Daniel Eatock @ ESAD

De todas as conferências a que assisti, esta foi a menos inspiradora. Não sei se o tempo investido na conferência valeu a pena. De uma forma geral parece-me óbvio que sim, que é sempre enriquecedor, mas olhando para o texto que se segue, continuo sem perceber se gostei ou não.

Daniel Eatock tem um corpo de trabalho desenvolvido muito interessante (quando pesquisado on-line) e talvez seja isso que me deixa desconfortável ao pensar na conferência da passada Sexta-feira 16 de Maio. Ao ver e ouvi-lo falar, fiquei sem uma opinião formada. Por um lado, o Designer e Artista Gráfico com um corpo de trabalho relativamente interessante. Por outro o “freak” que faz conferências de sandálias… ;)

No final da conferência dei por mim a pensar que se não tivesse estado a tirar notas teria adormecido… “de certezinha!” Mas…

Oh no, he’s seating down. That means he’ll be there for a long time!

A conferência começou com Adrew Howard a fazer uma breve introdução à série de conferências e a promover um aviso – Michael Johnson foi cancelado, por isso a próxima e penúltima será a 6 de Junho.

The series of Personal Views. Different approaches to graphic design. Bits & Pieces, not exclusive views. Some will focus on different aspects. Design as a craft, service, social practice, as a process.

Este último comentário acerca das Personal Views na ESAD pareceu-me ser a vertente na qual Andrew deposita mais confiança. “seeing and thinking in different ways”. E é assim que faz a transição para a apresentação de Daniel Eatock – “he thinks about things”. Lê-se no site das Personal Views:

Daniel Eatock is a London-based designer known for his conceptual approach to solving traditional client problems as well as those of his own choosing. Eatock graduated from the Royal College of Art and worked as a designer at the Walker Art Center before returning to England to create Foundation 33 and most recently Eatock Ltd. His work has consistently employed a systematic but not necessarily dogmatic rigor that privileges the elemental over the extraneous—a philosophy neatly embodied in his motto: “Say YES to fun & function & NO to seductive imagery & colour!” His work for entertainment and cultural clients ranges from such projects as the graphic identity and promotion for the British television hit Big Brother to a street exhibition of Warhol billboards for Channel 4 to a collaboration with artists Oliver Payne and Nick Relph for an exhibition catalogue with sound chips, a flip book, handwritten notes, and a cover wrapped in the upholstery fabric used on London transit seating. Eatock’s idea of “entrepreneurial authorship” has led to the creation of numerous self-published limited-edition works such as Untitled Beatles Poster, which includes the lyrics from every Beatles song, and the 10.2 Multi-Ply Coffee Table, fabricated from an entire single sheet of plywood.

Antes de Daniel voltar ao palco, a sessão foi alterada ao comportamento normal com a intervenção de uma convidada especial. A namorada e artista plástica Flávia M. teve a seu cargo a apresentação oficial de Daniel. Foi assim Flávia Müller Medeiros apresentou o seu projecto artístico “Failed, emergent and young”. O conceito de artista falhado, emergente e novo artista.

(Por esta altura estava completamente WTF?)

É assim que inicia a mostra da primeira peça (entrevista) do seu projecto – A opinião da curadora Lisa Feuvre. (Cheirou-me a plug descarado… mas a apresentação do vídeo até trouxe uma certa contextualização para o que iríamos assistir)

Definitivamente, não percebo o mundo da arte… até porque com aquela introdução, a somar à de Andrew, fiquei sem perceber como é que as pessoas encaram o Daniel e até mesmo como ele se encara – um designer? Um artista? Um pensador? Esquizofrénico? Fiquei sem saber. Curioso até à data deste post, mas confesso que depois do ambiente gerado não tive coragem para lhe perguntar. Acho que a conferência e o trabalho dele falam por si.

Lê-se no site da Princeton Architectural Press acerca da monografia de Eatock:

Imagine the work of a young designer for whom concept and humor are more important than the glossy aesthetics of mainstream periodicals and design annuals and for whom the
message trumps the media, and you begin to get an idea of the refreshingly smart and thought-provoking work of Daniel Eatock. Rejecting the widely held opinion that work made without a client is “art” and work for hire is “design,” Eatock challenges both categories by purposely blurring the distinction. Whether he is solving client problems or those of his own choosing, Eatock’s work responds to personal fascinations and the desire to invent, discover, and present.

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Enfim, Flávia M. acaba por definir o trabalho de Daniel (pensava eu que ia chegar a qualquer coisa de concreto) como o espaço que está entre a Arte e o Design, e que cria a sua própria categoria… (e pergunto eu, tira finos? É porque se tem direito a uma categoria específica, é bom que tire finos!)

Lê-se no site pessoal de Eatock:

I am interested in connections between image and language, titles, punch lines, miscommunication, subversions, open systems, contributions from others, seriality, collections, discovery and inventing.

I employ reductive logic, and strive for objective and rational solutions to form concluded works. I am especially interested in the connection of the start and end points of a hand drawn circle.

Mini Manifesto

Begin with ideas
Eliminate superfluous elements
Subvert expectation
Believe complex ideas can produce simple objects
Trust the process
Allow concepts to determine form
Reduce material and production to their essence
Sustain the integrity of an idea
Propose honesty as a solution
Remove subjectivity

O que me faz confusão é que Eatock é eminentemente um artista gráfico/conceputal. No entanto, tem no portfólio dele o desenvolvimento de um CMS simples chamado Indexhibit:

Indexhibit is a web application used to build and maintain an archetypal, invisible website format that combines text, image, movie and sound.

Não consigo perceber até que ponto que o respeito por isso. Por um lado temos o artista gráfico, completamente freak. Por outro temos um designer e developer competente ao ponto de desenvolver um CMS para uso próprio e ainda por cima Open Source… Muitos participantes parecem estar a usa-lo, incluido um amigo meu Ivo S. Gostava de ter mais informações sobre isto para o poder respeitar ou para o odiar…

Bom, voltando à conferência em questão…

Finalmente, depois do atraso de quase 45 mins e das introduções genéricas e abstractas, Daniel Eatock sobe ao palco. E começou “logo a matar”. Propôs-nos uma espécie de performance que funcionou de uma forma curiosamente engraçada: “The same number spoken by the same number of people”.

Contou as pessoas da audiência uma a uma até às 92, dizendo que cada um de nós iria começar a contar a partir do número que nos foi atribuído até ao final. Foi um momento engraçado e acho que foi melhor maneira de começar. Feliz, ou infelizmente foi o mote para o resto da conferência (e sem dúvida, o momento alto da sessão).

“Did you record that?”

Fazemos parte de uma performance de Eatock. Não estranho nada isto. A noção de autoria para Eatock ficou bem clara no final. Pessoalmente, tenho a noção de autoria já bastante diluída, mas Eatock parece ter uma ética bem sólida e afirmada.


Avisou-nos que a sessão não iria ter imagens… “it’s all concepts, and I haven’t done any of them” OK. Aqui fiquei apreensivo para o que ira ser o resto da conferência. It’s just things things I’d like to do. Mas correu bem.

    Série de 75 conceitos (segundo ele… não contei, ou melhor, a minha listagem acabou nos 60 e muitos… alguns freaks, outros interessantes… mas conceitos. COmo diria um professor meu, uma ideia é uma ideia como outra qualquer. E Eatock apresentou 75…

    Também acabou aqui a conferência, depois de termos feito uma nova tentativa para a contagem de 90 pessoas, uma repetição da performance inicial. Esta não funcionou tão bem (embora tenhamos acabado de contar certinhos no final)

    Heitor A. colocou a questão: “some of your ideas are so simple” referindo-se à Alka-Seltzer num fino, porque é que ele não as realiza. Aqui Eatock dá uma resposta que me agradou, mas que ao mesmo tempo me devolve à questão para quê pensar nas coisas: “Some concepts are more interesting as concepts/as ideas than actually to do them, than actually the real thing”

    Flavia M. questionou-o acerca da realização de uma conferência só de conceitos. Também gostei da resposta, embora a conferência não me tenha agradado tanto como outras do mesmo género, ou até mesmo como a própria resposta. Daniel respondeu: “Outcome of ideas, these are typically the nature of [my] other conferences. Why not present the ideas themselves?” Pessoalmente, preferia que ele tivesse concretizado 3 ou 4 das ideias apresentadas e apresentado uma conferência sobre a realização dessas ideias desde o momento de inspiração inicial ao impacto final no público. Sejamos sinceros, ao apresentar um trabalho concretizado, não estaremos também a apresentar uma ideia?

    Heitor A. insiste no diálogo levantando a questão da possível cópia de uma ideia dele, à qual Daniel responde que as pessoas devem creditar. Ele próprio já trabalhou sobre ideias semelhantes a outros artistas, pelo que quando tomou conhecimento deu os créditos e promoveu o trabalho do outro. Ainda acerca da implementação de ideias alheias, considera que não é só pela ideia, mas ao concretizarmos algo “there’s a skill involved”

    Andrew H. muda o tema para os workshops que desenvolve em Londres, mas foi tudo de volta para o mesmo “playground” – como desenvolver ideias, arte conceptual… a conversa continuou, mas foi morrendo lentamente.

    Enfim, alguns dias depois a “mastigar” a conferência e mesmo depois de rever este texto (que sei que vai continuar cheio de gralhas) contínuo se saber como avaliar a conferência. Só espero não ser a última a que assisto. Detesto ficar com o sabor amargo na boca quando acabo de comer…

    Mais informações:
    http://www.eatock.com/project/daniel-eatock/
    http://www.papress.com/bookpage.tpl?cart=109&isbn=9781568987880
    http://www.indexhibit.org/forum/thread/520/
    http://blogs.walkerart.org/offcenter/2007/02/19/welcome-back-daniel/
    http://moodle.arca.pt/calendar/view.php?view=day&cal_d=16&cal_m=05&cal_y=2008
    http://www.cpluv.com/www/item/shapemould/9357/#comments
    http://www.nytimes.com/2006/01/15/magazine/15gays.html?_r=1&oref=slogin

    Performance e Conferência do Eatock no Walker Arts Center (video):

    http://channel.walkerart.org/enlarge_qt.wac?id=7225
    Nesta conferência (que ainda não acabei de ver) Daniel apresenta e fala sobre o trabalho… é isto que me deixa um pouco confuso. Se for o caso, depois de visionar esta conferência, revejo este post.

    Author: Pedro Amado

    Professor Auxiliar na Universidade de Aveiro a leccionar Design de Interação

    1 thought on “Daniel Eatock @ ESAD”

    1. “(e pergunto eu, tira finos? É porque se tem direito a uma categoria específica, é bom que tire finos!)” piada mesmo à pedro a. … :P

      nao fui à conferencia, tal como deves ter reparado, por nao me teres visto la, mas foi o primeiro post que li ate ao fim…

      achei piada à quantidade de numeros envolvida nas ideias dele, fazem-me lembrar as piadas da daniela… hehe coisas simples em que nunca tinhamos reparado/pensado antes (algumas)

      *

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