Estrutura de uma dissertação, relatório de mestrado ou tese de doutoramento

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Ainda na senda do acompanhamento e finalização dos trabalhos de mestrado, aqui fica uma estrutura (para um futuro modelo que está a ser construído e atualizado neste próprio post) de um documento de dissertação, relatório ou tese académica. É uma estrutura compilada a partir de várias fontes (como os dois principais livros de metodologia  que recomendo, da orientação do meu doutoramento pela Prof. Ana Veloso, e dos modelos existentes, p. ex. o modelo de dissertação do Multimédia da FEUP do Prof. Rui Rodrigues) e pretende ser um guia para usar e adaptar conforme a profundidade e aplicabilidade aos diferentes trabalhos.

Por exemplo, os casos mais paradigmáticos são:

  • a diferença entre uma dissertação e um relatório de projeto;
  • e entre os anteirores e um relatório de estágio.

No caso de uma dissertação é esperada uma estrutura com maior profundidade no enquadramento teórico (dois, três capítulos ou mais?). A descrição do trabalho empírico pode ser de natureza menos operacional (produção) e mais intelectual (social). Num (relatório de) projeto, um ou dois capítulos de enquadramento costumam ser suficientes.

Na dissertação, com ou sem trabalho empírico, é mesmo necessário pormenorizar a metodologia. Num relatório de projeto, a metodologia pode ser facilmente descrita de forma sucinta na introdução, se o trabalho não for muito complexo. Se for um projeto de mestrado / investigação a sério, deve ter uma secção de metodologia descrevendo as fases e instrumentos.

Esta é uma opinião muito pessoal, pois já tenho discutido isto com alguns colegas e amigos. Acho que há um espaço para tudo. Mas, pessoalmente, não entendo bem a diferença entre as modalidades de Dissertação e Projeto. Até mesmo um mestrado em Lógica (p. ex.) precisa de metodologia e demonstração… e parece-me difícil encontrar um trabalho mais teórico que este… Mas enfim… já estou a divagar. No âmbito do entendimento geral dos mestrados de Bolonha, se for apenas um daqueles mestrados de “fazer uma cena e chamar-lhe projeto”, também não vejo a pertinência de incluir uma metodologia. Fez-se assim. Pensou-se no assunto? Não sei… interessa? Pois… é para isso que serve a nota final ;) Acho que o truque para perceber o interesse do mestrado será tentar responder aos pontos 4 e 5 do resumo: quais os principais resultados e como isto contribui ou pode ser aplicado por outros? Mas continuo a divagar. De volta ao assunto…

No caso de um relatório de estágio, talvez não faça sentido incluir uma secção de metodologia. No entanto, é super pertinente apresentar o Contexto de investigação (estágio). E, normalmente, o enquadramento é mais tecnológico e basta apenas uma contextualização ou um capítulo simples. Aqui o desafio é apresentar algo relevante para o contexto, ou para a formação que não seja do conhecimento geral ou contribua para o campo. P. ex. falar sobre como se deixou de usar tabelas no HTML, ou como se faz responsive web design já não é relevante… novos padrões para novos comportamentos de interação num contexto de utilziação específico? bring-it on!

O resto das secções são relativamente standard e comuns entre o tipos de documentos. De qualquer forma, esta estrutura está longe de ser completa, ou universal. Mas é um bom começo. É muito semelhante ao modelo de artigo, e descreve (possíveis) secções em maior detalhe. Sem mais demoras, aqui fica a estrutura:

 

Capa / Cover (e rosto/ title page)

Parte Pré-textual

Dedicatória (Opcional)
Agradecimentos / Acknowledgements (Opcional)
Resumo / Abstract
Palavras-chave / Keywords

Sumário (ou Índice Geral / Table of Contents)
Listas (Índices) de: Figuras; Tabelas ou Quadros; Gráficos
Lista (Glossário) de Termos, Siglas, Acrónimos ou abreviaturas
Preâmbulo, Advertência, Notas ou Avisos

Introdução / Introduction
a) Enquadramento, ou Contextualização (da problemática)
b) Apresentação do problema, proposição, ou pergunta de investigação e hipóteses. Ou do plano do projeto ou programa de trabalho do estágio
c) Objetivo geral e objetivos operacionais do trabalho
d) Definição dos termos chave / conceitos operacionais / variáveis
e) Relevância ou pertinência do tema na área Profissional / Pessoal
f) Descrição sucinta do Plano de Investigação (Research Design) e da Metodologia
g) Limites do estudo
h) Estrutura do documento / Organização/planificação da dissertação/relatório de projeto

Parte 1 (Enquadramento Teórico)

Revisão da Literatura, ou Enquadramento Teórico e Concetual
a) Visão geral de como se organiza o capítulo
b) Revisão da literatura teórica e empírica (estruturada de forma lógica em 2 ou 3 atos)
– Conceito A (Secção ou Subcapítulo 1)
– Conceito B (Secção ou Subcapítulo 2)
– Conceito C (Secção ou Subcapítulo 3)
– …?
c) Síntese do enquadramento

Parte 2 (Trabalho Empírico)

Contexto de investigação, questões e lógica de investigação (opcional)

Metodologia
a) Descrição da metodologia geral
b) Contexto e local de investigação
c) Sujeitos e participantes
d) Instrumentos e materiais usados
e) Ações de investigação, ou operacionalização
f) Apresentação e descrição dos dados recolhidos ou resultados obtidos
g) Sumário ou síntese final da metodologia

Apresentação e Discussão de Resultados
a) Apresentação de resultados
b) Sumário, apreciação crítica, ou interpretação dos resultados
c) Visão panorâmica do capítulo, ou síntese final dos resultados

Conclusão / Conclusion
a) Sumário dos resultados
b) Discussão dos resultados
c) Limitações (e melhorias)
d) Recomendações e propostas para trabalho futuro.

Referências / References

Glossário e Índices Concetuais, de Termos, Onomásticos e Remissivos

Apêndices / Appendices

Anexos / Annexes

Colofão / Colophon

——

De seguida uma estrutura descrita e comentada

 

Capa / Cover (e rosto/title page)

Título

Formatado com o estilo “Título/ Title”. E subtítulo formatado com o estilo “Subítulo/ Subtitle”. Deve também constar a informação:

  • autor
  • afiliação (Instituição, Departamento, Curso, Local, Data, Orientador, …;
  • natureza do trabalho (i.e., tese, dissertação, relatório de projeto ou de estágio de natureza profissional, monografia de licenciatura, trabalho curricular da disciplina, produzido como requisito para obtenção de grau em…)
  • E, se for o caso, Apoios, Patrocínios, Logótipos, etc. A maior parte das instituições têm templates para isto.

A lógica de enumerar isto aqui é que, muitas vezes é necessário apresentar folhas de rosto, mas acima de tudo é necessário criar um documento (Microsoft Word ou PDF) completo e navegável (que no final deve apresentar os bookmarks / TOC criados corretamente) e estas estruturas auxiliam no processo de pesquisa e leitura.

Dedicatória (opcional)

Todas as secções que devem aparecer no corpo da dissertação e na respetiva hierarquia, mas que não queremos que apareçam no sumário (índice, ou table of contentes), devem usar um estilo visualmente igual aos Títulos de Nível 1, 2 ou 3 (formatação), mas estruturalmente diferente (software). Costumo usar um de nível 4 ou 5 “Heading 4/ Título de Nível 4” para evitar que apareça na indexação, mas que apareça no “Styles Pane” de forma automática para navegação no documento.

Título de secção formatado com o estilo “Heading 4/ Título de Nível 4”. Conteúdo formatado com o estilo normal.

Agradecimentos / Acknowledgements (Opcional)

Pessoas, ou entidades que contribuíram (objetivamente) para a realização do trabalho com informação, auxílio ou participação.

Título de secção formatado com o estilo “Heading 4/ Título de Nível 4”. Conteúdo formatado com o estilo normal.

Resumo e Abstract

Dependendo do fim a que se destina, o resumo (abstract) é um texto que deve ter entre 50 a 150 palavras (Coutinho, 2011, p. 218). No caso de sumário analítico, ou sinopse (também denominado abstract) deve ter cerca de 300 palavras (menos de uma página). Em ambas as situações, deve ser o mais breve e pertinente possível de forma a proporcionar uma síntese compreensiva de todo o trabalho (Correia, & Mesquita, 2013, p. 10). Sem prejuízo para os trabalhos, costumo recomendar a redação de resumos de 500 palavras na seguinte estrutura:

  1. (a) objetivo; (b) contexto; (c) problema; (d) perguntas;
    • No caso dos relatórios, ou estágios, a ideia é apresentar o contexto ou o programa de trabalho, mais do que as perguntas e hipóteses que norteiam um projeto de investigação ou dissertação de mestrado
  2. (e) enquadramento ou principais conceitos teóricos, históricos ou tecnológicos; (f) estado da arte;
  3. (g) abordagem metodológica; (h) tipo de plano ou research design; (i) metodologia (tipo); (j) fatores ou variáveis em análise; (k) amostra e participantes; (l) instrumentos de recolha de dados;
  4. (m) operacionalização; (n) principais dados, resultados ou “take aways”;
  5. (o) relevância para o contexto e principais limitações; (p) trabalho futuro ou contribuições para a área, ou outras aplicações.

Deve ser redigido em na língua do documento, seguido da versão inglesa (internacional). Dica para quem ainda não usa: experimentem o Grammarly (estou a pensar em pagar a licença pro anual…)

Mais detalhes noutro artigo: https://pedamado.wordpress.com/2016/10/13/como-redigir-resumos-e-abstracts/

Depende do estilo de índice que se vai gerar. Assim de repente, diria que deve ser formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1” ou nível 4 caso não se queiram no índice. Conteúdo formatado com o estilo normal.

Palavras-chave e Keywords

As palavras-chave devem complementar o título e subtítulo com conceitos teóricos, métodos, instrumentos ou resultados, de forma a adicionar à informação do estudo, de forma a que este seja mais facilmente indexado e pesquisado nas bases de dados.

Normalmente cerca de 4.

Título de secção formatado com o estilo “Heading 4/ Título de Nível 4”, ou 5. Depende do índice a gerar. Normalmente é demasiado pequeno (1, ou 2 linhas) para figurar no índice. Conteúdo formatado com o estilo normal.

Sumário ou Índice Geral

O Sumário, Índice Geral, ou Tabela de Conteúdos deve permitir “a compreensão lógica do conteúdo (Eco, 2007, cit. por Coutinho, 2011, p.11). Deve reproduzir as secções (partes, capítulos e respetivas secções) do trabalho com a indicação das páginas. Geralmente, não recomendo índices com mais de três níveis de profundidade. Como regra de algibeira, só faço o índice com os Headings (Cabeçalhos / Títulos) de nível 1, 2 e 3. Ou com as secções que tenham mais do que uma página de conteúdo — fica estranho aparecer no índice várias entradas com o mesmo número de página — o Sumário não é um glossário.

Listas; Introdução (e secções); Parte(s); Capítulos (Revisão de Literatura, Metodologia, Operacionalização, Análise e Discussão dos Resultados) e respetivas secções; Conclusão; Referências (Bibliográficas); Glossário; Apêndices; Anexos.

Deve estar hierarquizado visualmente (indentado em cascata, por tamanho do corpo de letra, ou…). Mais informações detalhadas noutro post [referência circular ;) ]

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Ou com o devido estilo de TOC (indentado, hierarquizado, etc). Recomendo usar os estilos e inserção automática de TOC do Word (e mais tarde apagar e refazer no InDesign). Cuidado com a criação de índices. O Word do Mac não permite TOC/Bookmarks automáticos no PDF. É preciso ir ao Acrobat e terminar o PDF. No InDesign, basta gerar o TOC com os links ativos e é magia ;)

Listas de figuras, tabelas, quadros ou gráficos

Normalmente estas três listas chegam para identificar tudo. Coloco Fotografias, Gravuras, Desenhos, Ilustrações, Esquemas, Mapas sob a mesma alçada de Figuras (a não ser o que o trabalho seja específico de alguma das áreas). Normalmente trata-se de imagens (mesmo as imagens 2 e 3D). E as restantes em Tabelas ou Quadros, Gráficos. Separo os gráficos, pois estes normalmente dizem respeito aos dados tabelares. Não esquecer que estas listas tratam dos objetos referidos e inseridos imediatamente a seguir, no corpo do texto. De qualquer forma é possível usar qualquer etiqueta. Ver mais sobre a forma de apresentação, título, legenda e fonte das mesmas na norma da APA (2010). Devem ter uma numeração própria consoante o tipo de etiqueta de cada objeto (Correia, & Mesquita, 2013, p. 11).

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Ou com o devido estilo de TOC (indentado, hierarquizado, etc).

Lista (glossário) de termos, siglas, acrónimos ou abreviaturas

Esta não precisa de grande explicação. Deve aparecer por ordem alfabética, com a respetiva descrição por extenso. Pode ser feito um glossário, ou Índice Concetual, Temático, Onomástico, ou outro no final. A Inês Costa tem um bom relatório sobre a construção e desenvolvimento dos mesmos no âmbito do estágio na Almedina de Lisboa — URL do RIA. Quando usados termos ingleses como User-Centered Design (UCD) é preferível aparecer a designação mais comum e evitar traduzir a expressão e respetivo acrónimo. Um dos usos mais originais que vi foi na tese da Prof.ª Catarina Lélis que fez uma lista de acrónimos “destacável” que permitia acompanhar o texto e ao mesmo tempo servia de marcador de leitura.

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Ou com o devido estilo de TOC (indentado, hierarquizado, etc).

Ver a possibilidade de criar / produzir um marcador de livro com esta informação, quando impresso.

Preâmbulo, Advertência, Notas ou Avisos

Não costumo usar. Quer dizer, no mestrado usei. Nas últimas provas que tenho orientado recomendo quando é necessário, lógico, ou não estou de acordo com a norma que utilizam. Troquei de sítio em relação à referência da Correia, & Mesquita (2013). No meu mestrado, usei uma nota prévia para incluir dados meta-textuais (norma, número de palavras, versão) do documento. Imagino que aqui se incluam dados sobre o concelho de ética, ou anonimato dos dados. O uso mais comum é colocar a informação sobre o tipo de norma bibliográfica e a redação ao abrigo do Acordo Ortográfico.

No caso de projetos em que existe um objeto (p. ex.: um protótipo digital online) incluir de forma clara aqui a referência ou link para consulta/visualização. Não impede que seja corretamente identificado no capítulo de metodologia.

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Ou com o devido estilo de TOC (indentado, hierarquizado, etc).

Introdução

À semelhança da Prof.ª Fernanda Ribeiro, considero que num documento só existe uma introdução e uma conclusão (singular). Embora integrem o miolo do objeto editorial, são partes do documento que não correspondem necessariamente ao “sumo” da escrita. E, por isso, devem ser “secções autónomas independentes dos capítulos” (Coutinho, 2011, p. 218). Quer dizer, são estruturalmente e visualmente idênticos, mas não levam “Capítulo X”, nem um número a preceder o seu título.

A introdução deve apresentar: o objetivo do trabalho; o interesse, pertinência ou relevância do tema; a motivação intrínseca ou extrínseca; um breve resumo ou contextualização do enquadramento ou assuntos tratados fundamentadas com os dados necessários, ou com a menção ao estado da arte; definição do problema de investigação (ou propósito) e as respetivas hipóteses ou objetivos operacionais que se pretende dar resposta; designação das variáveis dependente ou independentes e a previsão de resultados; e por fim, mas não menos importante uma secção final que apresenta a estrutura resumida e a respetiva organização dos capítulos que se seguem.

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Títulos das subsecções seguintes formatados com o estilo “Heading 2/ Título de Nível 2” (hierarquizados). Conteúdo formatado com o estilo normal.

a) Enquadramento, ou Contextualização (da problemática)

Enquadramento geral do estudo, realçando o interesse, pertinência, relevância ou atualidade do tema. Deve ser suportado pelo enquadramento concetual, ou histórico. Bem como por dados recolhidos de natureza variada.

Esta secção descreve a área em que o trabalho se insere, podendo referir um eventual projeto de que faz parte e/ou apresentar uma breve descrição da empresa onde o trabalho decorreu. Deve ainda fazer a contextualização e justificação do estudo e a sua importância/motivação para o investigador e para a comunidade. (FEUP, s.d.)

b) Apresentação do problema, proposição, ou pergunta de investigação e hipóteses. Ou do plano do projeto ou programa de trabalho do estágio

Pergunta geral, seguida de perguntas operacionais, hipóteses ou proposições do estudo e dos respetivos objetivos a atingir com a resposta a cada.

c) Objetivo geral e objetivos operacionais do trabalho

Descrição do que se pretende concretizar em resposta à pergunta ou como resolução do problema. No caso de projetos, ou de estágios devem incluir a o cronograma ou plano de trabalho original de forma resumida.

d) Definição dos termos chave / conceitos operacionais / variáveis

Descrição breve dos principais termos. Ou definição inicial/operacional dos principais conceitos (a expandir no enquadramento. Ou definição das principais variáveis do estudo indicando as suas previsões.

e) Relevância ou pertinência do tema na área Profissional / Pessoal

Relevância do estudo para a área profissional, ou de investigação no contexto geográfico, académico e temporal. Principais motivações pessoais e profissionais (intrínsecas) e oportunidade e motivação atual do contexto local/nacional/internacional (motivação extrínseca).

f) Descrição sucinta do Plano de Investigação (Research Design) e da Metodologia

Breve apresentação (quase que apenas uma denominação) do desenho de investigação (Research Design). E a metodologia geral (de forma resumida) utilizada na investigação/projeto também descrita por Coutinho (2011) como Métodos ou Plano de Investigação (p, 35). Será apresentada em maior detalhe num capítulo próprio.

No caso de relatórios de estágio ou projeto cuja natureza metodológica seja pouco complexa, pode ser apresentada na totalidade aqui.

g) Limites do estudo

Definir o que o estudo presente “não é”, ou as áreas e objetos que não vão ser abordados. Isto é, delimitar os campos epistemológicos ou de ação claramente. Numa última dissertação [link Ana Filipa Ferreira] isto é feito de forma muito clara e pertinente para o trabalho.

h) Estrutura do documento/ Organização/ planificação da dissertação/ relatório de projeto/ estágio ou tese

A última secção apresenta um resumo da organização de cada capítulo que se segue e permite que o leitor tenha uma compreensão prévia da estrutura a assuntos abordados de forma a fazer uma leitura mais fluída.

 

Parte 1 (Enquadramento Teórico)

 

Revisão da Literatura, ou Enquadramento Teórico e Concetual

A Revisão de Literatura destina-se a reunir informação sobre a investigação realizada em áreas fundamentais (basilares), próximas (relevância contextual) e atuais à que está a ser investigada. Deve incluir a forma ou critérios que orientaram a respetiva seleção de fontes (demonstrar abrangência, pluralidade, contraditório, etc.), identificação de outros trabalhos empíricos e sínteses e opinião crítica original.

In the event of producing a more conceptual heavy or theoretical research, a literature review section should be present. In this section, authors should include the reference to the main seminal authors, concepts or works needed to comprehend the problem in its different possible approaches. Usually this section is also known as State of the Art, Conceptual Framework or Theoretical Background, depending on the style and contents. (Amado, 2019)

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Títulos das subsecções seguintes formatados com o estilo “Heading 2/ Título de Nível 2” (hierarquizados). Conteúdo formatado com o estilo normal.

a) Visão geral de como se organiza o capítulo

Começar pelo início ;)

b) Revisão da literatura teórica e empírica

Estruturada de forma lógica em 2 ou 3 capítulos. e respetivos subcapítulos ou secções. Normalmente chamo a esta abordagem (do enquadramento teórico) de uma estrutura em 3 atos: contexto sociocultural; conceitos teóricos; metodologia ou tecnologia que irá ser utilizada. Ver mais sobre o enquadramento no blog: https://pedamado.wordpress.com/2016/12/17/como-desenvolver-um-enquadramento-teorico/

Estruturada de forma lógica em 2 ou 3 atos (ver o post original):

  • Conceito A (Secção ou Sub-Capítulo 1)
    • P. ex.: Contexto e história do problema a resolver. Ou caraterização do objetivo a atingir. A sua origem, evolução e atualidade. Aqui, devem aparecer dados (estatísticas, notícias, relatos?) que permitam compreender a dimensão e a relevância do problema nas suas dimensões técnicas ou sociais.
  • Conceito B (Secção ou Sub-Capítulo 2)
    • P. ex.: Teoria ou conceitos associados (assentes no modelo de análise). Devem permitir compreender ou explicar a problemática associada através de teorias, modelos, frameworks ou outra estrutura que exista na literatura e  que permita endereçar ou colocar em prática a ação pretendida no trabalho empírico.
  • Conceito C (Secção ou Sub-Capítulo 3)
    • P. ex.: Estado da Arte (exemplos de casos documentados, no caso de projetos mais práticos).* Ou estratégias, metodologias, técnicas de desenvolvimento ou de criação (por exemplo UCD, PD, Agile, Usabilidade, Responsive Design,…) que permitem preparar e fundamentar as atividades da parte prática.

c) Síntese do enquadramento

O que a investigação anteriormente realizada refere e a forma como se relaciona com o estudo (Parte empírica). No final de cada capítulo ou secção, devem ser apresentados os principais conceitos discutidos de forma resumida. Esta síntese final, “cose” tudo e prepara o leitor para a parte empírica do projeto. Mas que acima de tudo, para além de preparar concetualmente o leitor para o trabalho desenvolvido, apresenta os argumentos teóricos que irão ser usados para suportar ou explicar as atividades e resultados da prática.

 

Parte 2 (Trabalho Empírico)

Contexto de investigação, questões e lógica de investigação

Esta é uma secção opcional/ alternativa (descrita por Mesquita), mas que pode ser útil, por exemplo, para descrever os projetos ou as entidades de investigação onde se insere este trabalho específico, ou a empresa que acolhe o estágio. Optando por redigir esta não vejo necessidade de incluir a metodologia e vice-versa.

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Títulos das subsecções seguintes formatados com o estilo “Heading 2/ Título de Nível 2” (hierarquizados). Conteúdo formatado com o estilo normal.

Metodologia

O capítulo Metodologia destina-se a dar informação sobre os procedimentos gerais usados na pesquisa empírica, os instrumentos utilizados e relatar a maneira como os dados foram recolhidos (Coutinho, 2011, p. 220).

The methodology or project development section must present the instruments, techniques, or phases of development of the empirical work or data-gathering phases done (or planned). Explain the relevance of the adopted methods in spite of other possible approaches. And present a critical analysis of the limitations encountered. (Amado, 2019)

A estrutura do capítulo da metodologia e os instrumentos que a devem conduzir estão amplamente discutidos nos diversos livros da bibliografia que recomendo: https://pedamado.wordpress.com/2016/10/21/livros-de-metodologia-para-planear-conduzir-e-redigir-trabalhos-de-investigacao/

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Títulos das subsecções seguintes formatados com o estilo “Heading 2/ Título de Nível 2” (hierarquizados). Conteúdo formatado com o estilo normal.

a) Descrição da metodologia geral, fases e etapas

Apresentação da natureza (qualitativo, quantitativo, mista) e o design ou plano metodológico do estudo (caso de estudo, desenvolvimento, investigação-ação, etc.) se não tiver sido feito na introdução com profundidade suficiente.

Incluir ou descrever as fases de operação, se possível terminando/sintetizando todo o processo com uma tabela ou um gráfico:

  • Fase de investigação e etapas operacionais
  • Data ou duração de cada fase ou etapa
  • Métodos principais
  • Instrumentos de cada método
  • Participantes envolvidos
  • Resultados esperados/programados

b) Contexto e local de investigação

No caso de ser necessário uma descrição mais detalhada do que foi possível na introdução. P. ex.: num contexto empresarial ou estudo de caso deve ser apresentado a Marca ou Brand Brief (Wheeler, 2009) de forma aprofundada / comentada. Ou, num contexto de estágio, apresentando as instalações, história, estrutura, posições ou papeis dos membros, atividades, processos, etc.

c) Sujeitos e participantes

Descrever o universo total possível / passível de aplicação, ou que será alvo de amostragem de participantes, ou objetos de estudo. Descrever a população acessível (critérios pragmáticos). Descrever os critérios e métodos de seleção e amostragem utilizados. E, por fim, descrever as caraterísticas da(s) amostra(s) ou grupo(s) de participantes selecionados como um todo.

Manter o foco nas caraterísticas que são pertinentes para a investigação. P. ex. a idade ou sexo podem não ser tão relevantes para um estudo de, p. ex.: conforto leitura, como a acuidade visual, proficiência, hábitos e tipo de textos que estes participantes leem.

d) Instrumentos e materiais usados

Apresentar e descrever os materiais que foram selecionados para recolher os dados que vão suportar a investigação. Deve-se justificar a pertinência / escolha destes em detrimento de outros possíveis para o plano de investigação.

P. ex.: inquéritos estruturados, guiões de observação e entrevistas, modelos de tarefas, etc. incluindo apenas as perguntas, os objetivos para cada um e os resultados esperados (p. ex. baseline performances).

Os resultados programados ou esperados recolher em cada instrumento são muito importantes. Não só para preparar o investigador, mas para mostrar a consistência e qualidade da investigação. Como é óbvio, não se espera que os autores consigam antever todos os possíveis resultados, mas como tudo na vida, estar preparado e usar o enquadramento teórico para fundamentar e antecipar os resultados é essencial.

e) Ações de investigação, ou operacionalização

A forma como foi conduzida e no que resultou recolha de dados (p. ex., como se aplicaram e qual o resultado dos inquéritos, ou como foram conduzidas sessões de avaliação de usabilidade, ou como foram conduzidos os workshops dos casos de estudo, etc.)

Caso as ações ou etapas sejam simples ou singulares, deve-se apresentar a descrição dos dados recolhidos de forma sucinta de preferência em gráficos ou tabelas após a apresentação e descrição das ações. Dados em bruto para apêndices. Normalmente chamo a esta secção de operacionalização.

f) Apresentação e descrição dos dados recolhidos ou resultados obtidos

Caso seja extenso, ou em múltiplas ações, os resultados das ações de investigação deverão ser organizados numa secção própria. Apresentados em dados “brutos” de forma objetiva. Devem ser apresentados organizados e sintetizados (p. ex. sob a forma de gráficos e tabelas) indicando os dados completos em Apêndice.

g) Sumário ou síntese final da metodologia

Não é o ideal que aconteça. A Metodologia deve ser sucinta. No caso de trabalhos mais extensos, pode e deve ser sintetizada sob a forma de um gráfico. Afinal de contas a capacidade crítica e o poder de síntese são caraterísticas desejáveis [nos autores] deste tipo de documento.

Apresentação e Discussão de Resultados

Caso não tenha sido feito na própria metodologia, pode e deve ser separado num capítulo próprio. Novamente, depende da natureza do trabalho. No caso dos relatórios de avaliação de testes de usabilidade, p. ex., Rubin & Chisnell (2008) recomendam separar numa secção própria.

Caso seja necessário, pode ainda ser dividido em dois capítulos diferentes:

  • Apresentação de Dados e Resultados;
  • e a Análise e Discussão dos Resultados.

Em regra geral, os resultados são apresentados tendo em conta a ordem das questões empíricas do trabalho e não a ordem dos instrumentos utilizados. Como em tudo a lógica interna é que determina a sequência dos assuntos (Coutinho, 2011, p. 220).

De qualquer forma, deve ser redigido de forma a responder na ordem em que foram formuladas as perguntas, hipóteses ou proposições na introdução. De ser devidamente sintetizado com gráficos e tabelas para compreensão rápida e eficiente dos aspetos mais relevantes e evitar “mentir” com números ou percentagens.

Present the main results or data gathered from the operationalization of the methodology.  Interpret, or analyze them critically (applying the conceptual framework). Explain how these results help to explain the problem, or how these contribute to fulfil the research objectives. (Amado, 2019)

a) Apresentação e descrição de resultados

Organizados nos termos em que o enunciado do problema foi colocado no capítulo introdução / enunciado do problema. Apresentados em dados “brutos” de forma objetiva. Devem ser apresentados organizados e sintetizados (p. ex. sob a forma de gráficos e tabelas) indicando os dados completos em Apêndice.

No capítulo de apresentação de resultados, estes devem encontrar-se organizados de forma a responder ao enunciado do problema, tal como se colocou no (primeiro) Capítulo – Introdução. Essa organização pode ser feita por ordem de:

  1. hipóteses formuladas; ou
  2. questões de investigação – Questão 1; Questão 2, etc.… ; ou
  3. método de investigação – entrevistas, sondagens, etc. .; ou
  4. ordem cronológica; ou, ainda, por
  5. variável(eis) estudada(s), etc.

(Correia, & Mesquita, 2013, p. 15)

 

b) Sumário, discussão ou apreciação crítica dos resultados

Interpretação crítica dos resultados à luz do enquadramento e dos objetivos traçados pelo estudo, os instrumentos alplicados e resultados obtidos face aqueles previstos, dificuldades e limitações.

A discussão dos resultados pode ser feita juntamente com a apresentação destes — neste caso, inserida no capítulo Resultados — ou constituir um outro. Trata-se, contudo, de aspetos interligados, na medida em que a discussão se baseia nos resultados obtidos. A discussão visa dar sentido a toda a investigação realizada, através da avaliação e interpretação dos resultados alcançados, pelo que tem que se observar diversos procedimentos, tais como:

  1. propor interpretações e relacionar os resultados obtidos durante a investigação (inseridos no capítulo Resultados) com os apresentados por outros estudiosos e que se encontram descritos na literatura (inseridos no capítulo de revisão da literatura); estes últimos representam o estado atual dos conhecimentos sobre a matéria em questão[?];
  2. salientar os aspetos que estão em concordância e / ou em discordância com trabalhos já publicados/estado atual dos conhecimentos sobre a matéria em questão;
  3. referir as limitações do trabalho decorrentes das imperfeiçoes da amostragem ou da metodologia seguida (Azevedo, 2011);
  4. analisar e interpretar os resultados não esperados, equacionar questões plausíveis como:
    • problemas com o desenho da investigação?
    • utilização de população com características excecionais?
    • erros de amostragem?
    • erros no controlo de variáveis?

(Correia, & Mesquita, 2013, pp. 15–16)

Present the main results or data gathered from the operationalization of the methodology.  Interpret, or analyze them critically (applying the conceptual framework). Explain how these results help to explain the problem, or how these contribute to fulfil the research objectives. (Amado, 2019)

c) Visão panorâmica do capítulo, ou síntese final dos resultados

’nuff said.

Conclusão

Uma. Singular. A conclusão da disssertação ou relatório deve revisitar todo o trabalho como um todo (de preferência a partir das sínteses de cada parte/capítulo).

Deve apresentar os resultados organizados conforme os objetivos, questões ou proposições e a forma como foram satisfeitos, ou não (!) face ao que foi previsto. A forma como estes resultados são interessantes, novos, relevantes ou válidos neste contexto. E, de preferência, como se podem generalizar ou aplicar em estudos semelhantes ou subsequentes. Estabelecer uma ligação ou comparação ao estado da arte atual — nocas de trabalhos mais demorados ou complexos é natural que surjam ou que se descubram [na literatura] métodos, projetos ou investigações semelhantes. É desejável que, no final se faça uma atualização da Litreview para evitar “desconhecer” e para, agora que já se sabe exatamente o que se fez, afinar a pesquisa e descobrir se afinal existe ou não pesquisa e publicações suficientes na área (99% das vezes, a resposta é sim!). No entanto, é normal o contexto e as variáveis serem relativamente únicas e por isso esta relação é muito importante. Até porque se pode e deve demonstrar ou sugerir aplicações adicionais do que foi feito. Mostrar uma postura crítica (construtiva) face às limitações ou problemas encontrados e como podem ser resolvidos de futuro.

The Conclusion section has the purpose to present the discussion of the paper as a whole, synthesizing the main results and findings according to the original goals set and defined in the introduction. It should highlight their importance, their implications, applications and limitations, and how these relate to the conceptual framework presented. It should concentrate on presenting the final conclusions, emphasizing the most relevant contributions of the paper, their scope within the thematic area, as well as to present the limitations encountered, recommendations for future, or further development. The Conclusion should be brief, concise and written in a convincing and affirmative tone. (Amado, 2019)

Título da secção formatado com o estilo “Heading 1/ Título de Nível 1”. Conteúdo formatado com o estilo normal. Títulos das subsecções seguintes formatados com o estilo “Heading 2/ Título de Nível 2” (hierarquizados). Conteúdo formatado com o estilo normal.

a) Sumário dos resultados

Organizados em termos de como o enunciado do problema/ questões de investigação/ hipóteses foi colocado / Satisfação dos objetivos

b) Discussão dos resultados

A forma como estes resultados são interessantes, novos, relevantes ou válidos neste contexto. E, de preferência, como se podem generalizar ou aplicar em estudos semelhantes ou subsequentes. Estabelecer uma ligação ou comparação ao estado da arte atual

c) Limitações (e melhorias)

No caso de relatórios de projeto ou estágio pode ser interessante referir os contributos das UCs que enriqueceram ou viabilizaram este estudo e a forma como se foi para além da aprendizagem ou condições oferecidas pela IES.

Mostrar uma postura crítica (construtiva) face às limitações ou problemas encontrados e como podem ser resolvidos de futuro.

d) Recomendações e propostas para trabalho futuro

Aqui, pode e deve ser feito um pouco de “especulação informada” sobre como este trabalho pode ser aplicado ou adaptado em contextos adicionais ou adjacentes.

Referências

Seguir as normas. Apenas os trabalhos citados no corpo do texto.

Importante: não se deve confundir Referências Bibliográficas com Bibliografia; a Bibliografia inclui, para além das fontes citadas no texto do relatório, aquelas fontes que não foram citadas no relatório mas que foram também consultadas e utilizadas pelo(s) autor(es). O quadro abaixo representado resume o modo de citar as diferentes fontes segundo as normas APA. (Coutinho, 2011, p. 221)

Dada a natureza dos diferentes documentos, num projeto mais especulativo ou desenvolvimento (original) de uma soluçao onde se vê e analizam muitos exemplos (mesmo de uma maneira não-estruturada ou informal), pode ser pertinente ter uma secção de referências (citadas) e uma segunda secção de fontes adicionais (material consultado que informou diretamente). É muito complicado ter uma secção destas e é necessário — tal como opto por fazer — que no corpo do texto estejam corretamente identificadas que o texto, ou legenda expliquem o que se quer da análise ou consulta de cada um. Normalmente opto apenas por nota de rodapé.

Devem usar uma formação que facilite a pesquisa rápida. Normalmente com os parágrafos ex-dentados e com separação de linhas. Ver a norma em uso (p. ex.: APA) Fácil se for usado/gerado com um gestor de referências como o Mendeley.

a) Referências

Apenas uma secção organizada de acordo com a norma. De preferência por ordem alfabética e cronológica. Não separar ou criar subsecções ou secções adicionais, como Webgrafia, etc… para mim, nestes documentos, é tudo Referências.

Deve ser adotada uma norma (p. ex. APA 6ed.) e o mais importante é ser consistente em todo o documento.

b) Fontes consultadas

Para o caso de obras pertinentes (de caráter documental/ plástico/ prático/ performativo/ ludico/ experimental/ etc. ) não citadas no texto, apenas referidas ou consultadas e devidamente descritas/comentadas pertinência para o estudo. Apenas no caso de trabalhos mais de natureza de relatório de projeto, ou estágio…

Esta secção não é recomendada pela APA. Devem ser apenas listadas as fontes citadas no corpo do trabalho. Se forem consultados originais para p. ex. análise visual, a referência a este deve ser inserida em nota de rodapé, de forma completa.

Sobre as citações diretas e notas de rodapé — o texto deve ser redigido integralmente e de forma fluída na mesma língua. De preferência, traduzindo as citações diretas, e incluindo a sua versão original comentada ou explicada em nota de rodapé.

Glossário e Índices Concetuais, de Termos, Onomásticos e Remissivos

Não é habitual, nem muito comum. Dada a complexidade crescente dos assuntos abordados face à redução da escrita, os índices quase que seriam inúteis. Os documentos digitais pesquisáveis tornam estes ainda menos necessários. No entanto, em documentos grandes e de natureza rizomática beneficiam sempre deste tipo de índice, até porque, especialmente na questão dos índices remissivos, as explicações contextualizadas (e corretamente identificadas nos índices) são de extrema utilidade.

É uma dor de cabeça fazer no Word ou no InDesign…

Apêndices

Materiais desenvolvidos pelo próprio autor. Apresentados de forma completa, em “bruto”.

É usual aplicar a designação “apêndice” para apresentar os materiais preparados pelo autor da obra, e.g. descrição pormenorizada da metodologia; modelos de questionários e de outros instrumentos usados para recolha de dados; quadros com resultados obtidos que não servem os objetivos imediatos do trabalho (Azevedo, 2011). (Correia, & Mesquita, 2013)

Anexos

Materiais de fontes de outros autores consultados. P. ex. utilização de um modelo de questionário existente como o SUS.

Os anexos incluem documentos de outros autores, mas que são relevantes divulgar no contexto do trabalho em curso, designadamente: citações extensas; quadros estatísticos originais; fac-símiles de documentos que não são da responsabilidade do autor da obra (Azevedo & Azevedo, 1994); (Estrela, et aI. , 2006). (Correia, & Mesquita, 2013)

Colofão / Colophon (se não for feito no preâmbulo)

Não é de todo normal uma tese ou dissertação conter um colofão. Mas, nas áreas do design de comunicação e editorial deveria ser obrigatório. Informação sobre a data de finalização, local de impressão, formato, papel e fabricante, tipos de letra e os seus designers, fotografias e outro tipo de arte e seus autores, software utilizado, designers, paginadores e revisores são algumas das informações que podem ser incluídas no colofão. Também é comum econtrar esta informação nas fichas técnicas (caso existam).

Eu incluiria esta informação nas notas iniciais. No entanto, caso os documentos seja impressos e encadernados com algum cuidado e técnica (como no caso das dissertações e teses em Design Editorial), em que muitas vezes levam capas duras, impressas em tecido, em relevo ou com cortantes. Ou que são encadernadas manualmente, em papel especial e que, por isso levam mais tempo e envolvem mais intervenientes, eu optaria por um colofão “mais clássico”. Nunca fiz nestes trabalhos. Espero fazer como deve ser um dia destes ;)

——

As secções seguintes são fazem parte da estrutura, mas são considerações importantes para a estrutura e formatação visual

Formatação visual, cabeçalhos, rodapés e numeração de páginas

Uma nota final para não esquecer a inserção e formatação dos cabeçalhos e rodapés. À medida que cada vez mais leio e consulto trabalhos desta natureza em formato digital, penso se a melhor forma de os formatar não será optar por uma coluna única, simétrica (centrada) na página de forma a que o avanço na leitura seja o mais fluido possível (em dispositivos como o ecrã do portátil ou tablet).

Isto implica uma coluna única. De preferência alinhada à esquerda (e de preferência sem hifenização, como recomenda a APA), mas a usar toda a mancha útil. A largura da coluna deve ser adequada à fonte, corpo e entrelinha escolhidos. Nada como ver o livro “on Web Typography” do Jason Santa Maria (2014) para conselhos práticos. Podem e devem usar indentações, balas e espaços de campos.

Não esquecer os cabeçalhos e rodapés. No cabeçalho pode/deve incluir-se o nome / título do trabalho e/ou o capítulo corrente. Isto é fácil conseguir fazer-se automaticamente usando quebras de secção — vejam aquele primeiro livro de metodologia que recomendo. O número de página deve incluir-se no rodapé. Dado que a paginação possa ser simétrica para uma melhor leitura, pergunto-me se não será mais eficiente optar pela numeração centrada. Os PDFs da Five Simple Steps adotaram (quase) este layout e são muito agradáveis de ler em ecrã.

Não esquecer a numeração. Capa e Rosto(s): sem numeração, sem cabeçalhos. Páginas em branco: sem numeração (basta fazer as devidas quebras de pagina/secção para a próxima página ímpar), sem cabeçalhos. Ou, para efeitos de documentos digitais incluir page intentionally left blank no cabeçalho. Partes pré-textuais: numeração romana (p. ex.), sem cabeçalhos. Miolo: numeração árabe com cabeçalhos e rodapés. Embora seja opcional, a norma é começar na introdução com “1”.

Marcadore(s): TOC & Acronyms

Aproveitando ainda [esta época em que estou a ler trabalhos] para fazer uma referência aos trabalhos impressos. Normalmente, quando leio provas em formato impresso — que já é muito raro, mas que me dá muito prazer quando as monografias são objetos “cobiçáveis”, como as provas do MDGPE —, sinto-me perdido na estrutura. Isto, porque normalmente não as leio todas de seguida (faço-o aos bochechos como tudo nestes últimos tempos). E, como não tenho o índice (table of contents do Word ou os bookmarks do PDF) ao lado, às vezes já não sei o que foi ou o que ainda vem. Aproveitando [que é como quem diz roubando!] uma ideia do doutoramento da Prof. Catarina Lélis, o ideal será mesmo fazer um marcador de livro que contenha informações úteis — neste caso, a inclusão de siglas (ou termos e acrónimos) para facilitar a leitura quando o “código” começa a acumular. Mas hoje, ao ler os primeiros capítulos de uma prova, dei por mim a precisar de um sumário.

Por isso, a minha sugestão para quem imprimir, será fazer um marcador de metade ou um terço de página contendo um sumário (índice) simples de um lado e uma lista de siglas no verso. Este marcador serve de… er… marcador. E, ao mesmo tempo, permite ter a estrutura do trabalho sempre presente para o leitor! ;)

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Em bom, se conseguiram ler (ou fazer scroll) até aqui, como recompensa disponibilizo o documento estruturado em formato .docx (já com alguns estilos aplicados) “as is”, que pode servir de base para a redação de relatórios, dissertações e teses: Modelo Geral de Estrutura de Dissertações e Teses (com descritivo)

Uma base. Sem dizer nada, já cá estão 39 páginas… agora é só trocar o que lá está pelo conteúdo de cada um e já está! ;)

 

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Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Faculdade de Belas Artes Universidade do Porto lecionar Ferramentas Digitais, Web Design, Design de Interação e Creative Coding

One thought on “Estrutura de uma dissertação, relatório de mestrado ou tese de doutoramento”

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