On web design trends & aesthetics

“I would rather have bad design on the Internet than just one kind of design!”Suleman, 2018

Já há um par de anos que me debato com este problema. As opções. Normalmente é uma pergunta que surge no âmbito da tipografia—porquê desenhar mais fontes?—mas que tem sido aplicado ao Webdesign—porque não usar apenas um bootstrap?—e ao design editorial (nos últimos meses).

Estou a trabalhar com um par de alunos de mestrado (MDI e MDGPE) em diferentes vertentes deste tema. Já era um tema que trazia da UA. Desta feita aplicado ao Design Gráfico e à história, bem como à componente editorial (impressa e digital).

Normalmente o recuo no tempo é enorme (nos movimentos). E vai tudo parar ao William Morris. Até aqui podia estar tudo bem, mas o problema é que é muito difícil falar ou pensar sobre os últimos 20 anos no design editorial. Parece que as “escolas”ou movimentos pararam no pós-modernismo. Cabe tudo dentro deste saco…

Na história das tendências e movimentos é muito complicado encontrar referências ou atitudes críticas em relação às últimas tendências. A materialidade digital e o brutalismo raramente aparecem —apesar de à prevalência e ubiquidade destas duas ser impossível de fugir… E a sua influência é mais do que óbvia. Porque não está documentada?

Há uma série de websites e recursos que tenho vindo a colecionar onde se lista as tendências de ano para ano, como os da Creative Bloq, ou timelines visuais. Mas o recurso mais completo que encontrei até hoje é o do John (?) do Social Design Notes. Super completo — pois apresenta movimentos, e tendências sob a forma de manifestos de Design (de todas as áreas). Ainda assim, só lista manifestos até 2009 (há quase 10 anos!).

O que é que se passa nesta época do século XXI que, apesar dos mandamentos do skeumorfirsmo, flat, ultra-flat + tiles, glass, e finalmente [digital] material design das aplicações digitais (protagonizado pelos 3 gigantes dos sistemas operativos), não temos uma linguagem visual assumida, clara e fácil de identificar no design editorial? Eu percebo que nos sistemas digitais, desde o aparecimento do iPhone que a velocidade de desenvolvimento de novos padrões (user interface guidelines) se tenha vindo a desenvolver [evoluir] a um ritmo demasiado rápido (o ciclo é de cerca de 18 meses) para se conseguir acompanhar ou sequer pensar no assunto. Mas, no meio disto tudo há princípios que se podem manter e outros que se podem extrapolar (do digital para o impresso e vice-versa). Afinal de contas, o iPad (uma das principais plataformas editoriais digitais) está cá há quase 10 anos. Está na altura de olharmos para as opções? Temos que fazer as coisas feias só porque estão na moda?

Isto faz-me lembrar o célebre sketch do Bruno Aleixo e do Nuno Markl: Podes escolher entre arroz de tomate com douradinhos; ou uma lista de 50 pratos em que um deles é cocó. Parece que nos últimos tempos somos o Markl… Não temos sorte nenhuma. O brutalismo (ainda por cima o mau brutalismo, como se tivesse existido um bom brutalismo na arquitetura?) continua a imperar no design gráfico e (muito pior!) parece ter permeado para uma série de design de livros e de revistas (com muitas e boas exceções*, claro—dou graças que a Wired ainda continua com uma linha dicotómica entre o clássica e o experimental muito coerente.)

Ainda assim, creio que já se começa a ver um vislumbre do final desta época onde o “feio é o novo preto”. Talvez 2019 veja o retomar de um design mais funcionalista e visualmente apelativo…

Por aqui, continuo a dedicar algum tempo a este assunto. Quem sabe, num futuro próximo (os alunos, ou eu) poderemos dar um contributo mais interessante do que um simples devaneio no blog.

*P.S.: Ir às bancas hoje em dia é uma tortura. Por um lado há muita coisa feia. Mas, por outro, é uma tortura porque parece que há mais e melhores revistas do que nunca (bom… sobre… nada em particular, tudo variantes do lifestyle da Monocle, mas ainda assim), montes de variedade de papel, formatos, ilustração, fotografia… enfim. É aqui que digo que “More is more” ;)

 

Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Faculdade de Belas Artes Universidade do Porto lecionar Ferramentas Digitais, Web Design, Design de Interação e Creative Coding

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s