Resumo do workshop de Desenho Colaborativo no 5ET

Julien Priez a inciar a sua apresentação no Workshop de desenho colaborativo
Julien Priez a inciar a sua apresentação no Workshop de desenho colaborativo

A história do workshop de Desenho Colaborativo começou muitos meses antes da conferência. O que se descreve nesta entrada foi o processo de desenvolvimento do workshop, como decorreu e foi conduzido. Uma breve nota para os mais impacientes: os slides dos resultados aparecem no final ;)

Como tudo aconteceu

No final de 2013 (ou terá sido no início de 2014?), a Catarina Silva (organizadora da conferência) perguntou-se se estaria disponível e interessado em realizar uma atividade no âmbito da conferência. Como já me conhecia, imagino que, na altura, estivesse à procura de algo sobre software (livre como o Fontforge), ou sobre participação e interação online (no âmbito do meu doutoramento). Claro que disse que sim, que faria qualquer coisa nesse âmbito.

O tempo passou, e entretanto tive que fechar e defender o doutoramento (finalmente!). A organização assegurou outros dois workshops, sendo que um deles ia ser com o Dave Crosland, com a Joana Correia—dois designers que muito admiro e dos quais já participei em workshops—, e com o Natanael Gama—um jovem Type Designer português que sigo desde o kickstart da Exo. Isto eliminou a ideia de repetir um workshop com o Fontforge. Quer dizer, não ia “competir” com designers mais experientes do que eu, “diluindo” as ofertas da conferência!

Website (atual) da Fontyou.com
Website (atual) da Fontyou.com

A dada altura, o Jorge Pereira (da organização da conferência) colocou-me em contacto com a Fontyou. E, de repente, tudo fez sentido. Lembro-me de ter conhecido o Nicolas Boudriot e o Gregori Vincens num jantar da conferência da ATypI de 2013 em Amesterdão. Lá expliquei-lhes o meu trabalho e eles retribuíram explicando como a Fontyou estava organizada—uma startup-foundry com uma forte vertente de colaboração presencial e à distância. Houve ume empatia imediata, mas com o passar do tempo, perdemos o contacto… Esta foi uma nova oportunidade de explorar as afinidades que havia entre nós. Sendo uma empresa principalmente te assente na Web…

Design Studio Method, de Todd Zaki Warfel @ Vimeo
Design Studio Method, de Todd Zaki Warfel @ Vimeo

Entra a Metodologia Ágil

Percebi que devíamos tentar uma abordagem que cruzasse as nossas áreas de trabalho e investigação. Foi assim que, tal como tenho vindo a adotar no âmbito das atividades letivas em Aveiro, surgiu a ideia de adaptar a metodologia ágil (Agile Methodology), vulgarmente utilizada no âmbito do desenvolvimento de software e soluções para a Web. E aplicá-la à sincronização do trabalho em grupo do workshop—obter o desenho completo de um tipo de letra. Isto porque, nos workshops que tenho conduzido e participado, a etapa de ideação é sempre uma tarefa custosa e [demasiado] demorada. Quis mudar isto desta vez.

Normalmente o desenho de um tipo de letra é uma atividade que depende maioritariamente de um designer ou diretor de arte. O objetivo aqui foi introduzir os participantes a técnicas de colaboração para: (a) gerar e sincronizar ideias; (b) colaborar na produção simultânea. E Assim, acelerar o processo de produção de um objeto através da harmonização da equipa. Uma hora de trabalho, de repente, pode significar produzir 3 a 4 vezes mais trabalho. Normalmente as abordagens ágeis, utilizam sprints de cerca de 1 semana (como a abordagem Lean utilizada pela Google Ventures), ou mesmo entre duas semanas a um mês (como a metodologia SCRUM). Nós… bom, nós tínhamos 7 horas! ;)

Utilizámos o Design Studio Method, uma adaptação da metodologia ágil proposta por Todd Zaki Warfell (imagem acima), juntamente com um par de ideias adaptadas da de alguns livros de Agile, como o Agile Experience Design: A Digital Designer’s Guide to Agile, Lean, and Continuous (Ratcliffe, & McNeill, 2012), The Art of Agile Development (Shore, & Warden, 2008), ou o The Art of Lean Software Development (Hibbs, Jewett, & Sullivan, 2009).

Já tive oportunidade de descrever os objetivos e metodologia numa entrada anterior, por isso não me vou alargar. Digamos apenas que o meu comparsa no crime, o Julien Priez da Fontyou—o principal cético desta abordagem extrema—, de manhã disse-me: “vamos com calma, se não fizermos uma fonte não há problema…”. Mas ao almoço já dizia entusiasmado:

Vamos fazer 5 fontes!

E assim foi. Bom, na realidade não ficaram prontas 5 fontes, mas já explico melhor.

Vista do Hotel S. Félix, do cimo de Laúndos
Vista do Hotel S. Félix, do cimo de Laúndos.

A estadia

Ficámos instalados num Hotel espetacular—o Hotel de S. Félix—, no cimo de um monte em Laúndos. Via-se a Sacor (Matosinhos), a Póvoa, o mar e a praia e as montanhas para o interior e para o Norte. Quase até Barcelos. Dizia o meu companheiro no crime: ”isto parece um hotel de um filme do [James] Bond”. Pudemos gozar da companhia do Dave, do Natanael, do Miguel, do Gerry e da Tiffany que também acabaram por lá ficar. Recomendo vivamente a paragem por lá, se viajarem pelo Norte. A viagem para o IPCA [de carro] era rápida e, embora significasse um esforço adicional, valeu a pena.

(Julien na) Entrada do CI&D, no IPCA (Barcelos)
(Julien na) Entrada do CI&D, no IPCA (Barcelos)

As instalações do Workshop e da Conferência

Ainda não conhecia o Centro de Investigação e Desenvolvimento do IPCA (CI&D). Só posso dizer que fiquei impressionado, não só com o pavilhão (uma mini FEUP), mas essencialmente com o Laboratório de Jogos Digitais (que nos foi apresentado pelo Pedro Mota Teixeira e pela Paula Tavares no primeiro dia da conferência). No entanto, foi principalmente com o Auditório que fiquei completamente rendido a este campus—confortável, com bom som, boa iluminação, e Wi-Fi decente. Mas tenho que admitir que o que mais me agradou foi ter tomadas disponíveis para toda a gente durante a conferência!

Mini FEUP ;)
Mini FEUP ;)

Mas estou a divagar… voltando ao workshop, a sala onde trabalhámos também estava bem equipada. E a equipa da organização (professores e alunos) foram impecáveis em garantir toda a logística. A tempo e horas

Sala do workshop com projetor, computador pessoais, impressora laser, papeis canetas,…
Sala do workshop com projetor, computador pessoais, impressora laser, papeis canetas,…

O workshop arrancou com uma breve apresentação dos objetivos, da metodologia e da Fontyou. [Auto] organizados em equipas, o Julien distribuiu uma versão editável de uma fonte dele— a Rotown FY—, eu distribuí os materiais (marcadores Paper Mate pretos, vermelhos, verdes, azuis, e papel), e arrancámos com os sprints.

Imagem promocional da fonte Rotown FY no MyFonts
Imagem promocional da fonte Rotown FY no MyFonts

Originalmente tinha planeado fornecer um par de cenários para que os participantes escolhessem (uma vez que não tínhamos um “cliente” real que nos fornecesse esse cenário—a falha da aplicação desta abordagem). Mas, de véspera, com o Julien decidimos “abrir” as opções para que eles escolhessem o que queriam fazer—teriam que fazer alterações a fonte de estilo (serifas, p. ex.); contraste, peso, largura, o que quisessem. Desde que mantivessem as caraterísticas da Rotown, mas criando uma nova variante. E arrancamos com os sprints… ah, já mencionei que cada sprint durava apenas 5 minutos? ;)

Diagrama dos sprints para o Workshop
Diagrama dos sprints para o Workshop

Leiam aqui uma breve descrição do plano de trabalho: https://pedamado.wordpress.com/2014/11/24/collaborative-type-workshop-com-julien-priez-fontyou/

Alguns dos participantes a desenhar ideias
Alguns dos participantes a desenhar ideias

Os primeiros dois sprints (S1 e S2) decorreram como previsto. Enquanto sprintmaster, não posso dizer que fui muito rigoroso, nem muito exigente no início. O ambiente estava agradável e pareceu-me que os participantes estavam a gostar do feedback e das interação, principalmente com o Julien.

Julien a comentar os desenhos iniciais
Julien a comentar os desenhos iniciais

Na primeira fase—ideação—, os desenhos foram muitos, e as avaliações interpares também. Decorridos três rondas, passámos à síntese e apresentação de resultados de cada grupo. Foi aqui, na primeira síntese de grupo, que decorreu a parte mais interessante —para além dos vários estilos presentes, o Julien brindou-nos dicas muito interessantes sobre o espaço negativo e proporção das letras, fruto da sua experiência académica e profissional na Fontyou.

Síntese de resultados e comentários ao primeiro sprint (S1)
Síntese de resultados e comentários ao primeiro sprint (S1)

Passado apenas pouco mais de uma hora e de um coffe break com mooontes de açúcar (!), passámos à fase de afinação das caraterísticas das letras a desenhar. Nesta fase já os grupos tinham sincronizado as ideias e estavam a trabalhar nos pormenores e nas características que iriam definir o novo tipo. Isto mostrou que esta abordagem facilita realmente esta primeira fase de criar novas ideias. Afinadas as características de cada grupo, fez-se uma nova síntese e avaliação. E saímos para o almoço, para pensar e organizar o trabalho da parte da tarde.

Uma versão "fat" da Rotown desenvolvida por um dos grupos
Uma versão “fat” de alto contraste da Rotown, em desenvolvimento por um dos grupos

Foi aqui que decidimos não escolher e desenvolver apenas uma fonte, mas sim, avançar com uma fonte por cada equipa. Na altura fiquei um bocado reticente em mudar o plano, mas a verdade é que funcionou. Voltados à sala, e depois de um crash course em Glyphs (explicámos apenas os filtros de carateres e os principais atalhos para o desenho vetorial), convidamos todos os participantes a fazerem a palavra “adhesion”, ou outra palavra de teste desde que tivesse um “n” ou “h” para definir a proporção central e largura dos carateres, as hastes, e a altura-x (e, no caso do “h”, as ascendentes). Um “o”, ou “e” para as barrigas e olhos.

Após uma avaliação intercalar do S3, havia quem não conseguisse parar de trabalhar!
Após uma avaliação intercalar do S3, havia quem não conseguisse parar de trabalhar!

Deixamos que as dúvidas surgissem ao ritmo normal de cada participante. O Glyphs é muito, muito intuitivo e as ferramentas de desenho são muito poderosas (no final quase todos lidavam de forma natural com o desenho, já sem grandes dúvidas). A meio da tarde parámos para fazer uma avaliação intercalar do trabalho, fizeram-se novos comentários gerais à evolução de cada um.

Character Set das "Rotowns" modificadas no Glyphs
Character Set das “Rotowns” modificadas no Glyphs

Posso dizer que fiquei muito contente com os resultados—o objetivo de completar uma fonte era um driving goal. Na prática quase terminámos um character set completo (maiúsculas, minúsculas e alguns numerais). E, pelo caminho houve um crash valente de um Glyphs do qual não foi possível recuperar a maior parte dos carateres… E isto, foi em apenas 7 horas. Por isso, imaginem o que uma pequena equipa, bem sincronizada, não conseguirá fazer numa semana de trabalho?

Merci beaucoup! À bientôt...
Merci beaucoup! À bientôt…

Foi um bom workshop. Foram participantes excelentes. foi um bom test drive à metodologia de desenvolvimento ágil de tipos de letra (Design Studio Method). Isto é, o primeiro objetivo— agilizar a etapa de ideação—foi cumprida. E, em grande parte, o segundo objetivo—acelerar e aumentar o trabalho desenvolvido através da colaboração da equipa em torno do mesmo desenho—também foi cumprido. Para a próxima vez, insisto mais na sincronização de toda a equipa.

Slides da apresentação de resultados no Scribd (https://www.scribd.com/doc/253756895/Amado-Priez-2014-Collaborative-Type-Workshop-5ET)
Slides da apresentação de resultados no Scribd (https://www.scribd.com/doc/253756895/Amado-Priez-2014-Collaborative-Type-Workshop-5ET)

À distância, na altura em que escrevo isto, vejo que faltou fazer duas coisas. A primeira foi uma fotografia de grupo. Foi estupidez, e, normalmente, sou um dos chatos que quer sempre fazer isto. Esqueci-me. A segunda foi fazer uma ronda final de autor reflexão e avaliação do processo e dos resultados, tal como proposto pela metodologia SCRUM.

Enfim, nunca é demais agradecer e elogiar todos os membros de organização que ajudaram a tornar este workshop possível e pela organização impecável em todos os aspetos—a todos os professores e alunos em apoio.

P.S.1: Esta entrada não termina sem elogiar novamente o gift bag. Primeiro, porque aqui o cegueta não reparou à primeira no pormenor de adaptação da marca do 5ET à versão monocromática—com uma trama completamente old school—muito bom! Confesso que só reparei nisto quando cheguei [exausto] a casa. E os brindes incluídos são de invejar (assim de repente, estimo um valor aproximado de 30€. Isto sem contar com o calendário extra que nos ofereceram!). Só o saco pagava a inscrição! ;)

P.S.2: repararam que durante o workshop [na imagem acima] tivemos direito a bolachinhas e sumo na Sala?! Foram fait divers como estes que fizeram do workshop (e da conferência) uma experiência espetacular!

Esta entrada faz parte de uma mini-série de entradas que resumem a minha experiência no 5º Encontro de Tipografia, a conferência internacional organizada pela Catarina Silva que teve lugar em Novembro de 2014, no IPCA em Barcelos. Não deixem de ler sobre o resumo, [este] workshop, o dia 1 e o dia 2 da conferência. Vemo-nos nas próximas entradas ;)

Resumo do workshop de Desenho Colaborativo no 5ET

Collaborative Type Workshop com Julien Priez (Fontyou)

The Agile Manifesto (in Ratcliffe, & McNeill, 2012)
The Agile Manifesto (in Ratcliffe, & McNeill, 2012*. Retirado de: http://agilemanifesto.org/)

É já daqui a dois dias, na próxima quarta-feira dia 26, que vou estar no IPCA (no âmbito do 5º Encontro de Tipografia), com o Julien Priez da Fontyou a ministrar um Workshop sobre desenvolvimento ágil de Type Design:

Desenhar e implementar fontes completas é um trabalho intensivo. Por um lado, encontrar um estilo para os caracteres de base, que responda a uma necessidade específica é, em si, um desafio criativo. Por outro lado, a tarefa de implementar o conjunto completo de caracteres Open Type é uma tarefa mecânica exaustiva. [Para acelerar este processo e reduzir a taxa de esforço envolvida na sincronização de todos os membros das equipas podemos recorrer a metodologias de Desenvolvimento Ágil, cada vez mais comuns no Design de Software].

A abordagem de Desenvolvimento Ágil consiste num conjunto de técnicas, tendo em vista o desenvolvimento de soluções em equipa. Resulta da colaboração, crítica e desenho de respostas rápidas pelos designers. [Na prática, envolve todos os participantes e stakeholders no processo de criação tendo em vista um resultado mais informado, completo e responsável. É um processo muito intenso e rápido assente na resolução de problemas concretos em sprints de trabalho].

O Julien Priez (Fontyou) e o Pedro Amado (Universidade de Aveiro) vão aplicar o Método do Design Studio para demonstrar como a co-criação pode acelerar o processo de desenvolvimento de ideias e fomentar a implementação rápida de conjuntos de caracteres em equipa.

http://web.ipca.pt/5et/collaborative-type.html

Estou neste momento a terminar de preparar os pormenores do workshop com o Julien Priez. Embora não conheça pessoalmente o Julien, no passado, já tive oportunidade de conhecer um par de colegas dele da Fontyou: a Valentine e Alisa Nowak, bem como o Nicolas Boudriot na última ATypI de Amesterdão. Posso atestar que eles são uma das jovens empresas que devemos manter debaixo de olho, porque têm produzido muito trabalho de qualidade, fora dos “centros” tradicionais.

https://co-create.fontyou.com/
https://co-create.fontyou.com/

As ferramentas e métodos que implementam para a colaboração no desenvolvimento de Type Design (não só a nível do desenho como da produção e distribuição) também são muito inovadoras—estou mesmo muito contente por esta oportunidade trabalhar com eles neste workshop (só posso agradecer à organização por isso!). Sei que esta é uma oportunidade rara e preciosa de conhecer e explorar outros métodos de trabalho.

Em relação à dinâmica durante o Workshop. Iremos então tirar partido da experiência de colaboração e de desenho que o Julien traz da Fontyou. E implementa-la numa proposta de metodologia de desenvolvimento ágil que tenho vindo a assimilar no meu método de trabalho. As influências são muitas, mas a principal influência vem (de uma mistura?) das abordagens XP e Lean:

Agile development is popular. All the cool kids are doing it: Google, Yahoo, Symantec, Microsoft, and the list goes on (…) no single technology or management technique would offer a tenfold increase in productivity, reliability, or simplicity (…) don’t recommend adopting agile development solely to increase productivity. Its benefits (…) come from working differently, not from working faster (Shore & Warden, 2008, p. 3)

As abordagens ágeis, mais concretamente as abordagens Lean, têm sido utilizadas por muitas empresas (como por exemplo a Big Spaceship, ou a Google Ventures) para envolver os próprios empreendedores na procura, definição, avaliação e escolha das soluções a implementar. Não é uma receita para obter resultados bons, ou eficazes. No entanto, é, sem sombra de dúvida uma forma diferente e muito eficaz de trabalhar em equipa e obter resultados rápidos mais compreensivos.

Your team will need time to learn agile development. While they learn—and it will take a quarter or two… (Shore & Warden, 2008, p. 3).

No entanto, o método que vamos usar é intenso. Propositadamente intenso e rápido. De forma a “forçar” a entrega e avaliação de soluções. É uma forma interessante de quebrar barreiras e gerar criatividade, mesmo com as pessoas mais inibidas. Posso dizer que, nas 6 horas que temos alocadas para as atividades, iremos fazer “suar” todos os participantes inscritos.

Isto é, não vão correr nem fazer exercício físico. Mas vão ter que trabalhar muito rapidamente. Ainda assim, muito provavelmente não iremos finalizar os sprints planeados. Mas, acima de tudo, a ideia é mostrar uma forma diferente de abordar a resolução de problemas. Garanto que, com a intensidade e rapidez com que decorre cada sprint de trabalho os participantes irão chegar ao fim do dia cansados, literalmente. Satisfeitos, mas cansados ;)

Design Studio Method, de Todd Zaki Warfel @ Vimeo
Design Studio Method, de Todd Zaki Warfel @ Vimeo (https://vimeo.com/37861987)

A ideia é utilizar uma metodologia com as suas raízes no desenvolvimento ágil. Mais concretamente, na abordagem do Design Studio Method de Todd Zaki Warfel, para o desenvolvimento e sincronização das ideias iniciais e afinação do design. Para depois, em grupo, distribuir e sincronizar tarefas e completar um character set Open Type STD  completo no final das 6 horas. Desenvolver, ou melhor, adaptar uma fonte digital da própria Fontyou em apenas 6 horas… impossível? Não me parece. Este é, no entanto, mais um “driving goal”, do que um imperativo do workshop.

Agile Sprint Diagram for the Collaborative Type workshop
Agile Sprint Diagram for the Collaborative Type workshop

Resumidamente, planeámos para Workshop 3 Sprints (S1, S2, & S3), conforme a imagem acima. O primeiro (S1) é o sprint de criação de ideias. Os participantes vão desenhar à mão, com marcadores, as suas ideias de adaptação/modificação de um tipo de letra existente.

Glyphs App (http://www.glyphsapp.com/glyphs/)
Glyphs App (http://www.glyphsapp.com/glyphs/)

Depois, iremos fazer uma breve introdução ao Glyphs App para o desenho de tipos de letra. O Glyphs é uma das aplicações recentes que muito tem dado que falar. Já o tenho usado e posso atestar que é realmente poderoso, especialmente no que diz respeito às ferramentas de desenho vetorial. Muito bom!

De seguida, passamos ao segundo sprint (S2). Os participantes vão passar [dos desenhos] das ideias para o software, onde faremos uma nova fase de avaliação. Sincronizamos o trabalho, preparamos a plataforma de colaboração e teremos sensivelmente 2 horas para desenvolver um character set completo. Estou muito entusiasmado para ver toda a gente em ação!

No final, geramos uma versão da fonte no Glyphs e/ou um poster no InDesign para demonstração e mostra durante a conferência (espero!).

Soube há pouco que há mais 3 participantes inscritos (o que faz um total de, pelo menos, 12 participantes inscritos), pelo serão suficientes para fazer 3, ou 4 equipas. Não sei se vamos ter toner na impressora, nem marcadores suficientes para a quantidade de desenhos que vão ser gerados—com este método, desenha-se e avalia-se uma quantidade astronómica de ideias!… espero que não! ;)
Não sei se ainda há inscrições disponíveis. Da nossa parte, acho que ainda se consegue espremer mais um ou dois participantes… por isso apressem-se a inscrever. É só até amanhã!

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* Referências utilizadas para a sinopse e conceção do workshop (para além dos sites mencionados):

Ratcliffe, L. & McNeill, M. (2012). Agile Experience Design: A Digital Designer’s Guide to Agile, Lean, and Continuous. Berkeley: New Riders.

Shore, J. & Warden, S. (2008). The Art of Agile Development. Sebastopol, O’Reilly.

Hibbs, C.; Jewett,S.; & SullivanThe Art of Lean Software Development. Sebastopol, O’Reilly.

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P.S.: Não se esqueçam de dar uma vista de olhos dos posts anteriores sobre o primeiro e sobre o segundo dia do programa do 5º Encontro de Tipografia. Está cada vez melhor! ;)

Collaborative Type Workshop com Julien Priez (Fontyou)

Links do dia: alteração de estados com CSS

Há muito tempo que não faço esta rubrica aqui, mas com as aulas a acabar, posso dar-me ao luxo de voltar a ler as mais de 50 abas que tenho abertas no Firefox e descobrir coisas absolutamente deliciosas.

Uma destas coisas é este truque conseguido apenas com um pouco de imaginação e CSS: http://jsfiddle.net/DMNSn/

Simon Madine consegue mudar o aspeto (propriedades de CSS) recorrendo apenas a hiperligações, um pouco de lógica de Box model, e ao atributo “:target”. A solução é assustadoramente simples e absolutamente deliciosa! Permite inúmeras aplicações em layouts interativos, exploratórios, jogos… Ah!… já disse que ele não usa Javascript?…

Via Creative Bloq: http://www.creativebloq.com/css3/tips-breathe-new-life-your-css-61411880

Links do dia: alteração de estados com CSS

Webinar Adobe InDesign CC

Screen Shot 2013-07-07 at 7.03.48 PM
Imagem retirada do site da Adobe

Para quem quiser  investir no Design Editorial e na publicação digital, recomendo o próximo webinar gratuito da Adobe: https://www1.gotomeeting.com/register/145221617?et_mid=626755&rid=3807420

Na próxima terça-feira, 19:00

Webinar Adobe InDesign CC

Workshops de Tipografia

Pormenor do site

Ainda a propósito do III Encontro de Tipografia, aproveito para divulgar os workshops que se vão realizar como pré-programa da conferência. São gratuitos para estudantes (que é uma coisa rara nos dias que correm – a organização está de parabéns!) e para o público em geral fica bastante acessível.

Vai ser abordado o Type Design, o resgate tipográfico urbano e a composição em chumbo. Esta é daquelas oportunidades a não perder. Aqui fica a divulgação enviada pela organização da conferência:

Realização de 3 workshops em antecedência ao Encontro versando sobre as seguintes temáticas:

Workshop 1: Creating type: an introduction to type design
Workshop 2: Photo found typo
Workshop 3: Letterpress

A participação nos workshops é gratuita para alunos das escolas artísticas/design por ordem de inscrição até ao limite máximo de vagas disponíveis.

Público geral: 20€ por inscrição até ao limite máximo de vagas disponíveis.

Para mais informações e inscrições, por favor consultem o nosso website: http://www.esmae-ipp.pt/3et

Workshops de Tipografia

Boas práticas para a edição de Blogs

Pormenor da estratégia editorial de publicação (in Tidwell, 2009: 416)

Este texto resume um conjunto de boas práticas para a redação de Blogs. Surge em resposta ao desafio do Prof. Hélder Caixinha, no âmbito das aulas de  Projeto, e em resposta às necessidades de outras disciplinas como Multimédia Editorial, onde parte do trabalho dos alunos passa por criar um blog de documentação de desenvolvimento e de acompanhamento dos projetos.

Por uma questão de conveniência, este resumo está organizado nos seguintes temas:

Deve ser usado como um manual de linhas orientadoras para a redação e manutenção de um Blog. Não como um manual de regras obrigatórias.

Cada autor deve refletir sobre estes princípios e adapta-los da melhor forma ao seu Blog.

Uma vez que se trata de um resumo, os assuntos podem ser consultados de forma mais completa e ilustrada nas referências fornecidas. Conhecem outras , ou melhores referências? Deixem-me um comentário.

Conteúdo

Anatomia de um Blog (About.com)

O conteúdo refere-se às entradas cronológicas (“posts”), páginas de informação estática, ou pequenas secções (como as “sidebars” do Blog).

As entradas devem fornecer o contexto necessário de forma curta. Devem filtrar a informação desnecessária e oferecer hiperligações para informação adicional (fontes originais, textos longos, outras entradas, sites, ou blogs com informação adicional).

Devem procurar uma redação correta, sem erros, com princípio, meio e fim.

Agrupar a informação semelhante em pequenos segmentos, grupos, ou unidades, com uma ou duas ideias por cada.

As entradas, ou secções, devem possuir títulos significativos, uma breve descrição (se possível), data (de redação e de atualização), autor(es), e estar categorizadas com etiquetas e categorias significativas.

Se o texto for longo, podem escrever um resumo prévio, ou dividir em múltiplas entradas.

As entradas mais antigas devem ser atualizadas, editando-as, comentando-as, ou ligando-as às entradas mais recentes, ou a outras fontes de informação (internas, ou externas).

Estrutura

Exemplo de um Feedreader (NetNewsWire)

A estrutura refere-se ao tipo de informação, a sua marcação, as suas funções e o uso pretendido (interação) no Blog.

Devem usar estilos (HTML) “standard” para hierarquizar a o texto (H1, H2, Parágrafo, etc.). Bem como estruturas formais de texto tradicional (itálicos para destacar, listas de balas, numeradas, etc.).

A formatação visual (tamanho, cor, etc) deve ficar a cargo do tema/CSS do Blog, ou do Feedreader do utilizador final.

Deve-se fornecer uma opção de pesquisa dentro do próprio Blog.

As hiperligações para os conteúdos devem ser simples, evitando alterações, ou ligações quebradas. Tentar fornecer as hiperligações por extenso, sempre que possível.

Verificar como os conteúdos estão a ser indexados nos motores de busca e corrigir a meta-informação de acordo.

Ritmo e edição

Exemplo de painel de objetivos editoriais (WordPress.com)

Um autor de um blog é um como um editor tradicional. Deve possuir uma agenda de edição e uma estratégia de publicação.

Deve-se optar por um mínimo de um entrada semanal, e um máximo de uma entrada diária. Publicar de forma regular, agendando as entradas, ou criando uma agenda de entradas temáticas, se possível.

Evitar o “overshare”.

Agilizar o ritmo e interligação das entradas do Blog com outros meios de publicação e partilha social como o Twitter, ou o Facebook, como formas complementares de publicação e atualização de conteúdos mais curtos e imediatos. Ou de conteúdos de outra natureza, como os canais de Vídeo, ou Podcasts.

Design e ilustração

Seleção de temas visuais (WordPress.com)

O Blog deve ter um tema visual apelativo, relacionado com o conteúdo do Blog, sem perder de vista a funcionalidade (design funcional, ou minimalista).

Sempre que possível, devem ilustrar as entradas com imagens, vídeos, ou outro elemento multimédia, mantendo a dimensão (Kb) da página baixa.

Créditos e hiperligações

Exemplo de licenciamento disponível (Creative Commons)

Todos os materiais utilizados (textos, imagens, vídeos, etc) devem ser identificados com legendas, referências no texto e creditados corretamente.

O Blog deve conter a informação de “copyright” sobre o conteúdo próprio.

A privacidade dos autores deve ser protegida, mas ao mesmo tempo fornecer o máximo de informação sobre o Blog, sobre os autores, ou sobre o conteúdo, de forma a obter credibilidade (tipicamente, na página “About”).

Deve-se fornecer uma forma de contacto (direto) com o(s) autor(es).

Deve-se fornecer formas de ligação social (“feeds”, subscrições por email, etc.) de forma a que seja fácil os leitores tornarem-se “seguidores”.

Aproveitar a natureza de rede da Web para embutir conteúdo no Blog, ou estabelecer hiperligações nos conteúdos utilizados, abreviando as entradas e fornecendo informação em profundidade.

Estabelecer um Blogroll que vos ajuda a identificar e a serem identificados pelos vossos pares.

Feedback e estatísticas

Exemplo de estatísticas fornecidas pelo WordPress.com

Os Blogs possuem vários mecanismos de validação social visível e invisível para os leitores. Enquanto autores, estes mecanismos são fundamentais para entender e fomentar a leitura do Blog.

Mecanismos de validação e partilha social

Encorajar a dinamização e participação no Blog (de amigos, colegas, docentes, orientadores, etc.), através da disponibilização e manutenção dos comentários, formas de avaliação (votação, “ratings”, “likes”, etc.) e de mecanismos de partilha social online.

Dispor de uma medição estatística que permita recolher dados sobre os utilizadores, sobre o conteúdo consultado e sobre a navegação. Melhorar o Blog com esta informação.

Referências

Referências adicionais "obrigatórias"

BARBOSA, E.; GRANADO, A. – Weblogs: Diário de bordo. Porto: Porto Editora, 2004.  ISBN 972-0-45252-8.

BLOOD, R. – The Weblog Handbook: Pratical advice on creating and maintaining your blog. Cambridge: Perseus Books, 2002.  ISBN 0-7382-0756-X.

BORDEAU, J. – Blogging For Web Designers: Editorial Calendars and Style Guides [em linha]. Smashing Magazine. [Consult. 2012-02-08]. Disponível na Internet: <URL: http://www.smashingmagazine.com/2010/08/30/the-importance-of-consistency-using-editorial-calendars-and-style-guides>.

CRUMLISH, C.; MALONE, E. – Designing Social Interfaces: Principles, Patterns, and Practices for Improving the User Experience. Sebastopol: O’Reilly Media, 2009.  ISBN 978-0596154929. Disponível na Internet: <URL: http://www.designingsocialinterfaces.com>.

FRANCO, G. – Como escrever para a Web [em linha]. S. l.: Knights Center fo Journalism, s. d. [Consult. 2012-02-08]. Disponível na Internet: <URL: http://knightcenter.utexas.edu/ebook/how-write-web>.

TIDWELL, J. – Designing Interfaces: Patterns for Effective Interaction Design. Sebastopol: O’Reilly, 2010.  ISBN 978-1-449-37970-4. Disponível na Internet: <URL: http://designinginterfaces.com>.

Boas práticas para a edição de Blogs

Dave Crossland @ Aveiro

Cartaz de divulgação @ DeCA

O Dave Crossland está em Portugal para ministrar um par de conferências e workshops nas Caldas da Rainha (ESAD.CR) e em Aveiro (DeCA). Vai passar no Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) na próxima segunda-feira dia 9 de Janeiro para apresentar a conferência “Libre Fonts” às 11:30, e ministrar um workshop de desenho tipográfico “Type Sketching” às 14:30. Ambos irão decorrer na sala do Mestrado de Design (Catacumbas).

A assistência à conferência é livre a todos os interessados.

Workshop de Junho de 2010 @ Hacklaviva

A participação no workshop é livre e gratuita. Mas, como está limitada ao espaço disponível, os interessados devem inscrever-se, enviando-me um email, mencionando o nome, número mecanográfico e curso (alunos da UA). Ou com o nome, ocupação e filiação (se vierem de fora).

O workshop terá uma duração mínima de 2 horas e os participantes devem trazer consigo o seguinte material:
– papel de fotocópia (bastantes folhas);
– um par de lápis de grafite (B+) para esquissar;
– marcadores (pretos) finos para desenhar;
– marcadores de ponta larga (tipo edding) para preencher;

Não é obrigatório, mas pode ser útil trazer também:
– borracha;
– tesoura, ou x-ato;
– fita-cola de papel;
– duas esferográficas de cores diferentes (p. ex.: canetas bic verde e vermelha);
– aparos, pincéis espatulados, ou canetas caligráficas.

Mais informações sobre o Dave Crossland e sobre o workshop:
http://understandingfonts.com/
https://plus.google.com/107256173895795146408/about

Dave Crossland @ Aveiro