Estrutura de Apresentações

2019-07-03-6B2A0805
Apresentação da conferência de Fábio Duarte Martins

Com o ano letivo a terminar, começam também as apresentações finais de mestrado. Tal como tenho vindo a fazer, este post é o penúltimo guia ou modelo de estrutura que costumo partilhar com os alunos que têm um trabalho de investigação para terminar e apresentar!

O seguinte modelo compila uma série de notas estruturais que tenho compilado a partir da troca de impressões sobre as apresentações (normalmente de mestrado) que envio e verifico.

Preâmbulo

Duração normal de uma apresentação académcia: 15 mins (idealmente 10 a 20 slides). Pode ser menos (normalmente de licenciatura: 5 a 10 minutos, o que dá ainda menos slides para falar). Ou de mestrado (15 a 20 minutos, sendo que a tendência é cada vez mais ser de 15). A ideia é falar, complementar a informação preferencialmente visual em todos os slides/imagens. O que dá entre 30’’ – 1’ por slide.

Mas depende. Pode haver muitos slides que são apenas para ilustrar.

Nos primeiros slides, dá para resumir numa ou duas frases e andar para a frente (p. ex.: ler o título, mencionar como está estruturada a apresentação “primeira parte — os conceitos—, na segunda — o trabalho empírico/ experimental/ avaliação desenvolvido” e pouco mais).

Logo, o número e tempo de slides é uma estimativa. Normalmente, nos slides mais “pesados” em texto/conceitos, recomendo colocar o tópico no ecrã e nas notas escrevo 1, ou 2 frases / parágrafos em corpo 14 (~40–120 palavras), o que me dá aprox. 1 min. de leitura pausada/ confortável.

Nos slides apenas com imagens (p. ex. levantamento do estado da arte) dá para mostrar imagens apenas (entre 4’’ a 10’’) salientando só o aspeto que se quer mostrar (feature, interface, …?) Como se de uma legenda das imagens da dissertação se tratasse.

Na metodologia pode ser mais lento novamente, explicando com calma os passos / fases e os principais instrumentos. Colocando toda e a maior ênfase da apresentação (discurso e tempo) nos slides do trabalho e análise de dados que foi feito.

Mas com ainda mais calma na análise dos dados recolhidos e respetiva discussão.

Nas conclusões, relembrar o objetivo e perguntas iniciais para explicar como as conclusões são suportadas pelos dados recolhidos.

No final, o ideal é complementar o trabalho (relatório, dissertação,…) com mais alguma indicação do trabalho/ dados/ upgrades/ novidades na indústria (?) , ou apresentações e publicações que aconteceram entre a entrega e a defesa. O ideal é mostrar como se anda a apresentar/submeter o trabalho a concusros, festivais e conferências para divulgar, expor e recolher mais opiniões obre o mesmo.

É preciso ter em conta que o júri/ arguente já leu o relatório / dissertação. E, por isso, já sabe o que vai ser dito/apresentado (menos as novidades, updates ou correções e erratas).

Esta apresentação serve para clarificar algum aspeto menos claro no trabalho e mostrar o domínio sobre o(s) tópico(s).

Sem mais demoras…

Guião de apresentação: uma estrutura genérica

1. Capa

  • Título.
  • Autor, mestrado/afiliação,
  • Data, orientadores
  • Pode ou não ter já uma imagem de fundo (dos testes, do software/interface…)

 

2. Sumário

Ocpional, mas recomendável (como se se tratasse do índice da dissertação. Mas menos extenso > índice da apresentação!).

 

(Parte Introdutória)

3. Contexto / Problemática

  • Inicial (problema ou contexto social/tecnológico/profissional que motivou a investigação).
  • Motivação (pessoal do investigador e relevância).
    (pode estar junto com a pergunta/objetivos)

 

4. Pergunta de investigação/ Propósito ou objetivo do projeto / programa do estágio

  • Pergunta geral (dividido em perguntas mais específicas/operacionais. O que é que se queria saber?)
  • Objetivos do trabalho (o que é que se pretendeu alcançar / observar / recolher / desenvolver).
  • Hipóteses ou proposição (qual era a ideia que responde de forma credível à pergunta/objetivos)

Manter short & sweet… estes primeiros slides são “protocolares” apenas para lembrar e guiar toda a apresentação.

 

(Parte / Enquadramento teórico)

Slides 5 a 6. Revisão de literatura (modelo de análise)

Estes slides servem apenas para enquadrar o estudo nos principais “pilares” concetuais (daí o termo de modelo de análise do Quivy — Dimensões, Conceitos, Indicadores,…) e autores que “balizam” o estudo.

Por exemplo

5. Conceitos teóricos gerais

Ou principais processos e principais autores mencionados. Resumidíssimo. p. ex.: um par de definições com autor-data )

Ou como alternativa, um slide para cada conceito do modelo de análise

5. Conceito 1 (contexto de aplicação, público,…)

6. Conceito 2 (conceito teórico, ou processo de desenvolvimento)

P. ex.: definição original na literatura (o que é uma revista), vs. definição original/operacional desenvolvida a partir da síntese da literatura e que serve para orientar o desenvolvimento do trabalho empírico.

 

7. Estado da Arte

Opcional. Pode estar aqui, ou dentro da metodologia. Depende da abordagem do trabalho e da natureza do Estado da Arte. Se for mais prática e que resulta na construção/desenvolvimento de um instrumento original de recolha e categorização dos exemplos (observação e análise de projetos/ artefactos/ documentos/ software existentes) deve estar dentro da parte empírica.

Se for um levantamento do estado da arte baseado em artigos/livros (o que se escreveu sobre estes mesmos artefactos, na literatura), então deve figurar aqui—como que um resumo dos principais métodos e abordagens que já se fez.

 

(Parte Empírica / Projeto)

Slides 8 a 10. Metodologia geral 

8. Desenho de investigação

9. Universo e amostragem

10. Métodos (fases) e instrumentos utilizados (tipicamente uma lista, ou tabela).

Aqui é sempre bom aparecer ilustrado (fotografias das sessões com os participantes, ou esquemas/desenhos da preparação das sessões — pode ser uma sucessão de slides mais rápidos. Mas importa explicar com calma em que consistiu a preparação e cuidados em cada um dos métodos )

No caso do desenvolvimento de projetos ou atividades empíricas (já para não falar dos estágios), a palavra de ordem é “MOSTRAR”! Apresentar as imagens que melhor demonstram o que se fez. Não só o resultado final, mas como a evolução, o processo, a produção. Os truques e backstage de tudo! ;)

 

Slides 11 a 13. Dados recolhidos

11. Síntese dos dados recolhidos

Iinquéritos, entrevistas, observação, Focus groups… Caraterização Geral (descrição dos participantes, observação…). Descrição dos dados recolhidos específicos (motivação, uso,…). Um slide por fase/método/sessão?

Pode e dever sem em tópicos. Breves números e de preferência muito visual / em gráficos

12. …

13. …

 

Slides 14 a 15. Análise e discussão

14. Análise.

Os dados confirmam as hipóteses e relações pretendidas? De que forma? Usa dados concretos (verificação e correlações) ou parece verificar (induz)? A(s) amostra(s) são grandes e suficientes para generalizar, ou específicas…

15. …

 

Slides 16 a 18. Conclusão 

16. Geral.

Revisitar objetivos e hipóteses. De que forma os dados respondem à(s) pergunta(s) do estudo (enunciadas no ínicio da apresentação e introdução do relatório?)17.

17. Resultados

Outcomes — o que é que foi feito e as principais contribuições (o que fica de resultado material partilhável/ contribuição para as comunidades académicas profissionais e sociedade em geral )

18. Limitações encontradas

Contingências utilizadas, que estratégias utilizar para as ultrapassar) e trabalho Futuro (foi feita algum teste ou melhoria neste sentido? Como proceder em futuras investigações?)

 

19. Artigos e Comunicações (Opcional)

Desde que se “terminou” o trabalho, isto é, desde que foi submeteido o relatório ou dissertação, o que foi feito? Há trabalho publicado, ou em vias de ser publicado e apresentado em conferências, festivais, ou exposições? O que foca? Qual a pertinência destas?

 

20. Referências 

Não esquecer. Apenas as mencionadas na apresentação.

 

21. Slide final (ou inicial)

 

No final, não esquecer os agradecimentos devidos, levar uma caneta e papel para anotar questões. Questões que devem ser clarificadas e pré-preparadas.

Já sabem quem é o Arguente ou Júri, por isso a área de interesse também é conhecida. Pre-preparar as respostas para:

  • Estudou apenas estes conceitos ou autores? (revelar que mais tópicos foram lidos, mas não incluídos no trabalho);
  • Como vê isto aplicado hoje/noutro contexto? (perceber e demostrar como o que se fez pode ser reproduzido e aplicado em diferentes áreas, mostrando a sua mais valia);
  • Como planeia sustentar / manter a viabilidade (tempo, recursos humanos, financeiros,…), ou escalar o projeto? (agora num contexto real, estas coisas têm um custo, nem que seja da nossa atenção… como planear manter as coisas autónomas…);
  • Agora que o conceito está provado, como planeia implementar isto (normalmente, como se passa de um protótipo para uma tecnologia real? qual o tempo, custo, pessoas que espera precisar?);
  • De que forma é que os resultados obtidos ou a interpretação feita é fidedigna (houve o cruzamento ou triangulação que garante que foram contemplados múltiplos pontos de vista?). A opinião do arguente costuma ser diferente — eu tenho a mania de ser do contra nestas coisas…—, ou de outra área. Mesmo que ele entenda, como o podemos convencer?
  • Como vê a evolução / futuro deste trabalho?

Estas são algumas das perguntas da praxe que podem ajudar…

 

Author: Pedro Amado

Professor Auxiliar na Faculdade de Belas Artes Universidade do Porto lecionar Ferramentas Digitais, Web Design, Design de Interação e Creative Coding

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