Sam Brenner + MUX 2015

Cabeçalho do site MUX2015
Cabeçalho do site MUX2015

Hoje (e amanhã) na Universidade de Aveiro está a ter lugar uma conferência relativamente única — a MUX 2015: http://mux.web.ua.pt/

Normalmente gosto de divulgar estas coisas antes, mas só tive oportunidade de fazer um post rápido no Facebook. Por isso, aproveito uma viagem de comboio para fazer um update intermédio.

Website atual do Cooper Hewitt
Website atual do Cooper Hewitt

A conferência abriu com o keynote de Sam Brenner, que é um dos 4 membros da equipa de “User Experience Design for Interactives” no Cooper Hewitt Museum: http://cooperhewitt.org/

Brenner abriu a conferência explicando um pouco sobre o contexto e história do Museu — sua antiga ligação à escola de Design Cooper Hewitt, e a atual ligação ao Smithsonian —, revelando um pouco do catálogo (também com peças de clara inspiração portuguesa) com alguma ironia e humor.

Bill Moggridge (Wikimedia)
Bill Moggridge (Wikimedia)

A conferência rapidamente me prendeu a atenção, mencionando desde cedo que um dos mentores do projeto foi Bill Moggridge (http://www.designinginteractions.com/bill), também um dos membros fundadores da IDEO. Quem me conhece sabe que nutro uma profunda admiração por este visionário da interação e experiência digital. Saber que eles herdam um pouco da sua escola é verdadeiramente inspirador.

E isto revela-se na forma como se têm reinventado. Não só pela reconstrução do espaço do museu (que era uma casa vitoriana) mas também pela política de abertura e comunicação que têm demonstrado nos últimos anos.

Novo tipo de letra condensado, desenhado por Chester Jenkins
Novo tipo de letra condensado, desenhado por Chester Jenkins

Creio que voltei a prestar atenção ao Cooper Hewitt com a notícia do redesign do tipo de letra numa abordagem aberta (leia-se Open Source) da sua identidade gráfica. Esta foi uma das pontas reveladas num dos vídeos das conferências que assisti online e que eles foram divulgando. Parte desta reestruturação passou também pelas plataformas digitais.

O [novo] site responsive é espetacular—já falei sobre os melhores exemplos de websites de museus aqui antes. E Sam Brenner não desiludiu a explicar toda a estratégia. Que não se resumiu a uma mudança cosmética do website e da identidade.

Esta reestruturação da instituição não foi só superficial—querem ter uma relação mais próxima com o público. Começaram  digitalizar e a publicar online TODA a coleção no “Collections Website”. É uma estratégia que identificaram como claramente positiva—algo que o Prof. Pedro Beça também reforçou. O facto de a coleção poder ser totalmente consultada online não diminui a atratividade ou o valor do museu [ou da visita ao mesmo]. Muito pelo contrário, só aumenta a sua exposição e o fluxo de visitantes. É aqui que eu respeito e louvo os poucos diretores das instituições portuguesas que conseguem ter a visão e a coragem (e os recursos, claro!) para o fazer. É o caso do espólio fotográfico da Gulbenkian por exemplo — que o João S. me mostrou outro dia e que babei completamente—, ou da biblioteca nacional digital.

Mas voltando ao tópico e ao pormenor que mais me impressionou. Brenner faz parte de uma pequeníssima equipa. Ele é um dos 2 developers numa equipa que conta apenas com mais um Designer Gráfico e um Product Manager. Juntos delinearam uma estratégia de abertura assente em 5 pilares:

  • Everything should be available (online)
  • Online content should be rich
  • Digital content should be context-aware
  • Build a mesh of systems
  • Interfaces should avoid feeling like a database

Estes princípios são realmente importantes (eu diria essenciais) para qualquer instituição, ou associação com caráter museológico ou arquivístico atualmente. Sobre o primeiro, repetindo a ideia—o facto de um artefacto (físico) ter a sua digitalização acessível online não reduz o seu valor ou atratividade. Pelo contrário. E é isto que têm verificado nas visitas ao museu.

O segundo (creio que se prende com o último), é importante para quem desenvolve plataformas ou experiências digitais. As “coisas” devem ser rodeadas de informação rica, prevendo usos ou expectativas dos utilizadores. Deve ter a informação básica (nomes, caraterísticas), mas também uma galeria de imagens, de possuir links, vídeos, permitir interatividade, feedback de utilizadores, etc… A web é um meio multimédia com a capacidade de “aquecer” a experiência de leitura e utilização—vamos usar as suas possibilidades. Não deixem a informação críptica, incompleta, parecendo apenas um “quadro na parede”. Acho que já há muito tempo que os museus aprenderam que têm que ser mais do que espaços onde se depositam artefactos—não são armazéns, nem bases de dados.

A caneta interativa capacitiva/NFC
A caneta interativa capacitiva/NFC

O terceiro é talvez o mais difícil… Mas Sam Brenner mostrou e explicou o funcionamento da caneta que permite estender a experiência da visita. Um dispositivo pessoal, portátil (que funciona com uma caneta capacitivo para os ecrãs táteis e um chip NFC para interatividade near field com as peças) verdadeiramente espetacular. Reportou um uso impressionante dos visitantes do Cooper Hewitt na criação de coleções pessoais, e desenhos e propostas feitos recorrendo a este dispositivo

Por fim, o quarto, e talvez o que me impressionou mais, porque resume o espírito de abertura e iniciativa desta equipa, a criação de uma rede de sistemas. A equipa de Brenner desenvolve e mantém as APIs para interação com a coleção do Museu. Qualquer utilizador pode fazer uso das rotinas para reeinventar / repensar a experiência do museu. E é isto que eu acho impressionante—a visão e capacidade de entender as mais valias e “dar” isto aos utilizadores. O valor acrescido da marca ao permitir que os utilizadores experimentem e usem os seus dados, através dos seus serviços (para não falar nas soluções inovadoras que são desenvolvidas por terceiros). Isto aumenta o valor da Marca e ajuda a criar verdadeiras comunidades em torno do museu. Um investimento que compensa a longo prazo.

Gostava de ver mais instituições portuguesas a seguir este bom exemplo!

Foi um bom primeiro dia. Ainda deu para ver as apresentações do Pedro Beça, do Vasco Branco e do Gonçalo Gomes. Algumas que quero destacar. As minhas notas não me permitem falar mais sobre elas, mas fica só a indicação (da organização) de que os slides de todos ira ser publicados no site da conferência, por isso, vale a pena manter debaixo de olho!

Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Universidade de Aveiro a leccionar Design de Interação

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