Currículo, portfólio, formação e atividades extra-curriculares

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Photo by Thought Catalog

Nos últimos dias de um julho repleto de avaliações, arguições, revisões de artigos, viagens e comunicações e preparação de um novo ano letivo (e julho ainda não acabou!), chegou finalmente a altura de fazer seriações de candidaturas para cursos (de mestrado, neste caso).

Às vezes aparecem candidatos muito fortes academicamente, porque o percurso mostra uma formação muito competente na área pretendida. Outros mais fortes a nível profissional, porque já trabalham na área há muito tempo, ou já forma reconhecidos com prémios e distinções.

Normalmente ter uma boa nota de curso é meio caminho para uma boa avaliação. Talvez mais do que a experiência profissional. Mas nem sempre (depende do caso). Às vezes, o que equilibra é o trabalho. Por exemplo um portfólio bem organizado e bem desenhado, nem que seja um Behance completo. Mas, em muitos casos que tenho visto, o fator de distinção são as formações e atividades adicionais.

Estou a usar o exemplo de uma seriação para um curso, mas podia ser uma entrevista para uma bolsa de emprego, onde também já tive oportunidade de verificar isto.

Às vezes, a confiança estabelece-se quando se verifica que os candidatos são proativos na sua própria formação: procuram, ou procuraram formação complementar como workshops na área pretendida? Desenvolvem atividades ou participam em iniciativas de caráter associativo ou voluntário?

No caso de estudantes (estamos na 3ª fase, onde se candidatam maioritariamente os alunos que terminaram as licenciaturas agora), isto é, ou pode ser determinante.

Normalmente, quem termina um ciclo de estudos de 3 ou 4 anos (quem o fez direto),  não teve muito tempo ou oportunidade para trabalhar. Mas aqui é que entra o argumento: Frequentaram workshops extra? Participaram em concursos? Foram ativos na associação de estudantes (ou outra associação/voluntariado?) Participaram em eventos de caráter académico ou científico?

Não é necessário escrever já artigos (embora isso ajude IMENSO no caso da componente de avaliação científica dos concursos de mestrados ou bolsa científicas), mas mostrar que têm interesse em envolver-se na organização de conferências (p. ex. o ENED) revela muito sobre o caráter, ambição e capacidade de organização/trabalho dos candidatos. Isto, por sua vez, dá alguma confiança que serão alunos que irão cumprir os objetivos pretendidos com sucesso e autonomia (que é o que se pretende!).

Afinal de contas, o currículo não se faz só de notas. É necessário ser bom (trabalhar para uma formação completa, com bons resultados), mas às vezes a média final não é o fator decisivo.

Fica aqui o recado (passo a vida a dizer aos alunos, e a repetir para mim mesmo como um mantra!): enquanto aprendizes e potenciais candidatos para futuras oportunidades de emprego ou formação, é preciso envolvermo-nos constantemente em atividades relevantes extra, que puxem por nós, como a participação em workshops e conferências; Enviar o trabalho para concursos; Organizar e lecionar workshops ou mesmo realizar atividades voluntárias; Ter um site ou portfólio organizado.

E, acima de tudo, para quem quer seguir uma formação mais completa é essencial desde cedo começar a participar em eventos académicos/científicos. São linhas no currículo preciosas e que não implicam um investimento assim tão grande. Às vezes basta terminar um trabalho académico e trocar um dos dias do bilhete dos festivais de verão por uma inscrição numa conferência… são baratas para alunos. Ah… e assistir a concertos em festivais de verão não conta para o currículo… ainda…

Enfim, neste mundo atual tão incerto nunca se sabe quando vai surgir a próxima oportunidade de trabalho ou estudo (financiado!) —muitas vezes é dentro da própria academia— e é preciso ter um currículo equilibrado!

 

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Author: Pedro Amado

Pedro Amado holds a PhD in Sciences and Technologies of Communication from the University of Aveiro (2014), a MFA in Multimedia (2007) and a degree in Communication Design from the University of Porto (2002). He is currently a colaborator of the i2ADS Research Group and ATypI board member and country delegate. He focuses his research and development activities on Interaction Design, Online Communities and Web Design, Editorial Design, Branding and Typography, Type Design and Letterpress.

2 thoughts on “Currículo, portfólio, formação e atividades extra-curriculares”

  1. Paradoxalmente, as aprendizagens de que fala, as tais que, pelo seu caráter estruturante permitem enriquecer os currículos e afastá-los do mero formalismo dos cálculos, não dispensam o que a nossa (exigente e tecnocrática) sociedade considera “acessório”. A verdade é que faz falta uma formação humanista e artística, assente em valores de excelência, rigor e cooperação capaz de tornar os candidatos a mestrado em cidadãos ativos, comprometidos com o futuro e abertos à mudança. Só assim a necessidade de fazer mais e melhor, por uma questão de auto aperfeiçoamento, poderá conduzir a uma valorização do currículo, mas sobretudo a um enriquecimento pessoal.

    1. Pois é Idalina. Concordo completamente. Faço aqui um mea culpa, pois deixo-me levar demasiadas vezes pela “prisão fácil” dos números e obtenção dos resultados atempadamente (mesmo que raramente consiga cumprir prazos!). Neste último ano tenho-me debatido muito sobre a questão da qualidade artística e a sua avaliação. Não é fácil. Não tenho resposta/solução ideal. Sei que tenho para mim tenta alcançar este enriquecimento que estou a pregar… e também tenho testemunhado casos exemplares ;)

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