Thoughts on Play after Roger Tavares

2017-01-13-11-52-20-edit
Roger Tavares, Anfiteatro João Branco, DeCA

Depois de uma sessão muito interessante de apresentações dos alunos de ICPD, na UC de Media Participativos, descemos e fomos à conferência de Roger[io] Tavares (como anunciado).

Quando cheguei, já tinha começado. Roger estava a falar dos perfis de jogadores e a forma que cada um obtem a motivação: O prazer e o estado de fluxo, ou experiência ótima (de Csíkszentmihályi). Passou disso para a explicação dos 8 tipos de perfis de jogador como enunciado por Stuart Brown:

  • Brincalhão;
  • Cinestésico;
  • Explorador. Aqui deu o exemplo do o exemplo do capuchinho vermelho no jogo “The Path”;
  • Competidor;
  • Diretor;
  • Colecionador. No brasil eles usam o termo de “desplatinizar” “platinar” o jogo — completar todos os achievements (platina);
  • Artista / Criador. Este procura um estado constante de Emergent Game Play;
  • Contador de Histórias. Estes não têm experiências quotidianas. Têm aventuras épicas narrativas. Conheço bem alguns…

Depois fez um “intervalo” para passar à Semiótica Peirciana

Só há 3 realidades… O possível, o que acontece e o que resultou.

Todos os signos são o resultado de uma relação triádica: o objeto; o signo; e o interpretante. E, cada um destes elementos da relação subdivide-se noutras 3 componentes. E por aí fora, sempre numa relação triádica,  dinâmica, progressiva, fractal. Que, num extremo, leva à Semiose.

Esquema de 9 triângulos. Sempre em relação de 3. O Interpretante imediato (do signo), o Dinâmico e o Final. E deu especial ênfase ao Interpretante dinâmico. Este, tal como abordado, resulta de 3 signos possíveis: O Emocional, o Energético e o Lógico. Compreender estes tipos de signo, permite alcançar o Interpretante Final. Quando a combinação destes 3 provocam um resultado esperado.

Mas isto ficou complexo. Rapidamente. Demasiado. Correspondeu totalmente à minha experiência no mestrado. É uma área complexa. Mas Roger fez um bom trabalho em explicar a relação hierárquica de forma bastante acessível e exemplificada. Deixou-nos o link para o seu Research Gate onde explica podemos consultar o seu artigo com esta explicação e a relação com os perfis de gamer, ou melhor, play personalities.

Numa pesquisa rápida (porque estava com uma certa dificuldade em acompanhar o ritmo da semiose) apanhei esta página de Stanford que explica isto de forma relativamente sintética: https://plato.stanford.edu/entries/peirce-semiotics/

Roger fez a ligação entre cada perfil. E admitiu que o 8.º, o Contador de histórias é o perfil mais complicado. Isto porque Brown coloca no mesmo saco o que quer ler e o que quer contar. O que quer seguir a narrativa, ou o quer criar a narrativa. E isto é um problema, porque “a pessoa que gosta muito de comer, não se transforma necessariamente num cozinheiro”.

Concluindo, sem estragar o artigo, Roger fecha explicando que a 4 primeira categorias de Brown são fáceis de encaixar na Semiótica Peirciana. Os 4 últimos e, especificamente o último é muito difícil de encaixar e precisa de ser explorada em trabalhos futuros. Até porque a cultura modifica-se, evolui. Nomeadamente nas questões de literacia digital, ferramentas de criação e plataformas publicação. Mas, de qualquer forma, Roger fez a ressalva que está a usar “estas” play personalities específicas de Brown. Podemos e devemos pegar e explorar outras abordagens. E, quanto mais abrangentes e agregadoras melhor. Isto é, quanto mais holística e menos específica for a abordagem de análise da experiência do jogo e da respetiva forma de compreender o perfil dos jogadores, melhor.

Uma das conclusões de que gostei de ver também foi a aplicabilidade a estilos de aprendizagem em estudos de Game Based Learning (GBL) . Pessoalmente, estive o tempo todo a fazer o paralelo com o meu doutoramento, onde o perfil dos participantes em comunidades online assume diferentes comportamentos conforme o uso, expectativas e motivações de cada um—estou a referir-me à adaptação da Pirâmide de Necessidades de Maslow.

P.S.: Adorei ver uma apresentação académica em que o orador dava exemplo de jogos que eu próprio adoro (deveria dizer adorava?) jogar.

P.S.1: A Liliana C. levanta uma questão muito pertinente no fim sobre a abordagem mais apropriada hoje em dia: devemos olhar para um jogo sob a ótica da tipologia de um jogador, ou sob a experiência de jogo—nomeadamente os jogos que, p. ex. como o Half Life, Bio Shock ou o recente Final Fantasy proporcionam dentro do jogo quase todas as tipologias/perfis de jogo. Roger é a favor destas abordagens e estilos. Como disse antes, as abordagens mais gerais e agregadoras são mais interessantes.

P.S.2: Sobre a Gamification e a Aprendizagem… ele deu um exemplos/usou uma expressão que dá que pensar: “alguém conhece algum jogo de jeito que dê os parabens?” Pois.

Advertisements

Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Faculdade de Belas Artes Universidade do Porto lecionar Ferramentas Digitais, Web Design, Design de Interação e Creative Coding

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s