Introdução ao Blender @ ISEC

(Blender @ ISEC)

No final de Junho fui convidado pelo CCG para dar uma formação de Blender no ISEC. A formação consistia originalmente em duas partes – uma Introdução ao 3D com Blender e outra 3D Avançado. Dado que não tenho formação académica em 3D, decidi assegurar só a primeira parte. Aliás, a minha formação em 3D é bastante autodidacta, e, antes dos Workshops com o Luís B. na Audiência Zero nunca tinha usado o Blender.

Voltando à formação, para a segunda parte ainda tentámos encontrar alguém qualificado para o fazer, mas acabámos por desistir da formação avançada. No entanto, dado que tivemos 33 horas de contacto, decidi explorar o Blender ao máximo.

Os resultados apareceram e, num caso muito especial, foram muito para além do que estava à espera! Por entre os exercícios que tinha sugerido, acabei por ver uma simulação de uma cidade com um veículo a navegar por entre os prédios (imagem acima).

Enfim, foram duas semanas extenuantes de viagens de comboio para Coimbra, mas de extrema gratificação. Aprendi imenso e acho que os formandos também. Ficou também aqui demonstrado o poder e a aplicabilidade do Open Source, nomeadamente do Blender na Educação.

Deixo aqui algumas imagens e notas sobre como defini a estrutura da formação (para quem estiver a pensar em ensinar/aprender Blender) e deixo o primeiro capítulo do Manual da Formação para verem como foi programada e leccionada a formação.

O caso da dupla de formandos responsável pela proeza de animação urbana em “constrain to path” foi mesmo uma excepção. Isto é, portaram-se todos à altura. Mas a formação original não contemplava animações complexas, nem modelações demoradas. Sejamos sinceros… 33 horas para quem nunca teve 3D na vida é muito pouco!

(Um dos ecrãs da formação – quase todos os conceitos em demonstração)

Assim, decidi estruturar a formação em 9 módulos incrementais. Isto para cada um dos formandos (durante ou depois da formação) poder estudar cada passo fundamental da criação 3D ao ritmo que prefere. Cada um destes módulos é relativamente autónomo e corresponde a uma parte do Manual da Formação que construí e do qual disponibilizo o primeiro capítulo – Introdução ao Blender. O manual ainda está muito crú e precisa de revisões sérias, mas não queria deixar passar a oportunidade de o partilhar com vocês.

Passo a descrever como organizei os módulos da formação (e os capítulos do manual):

1.    Introdução – Neste capítulo apresentamos conceitos básicos em que se baseia a construção dos modelos 3D e alguns estudos de caso. Apresentamos também a interface do Blender. É radicalmente diferente e, para quem não conhece o programa, é um capítulo imprescindível;

2.    Modelação – Aqui são introduzidos os conceitos básicos de criação e manipulação de formas e objectos. São os blocos fundamentais de toda a manipulação dos elementos 3D;

3.    Iluminação – Na construção do nosso mundo/cena 3D precisamos ter a informação de iluminação e aqui percorremos as principais características e opções para a criação e optimização dos nossos modelos recorrendo ao uso das lâmpadas;

(Pormenor de iluminação, materiais e texturas)

4.    Materiais – Como potenciar e começar a preencher os nossos modelos com cor, reflexão e características de superfície. São os materiais que acrescentam a maior parte da informação rica aos modelos. É uma componente fundamental da modelação 3D;

5.    Texturas – Como não podia deixar de ser, as texturas são uma componente fundamental dos modelos e impossíveis de aplicar sem definir materiais. Para a concepção e criação gráfica (em Design ou Publicidade), é quase impossível não recorrer a texturas, mesmo quando executamos maquetas;

6.    Câmaras I – Antes de finalizar o nosso projecto, precisamos que este seja visualizado. É aqui que se revela a importância das câmaras. É literalmente tirar a fotografia final ao modelo para efeitos de apresentação (ou render). Não conseguimos mostrar o nosso projecto 3D sem recorrer a pelo menos uma câmara. Como explorar as diferentes características para potenciar a nossa exposição;

(Exemplo de render avançado com IOR por um dos formandos)

7.    Rendering I  – o capítulo que podia ser final da introdução ao 3D. O render é a operação de conversão das instruções 3D em imagem ou filme. Muitos aspectos podem ser corrigidos ou realçados neste passo e, mais uma vez, sem o render não é possível a visualização do que a câmara fotografa no mundo 3D.

(Na realidade, fomos sempre abordando o render durante as sessões, dado que é impraticável fazê-lo somente nesta fase… Para todos os que planeiam aprender ou preparar formações em 3D com ou sem o Blender, aconselho que abordem o render logo a seguir à modelação básica).

8.    Animação I – Conceitos básicos de animação tradicional e a sua aplicação aos gráficos 3D. Actualmente uma das grandes potencialidades deste pacote de software é a possibilidade e facilidade de criação de animações dos nossos modelos. A animação não é imprescindível, mas é uma habilitação muito procurada nos criadores 3D.

(Pormenor da cidade construída por um dos formandos)

9.    Trabalho autónomo – um exercício final de modelação e animação completo, fazendo uso de todas as componentes aprendidas. Não deverá exceder as 6 horas de criação e render.

Inicialmente, a animação não era uma prioridade, mas como imaginam, todos aderiram muito bem e rapidamente quiseram aprender mais. De resto, a formação seguiu um ritmo alucinante, demonstrando que 33 horas mal são o suficiente para introduzir alguém ao  3D com Blender, mas acho que conseguimos bons resultados.

Para a aprendizagem não posso deixar de recomendar o Wiki do Blender, mas o Manual Oficial foi um item indispensável que recomendo a todos:

The Essential Blender Roland Hess

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Às vezes é meio confuso e a versão que usam (2.43) não é exactamente a mesma que usei na formação (2.46), mas só senti diferenças a estudar partículas (matéria do workshop avançado).

Enfim, no final todos ficámos muito entusiasmados com os trabalhos apresentados e a querer um pouco mais.

Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Universidade de Aveiro a leccionar Design de Interação

2 thoughts on “Introdução ao Blender @ ISEC”

  1. Obrigado pela partilha da “sebenta”, pois é já uma boa ajuda, para quem (como eu) pretende dar os primeiros passos. Parabéns também pelo trabalho desenvolvido e aplicado neste blog… Abraço.

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