por não dar ênfase suficiente (se é que algum) ao potencial empreendorismo comercial, à aplicabilidade económica, ao equilíbrio entre a investigação e a produção para a qual tantos oradores (ver Neville vs. Davis @ OFFFp. ex.) têm alertado.

Gostava de ver este assunto mais explorado: Open Source vs. Valor; Investigação vs. Produção; ou ainda I&D vs. Chasing Deadlines…

Em tom de nota, fica a promessa de uma actualização deste post assim que ler/receber uma resposta de Ellen acerca deste e do assunto com que a abordei no final – a reacção de Unger como sintomática dos profissionais do Design Tipográfico.

Por falar em equilíbrio e empreendedorismo… foi muito aborrecido chegar e não ter lugar sentado, o que obrigou a passar à frente da oradora (para descobrir que os lugares da frente estavam reservados para convidados que não chegaram) e sentarmo-nos no chão… Andrew: arranja um auditório maior, por favor!

Subscrevam este post para a respectiva actualização (actualizações, vídeos e comentários).
Agora que a ESAD ganhou o lanço em publicar os vídeos, estou deserto para rever esta conferência!

Podem consultar o vídeo da conferência no site da ESAD/Personal Views, ou então esperar que o video abaixo acabe de carregar:

Esperemos também que esta conferência seja comentada/criticada na Blogosfera como o Blog da AE ESAD tem feito.

José Bártolo já comentou/apoiou a posição de Lupton acerca do seu Free Font Manifesto, republicando os objectivos/razões para alguém dar uma fonte à humanidade:

http://reactor-reactor.blogspot.com/2007/05/ellen-lupton-na-sua-conferncia-de-hoje.html

Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Universidade de Aveiro a leccionar Design de Interação

2 thoughts on “Personal Views 35: Ellen Lupton”

  1. Pequena correcção: A conferência durou apenas uma hora. Eu estive lá e às 4.10 já estava no carro, de volta a casa!

    Cumprimentos,
    Ana Pinto

  2. Como prometido, contactei a Ellen Lupton na esperança de ela responder à provocação de Unger. A resposta foi imediata (demorou apenas um dia a responder), mas foi algo evasiva. Isto é, Lupton, manteve o profissionalismo e o humor sem cair na tentação de uma resposta inflamada. Creio que a intenção original era a de fornecer um resposta nas entrelinhas.
    Segue-se a transcrição do e-mail

    —————————————-

    Pedro–

    Thanks for your kind words. Here’s my response:

    I learned a lot from exploring the idea of a “free font manifesto.” As you know, I have a long interest in looking at design as a publicly available language and tool (D.I.Y.). I am interested in the many ways that the professional discourse of design is opening up. I decided to explore the idea of free fonts when I was invited to address the aTypI conference in Lisbon, September 2006. Given that “free fonts” are so generally loathed within the graphic design and typography community, I was curious to learn if there was a socially-driven free fonts discourse to counter the opportunistic, outlaw forces that dominate what I call the “free font ghetto.”

    I was very brave to take on this subject with this audience, and like most brave people, I was also a little foolish and naïve. In the spirit of openness that drove me to this topic, I invited comments and participation from the community. Many type designers were angry about the idea of free fonts, and their comments helped me in narrow down a definition of what might be considered a legitimate free font movement. My exploration was undertaken in a spirit of honest inquiry, and I did learn that there is a small and growing community of people who are interested in developing free fonts for the social good. This small movement is related to other larger cultural developments, such as the rise of open source software and social entrepreneurship. I personally hope and believe that the free font movement will grow, and that a new generation of designers will be interested to contribute to it in various ways.

    I will probably never again be invited to speak at a typography conference!

    el

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