Como desenvolver um enquadramento teórico

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The “big context” © Nasa

Nas últimas semanas não tenho tido grande descanso. Entre aulas, trabalhos, apresentações e reuniões, as revisões de documentos acumularam-se.

Alguns, trataram-se (e ainda se tratam—sempre atrasado!) de projetos de dissertação de alunos que estou a acompanhar no Mestrado de Comunicação Multimédia—nesta fase, estão a redigir os índices e enquadramento teórico para apresentar em Janeiro.

Outros de dissertações que me convidaram para arguir. Tanto de projetos práticos, como de estágios e dissertações/investigação em ambiente empresarial aqui no DeCA, na FEUP e na FBAUP. Parece que estes projetos práticos são cada vez mais comuns. E que a investigação e escrita de dissertações é cada vez menos popular—mas ainda assim tive o prazer de arguir um conjunto de provas espetaculares, que também me ensinaram muito! ;)

Por isso, tenho dedicado muito tempo à análise (e reflexão) sobre no que consiste uma boa estrutura de um documento desta natureza. Sobretudo o enquadramento teórico. Tanto em âmbito de investigação “clássica” como no âmbito de o desenvolvimento de um projeto (em estágio, ou contexto empresarial).

Fica aqui um esboço de um modelo de referência para a estrutura de um enquadramento teórico que considero potencialmente completo.

A primeira parte do texto uma tese, monografia ou dissertação (após o front matter e respetiva Introdução) é o Enquadramento Teórico. Deve conter 2 a 3 capítulos (dependendo da profundidade e tema a abordar) que definem o contexto sócio-técnico do estudo (teórico, ou prático). Assim, genericamente, estamos a falar dos seguintes capítulos:

Capítulo 1: Contexto e história do problema a resolver. Ou caraterização do objetivo a atingir. A sua origem, evolução e atualidade. Aqui, devem aparecer dados (estatísticas, notícias, relatos?) que permitam compreender a dimensão e a relevância do problema nas suas dimensões técnicas ou sociais.

Capítulo 2: Teoria ou conceitos associados (assentes no modelo de análise). Devem permitir compreender ou explicar a problemática associada. Ou permitir endereçar ou colocar em prática a ação pretendida no trabalho empírico.

Capítulo 3: Estado da Arte (exemplos de casos documentados, no caso de projetos mais práticos).* Ou estratégias, metodologias, técnicas de desenvolvimento ou de criação (por exemplo UCD, PD, Agile, Usabilidade, Responsive Design,…) que permitem preparar e fundamentar as atividades da parte prática.

No fim do enquadramento deve ser tecida uma síntese final que “cose” tudo e prepara o leitor para a parte empírica do projeto.

Estes capítulos não precisam de ser especificamente três. Podem ser dois. Podem ser quatro. Menos, acho difícil. Mais, acho que não é necessário. E não precisam ser nesta ordem específica. Por exemplo, o contexto pode incluir um breve estado da arte. Ou os próprios conceitos teóricos podem consistir em técnicas de desenvolvimento.

Este estado da arte deve ser entendido (no enquadramento teórico) como:

  • Identificação e levantamento de casos documentados (revisão de literatura);
  • Um estado da arte prático/visual, tal como a abordagem de Visual Research. Deve apresentar levantamento exploratório (assente em critérios já existentes/definidos por outros como prémios, ou listas de organizações). Apresentando os exemplos (visualmente?), identificar as suas caraterísticas (p. ex.: análise SWOT) e resumir como estes exemplos contêm caraterísticas (features, requisitos, atributos) que contribuem para o desenvolvimento do projeto em si.

Não deve ser apenas numa “lista” de casos despejada. E não deve ser confundido com uma análise empírica. Um exemplo de uma forma de conduzir esta pesquisa é a metodologia apresentada no seguinte artigo:

Grady, J. (2008, October 30). Visual Research at the Crossroads. Forum Qualitative Sozialforschung / Forum: Qualitative Social Research. Retrieved from http://www.qualitative-research.net/index.php/fqs/article/view/1173/2618

Se bem que esta técnica aqui descrita, já podia ser parte de desenvolvimento empírico… Pode ser facilmente adaptada para o Design ou Desenvolvimento Digital. Aliás, usámos isto no ano passado na disciplina de Criatividade do mestrado.

Enfim, não é fácil explicar. O objetivo desta estrutura é pensar, ou melhor, apresentar uma espécie de checklist para avaliar o desenvolvimento e leitura do próprio enquadramento.

Em breve (muito em breve, espero) irei publicar mais um conjunto de artigos sobre a estrutura (índice) global do trabalho, sobre a forma como o desenvolver (não concordo, ou não acho que as formas tradicionais dos livros de metodologia estejam adequadas a Bolonha…) e talvez o mais original e importante, uma checklist para a avaliação (arguição) de trabalhos. Esta última acho particularmente útil para os alunos que estão a terminar dissertações, pois fornece uma visão na 3.ª pessoa sobre o próprio trabalho. Irei passar a todos os meus alunos ;)

Como sempre, sintam-se à vontade de comentar aqui ou de me oferecer um café  para sicutir um pouco sobre esta proposta! ;)

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Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Faculdade de Belas Artes Universidade do Porto lecionar Ferramentas Digitais, Web Design, Design de Interação e Creative Coding

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