Avaliar um mestrado ou doutoramento

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Boston Public Library © Sanwal Deen

Já aqui partilhei, há uns tempos, o meu modelo de avaliação de artigos. Desta vez, fica aqui o meu modelo de avaliação de dissertações de mestrado (até hoje). E que espero que venha a evoluir e ser utilizado em breve como a base para o modelo de avaliação de doutoramentos.

Este documento foi desenvolvido para reflexão e orientação pessoal na avaliação de trabalhos, mas partilho-o aqui, hoje, especialmente porque me parece útil que um aluno de mestrado o veja e o use como uma checklist final da própria escrita.

Sem mais demoras, aqui fica o modelo do documento de arguições:

Nome Apelido
Título da Dissertação. Mestrado, Data, Local

Cumprimentos & Agradecimentos
Presidente da Mesa e membros do Júri: Presidente; Orientador; Público. Cumprimentos e desejar as melhores felicidades candidato. Transmitir cumprimentos UA/DECA e breve comentário pessoal (sobre o convite, instituições, ou as pessoas envolvidas).

Resumo
4 Momentos: (1) A apresentação; (2) uma apreciação da monografia/projeto enquanto objeto editorial/produto; seguida de (3) uma apreciação descritiva do documento enquanto dissertação/relatório; passando à (4) discussão dos conteúdos e metodologia. Nesta última fase, posso falar e depois responde, ou podemos entrar em diálogo.

1. Apresentação
Tempo e Dinâmica: usa o tempo na totalidade com ritmo adequado?
Estrutura: Correspondeu ao documento entregue? Mais clara?
Conteúdos: (1) Enquadramento, objetivos e trabalho realizado; (2) Informação adicional extra, ou atualização.* (3) Conclusões e crítica:
Apresentação visual: bem desenhada?

2. Apreciação da monografia (impressa, ou digital), ou projeto (resultado) enquanto objeto editorial impresso, digital, interativo,…
O documento (impresso) é agradável (visual e materialmente), ou a aplicação encontra-se bem desenvolvida (design e usabilidade)?
Está bem desenhado (adequado ao tema tratado, ou para o público a quem se destina?), ou bem implementada (na plataforma, p. ex. responsive, native…)?
O documento digital (monografia): (a) tem o TOC/links necessários e funcionais no PDF para poder navegar facilmente?** (b) é pesquisável / copy-paste? (c) é zoomable? (d) contém tudo (num PDF, secções, ou anexos de forma consultável?)

3. Apreciação descritiva da Monografia (objeto e investigação) e Trabalho Empírico (protótipo/teste)
Fazer um breve resumo do trabalho (interpretação do que foi feito/lido no trabalho, tal e qual a recomendação da revisão de artigos).

3.1 Descritivo em Total Palavras, Gráficos e Tabelas (Dados)

Aqui é relativamente complicado avaliar. No meu mestrado escrevi ~77 000 palavras. Escrevi demais. Na altura, creio que teria sido desejável escrever  ~40 000 palavras.

Hoje, com a entrada de Bolonha, e os mestrados mais curtos considero que o mestrado deva ter entre 15 a 20 000 palavras (aprox. 80 páginas de texto), mais as figuras, gráficos, anexos,… Depende do projeto, claro. Mas, menos do que 15 000 palavras fica meio difícil aprofundar o que quer que seja. Até a Wikipedia tem mais texto em algumas entradas…

[update 1] O Bryman (2012, p. 686) refere uma dimensão entre 10 a 15 000 palavras para uma dissertação… vou ter que rever os meus parâmetros:

It may be that you have to write a dissertation of around 10,000–15,000 words for your degree. How might it be structured?

[update 2] O Gray (2014, p. 686—não estou a brincar… na minha edição digital, aparece nesta página também… coincidência?) apresenta uma tabela interessante sobre a dimensão esperada deste tipo de trabalhos. 10 000 palavras para relatórios ou dissertações de graduação (licenciatura). E de 20 000 palavras para pós graduações (mestrados)

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Tabela de proporção de palavras em trabalhos académicos (Gray, 2014, p. 686)

Afinal, acho que não estava assim tão errado… já não tenho que rever tanto os parâmetros que uso—mas uma abordagem interessante do Gray é a proporção variável para cada secção. Normalmente uso uma abordagem mais aritmética/constante. Vou começar a adotar esta mais proporcional.

Está “ilustrado” de forma e em quantidade adequada com gráficos, figuras e tabelas?

3.2 Total Referências

Aqui, chegar a um número é sempre difícil. Diria mesmo impossível. Claro que um mestrado com 10 referências parece-me pouco. Com 300 parece-me demais. Mas, depende sempre. A análise das referências tem que ser vista em linha com o contexto e natureza do trabalho desenvolvido. Espero que um trabalho mais prático tenha menos. Um mais teórico tenha mais. Mas espero sempre mais do que uma página de referências.

(a) Monografias, Teses, Artigos & Dissertações fundamentais.

Por um lado, estes devem suportar os conceitos basilares e “estabilizados”. São os “ombros dos gigantes”. Por exemplo, falar em HCI e Desenvolvimento de Software sem mostrar conhecimento dos conceitos de Shneiderman, Preece, Cooper, Dix, Rogers, Norman, e Nielsen parece-me errado, ou incompetente. Ou, por exemplo, falar de tipografia e desenho editorial sem falar no Tschischold, Tracy, Bringhurst, Zapaterra, Baines, Haslam… ou ainda em Legibilidade e falhar o Tinker, Dyson, Larson, Beier, Bessemens… Enfim, estão ver, certo? Muitas vezes são antigas. Mas é essa a questão—pertinência e autoridade. Conceitos fundamentais que se mantêm até hoje. Por outro lado, as dissertações, teses e artigos fornecem o tão necessário estado da arte e critical review da literatura. A parte da atualização e de síntese de referências/confirmação das “autoridades” nas diferentes matérias.

(b) Atualização: Referências Web (notícias, conferências,…) e Dados (Nacionais p. ex. Pordata, e internacionais p. ex. ComScore,…)

Qualquer trabalho que parta de um pressuposto ou afirmação de uma condição deve apresentar dados que o suportem. Claro, pode parecer óbvio, mas nem sempre o é. Por exemplo, na última aula de Media Participativos que dei no doutoramento (página web do ICPD e Facebook de MP), falava-se do consumo de televisão. É fácil afirmar que as gerações mais novas (milenials) veem menos televisão (direto, ou VOD). Claaaaro! Mas, os dados da ComScore mostram outra coisa. Sim, hoje eles veem menos. Mas, hoje, também, vê-se mais televisão. Como?!… é aqui que os dados nos permitem entender as nuances. No exemplo anterior dos milenials, temos que entender que eles usam os dispositivos móveis e as plataformas digitais para consumo e descoberta, mas que continuam ou acabam por ver (stream, VOD) na televisão (para seguir as tendências sociais do grupo onde se inserem—é uma experiência social também). O crescimento do visionamento diário (desktop) também foi de aprox. 2% (passando das 5,5 para as 6 horas diárias), o que também contribui para compreender (e explicar!) melhor isto e evitar debitar factóides confusos, sensacionalistas e irresponsáveis no estudo.

(c) Conceitos, Técnicas (Design & Development) atuais e pertinentes

As monografias, teses e artigos devem dar isto de uma forma global. Aqui, especificamente, procuro livros técnicos (p. ex.: O’Reilly) com questões específicas, ou as práticas mais atuais que sustentem a fundamentação das opções da prática. Pode mesmo aparecer um ou outro manual (p. ex.: Adobe Classroom in a Book).

(d) Metodologias de Investigação e Desenvolvimento principais

Normalmente, um trabalho de investigação recorre a várias metodologias. A começar pela própria aprendizagem do processo de investigação científica e académica. Qual é a linha? Pessoalmente comecei com o Creswell, Bolker, Quivy, Eco,…. Hoje identifico-me mais com a Coutinho, Gray, Bryman, Silverman… enfim. A cada um o seu. Para além de avaliar a abordagem efetuada (nos conteúdos e descrições), é importante perceber se o trabalho se apoia numa estrutura metodológica específica.

Até porque, durante o processo, há várias técnicas ou métodos colocados em prática. Desde a revisão de literatura (Sistemática, integradora,…?). a questionários exploratórios (presenciais, online, estruturados, semi-estruturados,…), análise de conteúdo, análise estatística, testes de usabilidade, avaliação de experiência de utilizador,… enfim. Todos estes métodos são explicados por vários autores. Afinal de contas ninguém aprende sozinho, certo? Mas já fiz um artigo sobre os que recomendo para este trabalho de iniciação à investigação.

(e) Fontes Internacionais, Nacionais e “Escola”

Procura-se sempre ver se usam as referências internacionais, mas também as nacionais mais apropriadas. Quem são as autoridades lá fora? E cá dentro? Quem são as Universidades Centros de Investigação e Investigadores mais importantes?

O que nos trás à questão da Escola. Normalmente dou muito valor a esta coisa de “fazer escola”. Isto é, antigamente, referia-me a isto como sendo importante mostrar que se está em linha com o trabalho desenvolvido previamente na nossa instituição. Como que “subir para os ombros dos gigantes” de quem fez os artigos, mestrados e doutoramentos antes de nós. E, neste sentido, qual bons alunos, mostrar que “jogamos em equipa”.

Mas, outro dia, a Prof.ª Lídia usou um argumento para isto que, para além de complementar o ponto de vista, me deixou totalmente estarrecido pela sua simplicidade e irredutibilidade. Não o consigo reconstituir de cor, mas era qualquer coisa como: mais do que “fazer escola”, apresentar uma revisão dos artigos, teses e dissertações dos alunos, professores e investigadores da instituição é uma forma de: (1) mostrar competências de investigação; e (2) conhecimento do contexto.

Numa prova recente, o orientador não entendeu este ponto de vista. Creio que pensou que seria uma estratégia forçada de gerar citações. De “dar graxa” aos orientadores (até me pareceu ofendido pela coisa). Acho que não compreendeu… Ninguém está a pedir citações da treta! Nem sequer estou a pedir para me citarem pessoalmente. Citem quem percebe mais da coisa—sou o primeiro a dar créditos a quem merece! De preferência, na própria instituição, no país, ou no mundo. Mas acima de tudo, pesquisem e usem os trabalhos já feitos… (quem diz da investigação, diz isto também para o Estado da Arte!) Pessoalmente, não quero estar sempre a corrigir as coisas que são fáceis de perceber depois de ler os trabalhos que fiz, que li, ou que recomendo… para quê perder tempo com mais do mesmo? Afinal de contas já perdi, ou melhor, já investi esse tempo a pesquisar e redigir coisas que podem ser lidas. Se tenho que explicar TODAS as vezes… bom… é para isso que aqui estou a escrever isto, certo?

De volta à questão de “fazer Escola”. Esta pesquisa, leitura e citação permite, como é óbvio, acelerar o desenvolvimento do enquadramento teórico na definição de conceitos (escusamos de estar sempre todos a ler as mesmas coisa e a inventar perpetuamente a roda!). Se, por um lado é importante ler as referências fundamentais em primeira mão, por outro, não mostrarmos esta revisão de trabalhos que já as sintetizaram (nem que seja para provar que os trabalhos anteriores nada têm que ver com o nosso), é correr o risco de passarmos por incompetentes—há, de certeza, muito trabalho dos nossos colegas feito na área (se não houver, pode querer dizer que a instituição ou grau é novo, ou que estão no departamento errado!). Mas, o mais provável, significa que somos incompetentes nesta pesquisa (procurem noutras instituições, noutros países—já foi feito, acreditem!).

Ou então, é uma ideia completamente original. Admito que exista esta possibilidade. Ei, eu continuo a a jogar no Euromilhões e acredito que um dia vou ganhar. Por isso, porque não? Se acreditam que este é o vosso caso, saiam já do curso, patenteiem a coisa e montem um negócio! Acabaram de descobrir a próxima Apple, Facebook, Lego, ou McDonalds e vão ficar milionários. A sério, desistam e persigam esse sonho, só estão a perder o vosso tempo, e a fazer perder o nosso. Não queremos empatar ninguém! E não vou ser eu a convencer-vos do contrário. Deixo essa tarefa para o mundo… (e se o vosso produto for mesmo fixe, eu vou ser o primeiro a comprar. Sem ressabiar, acreditem!)

Esta ausência de revisão dos pares é relativamente recorrente. Os alunos fazem um levantamento “parco” e raramente usam as teses anteriores para: a) usar conceitos já desenvolvidos e aprofundar os que interessam (acabam por repetir o mesmo de sempre); b) identificar bibliografia que ainda não tenham visto (para saber quais as obras e autores de referência mais importantes).

O mais grave até é quando o próprio orientador (ou colegas como os professores mais conceituados) têm trabalho feito na área que eles não aproveitam…Por isso, mais do que dar graxa (porque se nota quando o fazem!) mostra que a escolha do orientador até foi bem feita (estão a trabalhar com alguém que realmente percebe, ou já fez alguma coisa na área), que contribui para o vosso trabalho. E que, o trabalho em causa, contribui para a linha de investigação/instituição/equipa de uma forma geral.

Enfim, voltando à questão de “quantas”. Se, como já disse antes, num trabalho desta natureza pode ser dividido em 2, ou 3 conceitos e respetivos capítulos do enquadramento. Podemos estimar a utilização de 2 ou 3 referências por conceito, técnica, método, dados… etc. Assim, é fácil estimar que um trabalho desta natureza possua cerca de 39 referências.

Este ano, estive em algumas provas em que apresentaram uma secção de referências completa e menos completa. Para ser mais concreto, secções com: 19, 23 e 34 (FBAUP); 34,  e 10 (DeCA); e 46 (FEUP). Para ser sincero, nos que apresentaram 23 e 34 achei suficiente e adequado. Claro, com os comentários da praxe, em que numa faltavam artigos e na outra atualização. Mas ainda assim, muito aceitáveis.

No ano passado, tenho dados de arguições e provas com: 51, 9, 41 mas com falta de artigos, 15 em que faltam referências fundamentais, 6, e 9 (FBAUP), 41, 34 em que achei poucas para o trabalho que fizeram  em ambas de uma forma geral (DLC); 56, 15 com uma falta de artigos e de atualização geral (DeCA); 50, 35 em que falta o contexto académico (FEUP). Novamente para as que apresentaram referências acima das 40 achei adequadas.

Só por curiosidade, fui ver o meu mestrado… e… freak! Tenho cerca de 170 listadas e organizadas por tipologia. Na altura deve ter sido recomendação da Dr.ª Isabel Barroso da biblioteca que me ajudou a verifica e normalizar o documento corretamente pela NP405. Não tenho a menor dúvida de que está bem feito!. Mas, atualmente não recomendo fazer isto desta forma. Nem neste número, nem nesta divisão (nem eu, nem a APA!). Até porque no texto, o leitor não sabe de que tipo de referência se trata. Apenas um nome que tem que procurar de forma alfabética.

Pelo que, voltando à questão do número de referências, assim de repente (considerando, tal como com o número de palavras) sinto-me tentado a dizer que para ter uma secção de referências completa, um mínimo expectável para um trabalho de mestrado será entre 40 a 50 referências.

[update 22 janeiro]

Aqui, se ainda não o fiz de forma clara, é importante frisar um aspeto fundamental deste guião de avaliação. Este modelo não é uma estrutura “binária” de avaliação. Isto é, não chega que o aluno “cumpra” estes requisitos. Tem? Sim. Então pronto. 20!… Não é bem assim… Aliás, não é nada assim. Não basta fazer name dropping. “Despejar” uma referência internacional e já está. Ou debitar uma autoridade e pronto, já mostrou que sabe… É preciso que a referência seja pertinente. Pertinente no contexto, para a discussão concetual, para o argumento pessoal, … Ou seja, é preciso que tenha as referências variadas para a fundamentação e discussão. E, acima de tudo, que estas referências sejam de elevada qualidade e articuladas de forma correta e oportuna no texto. É isto que faz uma boa redação e uso de referências.

3.3 Estrutura:

  • Rever o Título—resume o trabalho?
  • Rever o Resumo (segundo Correia & Mesquita);
  • Rever as Palavras-chave (acrescentam ao título, resumem o resumo, específicas ou focam as principais dimensões?);
  • Rever o Índice (deverá chamar-se Sumário) na estrutura (Introdução e Conclusão, ou Considerações Finais se for mais exploratório ou projetual) Partes, Capítulos e Secções (Enquadramento, Trabalho Empírico). Tem numeração correta. Está estrutural e visualmente bem construído (indentação, leaders e numeração das páginas)? Tem links para os capítulos?
  • Tem Listas de Acrónimos e de Siglas. Precisa delas? E listas (índices) de Figuras, Gráficos e Tabelas?
  • Introdução: apresenta o contexto, temas e conceitos de forma breve e organizada. Aborda a metodologia e resume a estrutura da dissertação convenientemente?
  • Os Capítulos numerados ou organizados de forma lógica?
    • O Enquadramento reflete a estrutura em “3 atos”? (Mais sobre esta estrutura no artigo anterior a este).
      • Contexto histórico, ou social que é explicado por, ou é necessário compreender;
      • Conceitos teóricos, ou fundamentais (modelo de análise) e pode ser resolvido ou colocado em prática por
      • Técnicas, ou tecnologias de suporte ou desenvolvimento. No caso de projetos práticos, acrescentar ou trocar por levantamento do estado da arte. Deve existir na mesma técnicas, conceitos, mas talvez apenas em dois capítulos?
    • Trabalho Empírico bem estruturado:
      • Metodologia detalhada (Research Design, Calendário/Fases, Participantes, Métodos/Instrumentos,…)
      • Operacionalização, Produção, ou Recolha de dados
      • Análise e discussão
  • Redação (qualidade textual do texto é boa—escrita isenta, afirmativa, direta, eficiente, com o grau de redundância e coerência de termos adequada). Apresenta Sínteses integradoras (capacidade de resumir e interligar conceitos), ou análises críticas no final das partes, ou capítulos?

[update 22 janeiro]

Novamente, tal como nas referências, este — a qualidade textual da redação — é um aspeto fundamental de uma dissertação ou tese. Reparei que este tópico, nesta lista, parece muito pequenino. Passa quase despercebido. Mas é inversamente proporcional à sua importância. A estrutura do texto, as referências e a qualidade do trabalho podem ser ótimas. Mas se a qualidade da redação não estiver à altura, pode estragar toda a prova. O discurso, na forma de redação, é efetivamente o registo explícito do raciocínio, do argumento, da forma dos dados que se quer comunicar. Introduções mal efetuadas, afirmações e argumentos mal formulados, ou mal sustentados, falta de capacidade de sintetizar os conceitos destoem a coisa… E isto, normalmente, vê-se logo no resumo. Por isso, muita atenção a este tópico. A qualidade da redação é paramount.

  • Paginação e apresentação (qualidade visual)
    • Cabeçalhos e Rodapés informativos adequados e não intrusivos?
    • Formatação do corpo de texto e hierarquia tipográfica (segue a recomendação das normas? P. ex. da APA 6ed.);
    • As tabelas, figuras e gráficos são bem utilizados e referidos no corpo do texto. Os seus títulos, legendas e “chaves” estão bem apresentados? Referem as fontes de onde foram retirados ou adaptados? Os gráficos têm leitura? Mostram os valores?
    • Numeração de páginas (os paratextos, antetextos, ou frontmatter começam em numeração romana e o texto, ou introdução arranca na página 1 em numeração árabe?)
    • Ilustrado devidamente (fotografias e gráficos)
    • Utilização correta de páginas em branco (sem identificação/numeração) e quebras de página e de secção;
    • Paginação simétrica, ou assimétrica: atenção à composição da página par e ímpar (inícios de secções ou capítulos)
    • Justificação e Hifenização (atenção que a APA recomenda não hifenizar…)
  • Referências e citações bem efetuadas pelas normas (ou pelo menos, sempre de forma coerente)
    • Separação “trigo do joio” (Bibliografia importante para final vs. referências pontuais de Rodapé)**
    • Datas de consulta e links
    • Citações diretas (evitar demasia, traduzir língua no corpo* ou em rodapé)
    • Descoberta e consulta de fontes de 1.ª e de 2ª mão (equilíbrio de confirmações e créditos necessários)***

4. Discussão dos conteúdos e metodologia

(aqui é mais uma checklist para a discussão dos conteúdos em formato pergunta-resposta, ou diálogo)

4.1 Objetivos e resultados
Contexto, pertinência, ou relevância do trabalho (contexto institucional, académico, científico, nacional, ou internacional);
Objetivos, perguntas e hipóteses para a investigação (contributos de investigação relevantes para o contexto);
Resultados e conclusões (a metodologia deve apresentar resultados que suportem as afirmações das conclusões/verificação das hipóteses)

Perguntas: …

4.2 Estrutura e profundidade (conceitos e dados) da dissertação
Abordagem compreensiva das várias dimensões envolvidas?
Apresenta factos e dados que sustentem os argumentos ou o contexto apresentado? Ou ilustrações que “mostrem”?
Cruza os dados com mais do que uma referência ou opinião? Isto é, apresenta vários pontos de vista? Faz a respetiva análise, ou reflexão SWOT, trade-offs, etc.?
Descrição e explicação em profundidade / complexidade adequada;
Apresenta o posicionamento do investigador de forma clara? P. ex.: sintetiza definições operacionais a partir da literatura?

Perguntas: …

4.3 Metodologia e Atividades Práticas
Explica a metodologia geral (na introdução), detalhando a abordagem (Qual., Quant., ou Mist.). O principal Research Design e a respetiva metodologia do trabalho (empírico) nas Fases (cronograma com tarefas, instrumentos, tempo, recursos, investigadores ou participantes envolvidos,…). Apresenta e descreve instrumentos e técnicas, o universo, sujeitos e amostragem. Apresenta os resultados de forma clara (p. ex. sínteses, tabelas) e compreensiva (p. ex. datasets em anexo)?
Qualidade dos resultados práticos (desenhos, soluções de software,…)

Destacar aspetos positivos: …

Destacar aspetos a corrigir: …

Perguntas: …

4.4 Conclusão

Revisita o trabalho todo (incluindo os objetivos, perguntas, hipóteses, resultados)?
Sustentada nos métodos e resultados obtidos—sólida?
Análise (auto) crítica?
Apresenta e “vende” bem as principais contribuições do estudo? Se for necessário, foi montada uma plataforma adequada (website?) para promover bem estes resultados e criações?

Numa prova recente usei este termo numa pergunta—”que valor estima ou atribui ao seu trabalho?”— num contexto de perceber e valorizar o investimento que foi feito. Novamente, o orientador (diferente do que já foi mencionado) entendeu mal. Defendendo que o trabalho vale por si e que a dissertação é mérito e resultado suficiente. Pois, não discordo nada. As coisas não precisam de se vender (literalmente). E o grau é valor suficiente (neste caso estávamos a discutir um trabalho excelente!). E foi precisamente por isso que destaquei o valor do investimento—ficar na estante não dignifica nada o trabalho que foi feito. Tem que ser vendido melhor do que ficar num repositório digital. Do que ficar esquecido, e nem os colegas ou alunos o utilizarem (neste caso era um trabalho prático). Ou pior, os colegas dos anos seguintes no mestrado não o usarem, nem citarem…  Por isso, acho que, sempre que se justificar, tem que se disseminar melhor os trabalhos (e não é recado nenhum para ninguém—também me incluo neste grupo de pessoas que tem que aprender a fazer isto!). Para além do momento de defesa. Para além da prateleira. Para além de um DOI num repositório obscuro…

Perguntas: …

4.5 Referências e citações (correções, sugestões?)
A citações diretas foram bem feitas e em quantidade apropriada?
Parafraseia (e credita a fonte) corretamente? Há um equilíbrio de citações de 1.ª e 2.ª mão?
Foi declarada a norma utilizada?
É coerente em todo o documento, ou segue as normas vigentes?
As referências “menores” (p. ex.: artigos de opinião, dados pontuais, ou informação técnica consultada em sites) remetida para as respetivas notas de rodapé e fora da secção bibliográfica “maior”?
Tratam todas por igual e por ordem alfabética (Não separar em Bibliografia e a “malfadada” Webgrafia… ou são referências, ou não são.)
Tem referências que não são citadas no texto? Ou que aparecem no texto, mas não aqui?

4.6 Revisão de texto, redação e paginação (Secção a secção)
Termos (Acrónimos—apresenta por extenso, seguido da respetiva sigla?)**
Anglicismos e estrangeirismos (usa corretamente o itálico?)
Português: voz ativa/passiva; verbos no tempo correto. Frases curtas e afirmativas. Uso correto de parágrafos.
Gralhas, omissões e retificações: …

4.7 Anexos
Em quantidade e organização adequada para a compreensão dos dados (sínteses, resumos) apresentados no corpo da dissertação (p. ex.: entrevistas, ou dados de inquéritos?)

Comentários Finais
Fechar com um comentário final de remate, descritivo e realista sobre o trabalho feito
Manter o tom positivo e construtivo, valorizando os aspetos fulcrais do trabalho (volume/ complexidade), dedicação e esforço e do contexto (integração num projeto/equipa de investigação e desenvolvimento real, ou distribuição/publicação do trabalho “lá fora”).

* Normalmente dou muito valor a todo o tipo de dados mais atualizados que sejam apresentados durante a prova. É esperado que, entre entregar a versão final e a defesa, trabalhem em Posters, Artigos e Comunicações do trabalho feito. Acrescentem features, concorram a prémios… Demonstrem que não estiveram parados.

** Créditos ao Prof. Dr. Miguel Carvalhais por insistir nestas verificações (nas provas em que ele faz a arguição).

*** Créditos à Prof. Dr.ª Rita Santos, idem.

Apropriei-me destas abordagens de colegas e amigos de forma totalmente descarada! ;)

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Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Universidade de Aveiro a leccionar Design de Interação

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