Resumo do workshop de Desenho Colaborativo no 5ET

Julien Priez a inciar a sua apresentação no Workshop de desenho colaborativo
Julien Priez a inciar a sua apresentação no Workshop de desenho colaborativo

A história do workshop de Desenho Colaborativo começou muitos meses antes da conferência. O que se descreve nesta entrada foi o processo de desenvolvimento do workshop, como decorreu e foi conduzido. Uma breve nota para os mais impacientes: os slides dos resultados aparecem no final ;)

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Resumo do workshop de Desenho Colaborativo no 5ET

Resumo do 5ET

Apresentação e plateia durante o keynote do Miguel Sousa na abertuda da conferência
Apresentação e plateia durante o keynote do Miguel Sousa na abertura da conferência

Nas próximas entradas, vou fazer um apanhado—em tom de resumo—sobre as atividades que acompanhei no 5º Encontro de Tipografia, a conferência internacional, que teve lugar do dia 26 a 29 de Novembro de 2014.

Julien Priez a inciar a sua apresentação no Workshop de desenho colaborativo
Julien Priez a inciar a sua apresentação no Workshop de desenho colaborativo

Começam, obviamente, pelo resumo e resultados do Workshop de desenho colaborativo com o Julien Priez da Fontyou. Foi um dia super-intenso, mas super-produtivo. Entretanto tenho ligo mais algumas coisas sobre metodologia Agile (nomeadamente SCRUM) e apercebi-me que faltou uma componente importante de auto-reflexão durante o processo. Mas tudo a seu tempo.

Miguel Sousa durante o keynote de abertura
Miguel Sousa durante o keynote de abertura

Segue-se uma entrada dedicada ao primeiro dia, onde resumo principalmente o keynote do Miguel Sousa e faço um apanhado geral do painel de discussão Ligatures. O painel foi divertido preparar, mas foi ainda mais divertido participar. Isto é, para além da discussão de aquecimento (10 min. antes), o painel foi extremamente participado pelo público presente, o que enriqueceu (e estendeu) imenso a discussão. Pudemos ouvir e discutir de “mano-para-mano” com o Gerry Leonidas, Yves Peters, Andreu Balius, Miguel Sousa, Luís Moreira, Ricardo Lafuente entre muitos outros participantes e conferencistas!

Gerry Leonidas durante o seu keynote
Gerry Leonidas durante o seu keynote

Por fim, a última entrada da série resume e o último dia. Começa por um breve resumo e da apresentação da ATypI por mim e pelo Vítor Quelhas. Segue-se um apanhado dos pontos altos do keynote do Gerry Leonidas—cujos slides estão disponíveis online no speakerdeck—e um breve resumo sobre o keynote do Dave Crossland. Sobre este último vou ser mais escasso, porque já tenho dedicado algumas entradas ao Dave e às suas conferencias e não me quero estar a repetir demasiado.

Gift bag da conferência
Gift bag da conferência

Esta entrada não termina, obviamente, sem antes mencionar (e elogiar!) o saco de brindes da conferência. Super recheado!

Só uma última nota em relação a estas entradas: estão organizadas de forma livre, e não seguem nenhuma ordem ou hierarquia específica. Apenas refletem o conjunto de notas que fui retirando durante e após a conferencia. Digo notas principalmente porque [na altura em que escrevo estas palavras] o encontro já vai longe e os meus registos foram escasso em pormenores dos participantes e comunicações—vou esperar pelas atas da conferência ;)

Esta entrada faz parte de uma mini-série de entradas que resumem a minha experiência no 5º Encontro de Tipografia, a conferência internacional organizada pela Catarina Silva que teve lugar em Novembro de 2014, no IPCA em Barcelos. Não deixem de ler [este] resumo, o workshop, o dia 1 e o dia 2 da conferência. Vemo-nos nas próximas entradas ;)

Resumo do 5ET

Collaborative Type Workshop com Julien Priez (Fontyou)

The Agile Manifesto (in Ratcliffe, & McNeill, 2012)
The Agile Manifesto (in Ratcliffe, & McNeill, 2012*. Retirado de: http://agilemanifesto.org/)

É já daqui a dois dias, na próxima quarta-feira dia 26, que vou estar no IPCA (no âmbito do 5º Encontro de Tipografia), com o Julien Priez da Fontyou a ministrar um Workshop sobre desenvolvimento ágil de Type Design:

Desenhar e implementar fontes completas é um trabalho intensivo. Por um lado, encontrar um estilo para os caracteres de base, que responda a uma necessidade específica é, em si, um desafio criativo. Por outro lado, a tarefa de implementar o conjunto completo de caracteres Open Type é uma tarefa mecânica exaustiva. [Para acelerar este processo e reduzir a taxa de esforço envolvida na sincronização de todos os membros das equipas podemos recorrer a metodologias de Desenvolvimento Ágil, cada vez mais comuns no Design de Software].

A abordagem de Desenvolvimento Ágil consiste num conjunto de técnicas, tendo em vista o desenvolvimento de soluções em equipa. Resulta da colaboração, crítica e desenho de respostas rápidas pelos designers. [Na prática, envolve todos os participantes e stakeholders no processo de criação tendo em vista um resultado mais informado, completo e responsável. É um processo muito intenso e rápido assente na resolução de problemas concretos em sprints de trabalho].

O Julien Priez (Fontyou) e o Pedro Amado (Universidade de Aveiro) vão aplicar o Método do Design Studio para demonstrar como a co-criação pode acelerar o processo de desenvolvimento de ideias e fomentar a implementação rápida de conjuntos de caracteres em equipa.

http://web.ipca.pt/5et/collaborative-type.html

Estou neste momento a terminar de preparar os pormenores do workshop com o Julien Priez. Embora não conheça pessoalmente o Julien, no passado, já tive oportunidade de conhecer um par de colegas dele da Fontyou: a Valentine e Alisa Nowak, bem como o Nicolas Boudriot na última ATypI de Amesterdão. Posso atestar que eles são uma das jovens empresas que devemos manter debaixo de olho, porque têm produzido muito trabalho de qualidade, fora dos “centros” tradicionais.

https://co-create.fontyou.com/
https://co-create.fontyou.com/

As ferramentas e métodos que implementam para a colaboração no desenvolvimento de Type Design (não só a nível do desenho como da produção e distribuição) também são muito inovadoras—estou mesmo muito contente por esta oportunidade trabalhar com eles neste workshop (só posso agradecer à organização por isso!). Sei que esta é uma oportunidade rara e preciosa de conhecer e explorar outros métodos de trabalho.

Em relação à dinâmica durante o Workshop. Iremos então tirar partido da experiência de colaboração e de desenho que o Julien traz da Fontyou. E implementa-la numa proposta de metodologia de desenvolvimento ágil que tenho vindo a assimilar no meu método de trabalho. As influências são muitas, mas a principal influência vem (de uma mistura?) das abordagens XP e Lean:

Agile development is popular. All the cool kids are doing it: Google, Yahoo, Symantec, Microsoft, and the list goes on (…) no single technology or management technique would offer a tenfold increase in productivity, reliability, or simplicity (…) don’t recommend adopting agile development solely to increase productivity. Its benefits (…) come from working differently, not from working faster (Shore & Warden, 2008, p. 3)

As abordagens ágeis, mais concretamente as abordagens Lean, têm sido utilizadas por muitas empresas (como por exemplo a Big Spaceship, ou a Google Ventures) para envolver os próprios empreendedores na procura, definição, avaliação e escolha das soluções a implementar. Não é uma receita para obter resultados bons, ou eficazes. No entanto, é, sem sombra de dúvida uma forma diferente e muito eficaz de trabalhar em equipa e obter resultados rápidos mais compreensivos.

Your team will need time to learn agile development. While they learn—and it will take a quarter or two… (Shore & Warden, 2008, p. 3).

No entanto, o método que vamos usar é intenso. Propositadamente intenso e rápido. De forma a “forçar” a entrega e avaliação de soluções. É uma forma interessante de quebrar barreiras e gerar criatividade, mesmo com as pessoas mais inibidas. Posso dizer que, nas 6 horas que temos alocadas para as atividades, iremos fazer “suar” todos os participantes inscritos.

Isto é, não vão correr nem fazer exercício físico. Mas vão ter que trabalhar muito rapidamente. Ainda assim, muito provavelmente não iremos finalizar os sprints planeados. Mas, acima de tudo, a ideia é mostrar uma forma diferente de abordar a resolução de problemas. Garanto que, com a intensidade e rapidez com que decorre cada sprint de trabalho os participantes irão chegar ao fim do dia cansados, literalmente. Satisfeitos, mas cansados ;)

Design Studio Method, de Todd Zaki Warfel @ Vimeo
Design Studio Method, de Todd Zaki Warfel @ Vimeo (https://vimeo.com/37861987)

A ideia é utilizar uma metodologia com as suas raízes no desenvolvimento ágil. Mais concretamente, na abordagem do Design Studio Method de Todd Zaki Warfel, para o desenvolvimento e sincronização das ideias iniciais e afinação do design. Para depois, em grupo, distribuir e sincronizar tarefas e completar um character set Open Type STD  completo no final das 6 horas. Desenvolver, ou melhor, adaptar uma fonte digital da própria Fontyou em apenas 6 horas… impossível? Não me parece. Este é, no entanto, mais um “driving goal”, do que um imperativo do workshop.

Agile Sprint Diagram for the Collaborative Type workshop
Agile Sprint Diagram for the Collaborative Type workshop

Resumidamente, planeámos para Workshop 3 Sprints (S1, S2, & S3), conforme a imagem acima. O primeiro (S1) é o sprint de criação de ideias. Os participantes vão desenhar à mão, com marcadores, as suas ideias de adaptação/modificação de um tipo de letra existente.

Glyphs App (http://www.glyphsapp.com/glyphs/)
Glyphs App (http://www.glyphsapp.com/glyphs/)

Depois, iremos fazer uma breve introdução ao Glyphs App para o desenho de tipos de letra. O Glyphs é uma das aplicações recentes que muito tem dado que falar. Já o tenho usado e posso atestar que é realmente poderoso, especialmente no que diz respeito às ferramentas de desenho vetorial. Muito bom!

De seguida, passamos ao segundo sprint (S2). Os participantes vão passar [dos desenhos] das ideias para o software, onde faremos uma nova fase de avaliação. Sincronizamos o trabalho, preparamos a plataforma de colaboração e teremos sensivelmente 2 horas para desenvolver um character set completo. Estou muito entusiasmado para ver toda a gente em ação!

No final, geramos uma versão da fonte no Glyphs e/ou um poster no InDesign para demonstração e mostra durante a conferência (espero!).

Soube há pouco que há mais 3 participantes inscritos (o que faz um total de, pelo menos, 12 participantes inscritos), pelo serão suficientes para fazer 3, ou 4 equipas. Não sei se vamos ter toner na impressora, nem marcadores suficientes para a quantidade de desenhos que vão ser gerados—com este método, desenha-se e avalia-se uma quantidade astronómica de ideias!… espero que não! ;)
Não sei se ainda há inscrições disponíveis. Da nossa parte, acho que ainda se consegue espremer mais um ou dois participantes… por isso apressem-se a inscrever. É só até amanhã!

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* Referências utilizadas para a sinopse e conceção do workshop (para além dos sites mencionados):

Ratcliffe, L. & McNeill, M. (2012). Agile Experience Design: A Digital Designer’s Guide to Agile, Lean, and Continuous. Berkeley: New Riders.

Shore, J. & Warden, S. (2008). The Art of Agile Development. Sebastopol, O’Reilly.

Hibbs, C.; Jewett,S.; & SullivanThe Art of Lean Software Development. Sebastopol, O’Reilly.

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P.S.: Não se esqueçam de dar uma vista de olhos dos posts anteriores sobre o primeiro e sobre o segundo dia do programa do 5º Encontro de Tipografia. Está cada vez melhor! ;)

Collaborative Type Workshop com Julien Priez (Fontyou)

Vem aí o 5º Encontro de Tipografia! (Parte 2)

ESG

O programa do segundo dia do 5º Encontro de Tipografia abre com uma breve apresentação da ATypI—Association Typographique Internationale. Eu e o Vítor lá estaremos a promover a associação e a tentar mais uma vez que se juntem a nós (para o ano a conferência é em São Paulo!… ). Iremos fazer um breve apanhado da missão da associação e das atividades que promovem.

Dissertação de Carolina Ferreira (@ Béhance da autora)
Dissertação de Carolina Ferreira (https://www.behance.net/gallery/19622023/%28In%29visible-Shapes-Masters-Dissertation)

Seguem-se três apresentações de peso, no painel de comunicações. “Breve estudo da influência da forma das serifas na legibilidade de textos longos” de Carolina Ferreira. Tive oportunidade de interagir um pouco com a Carolina no Typeshares—o grupo do Facebook— e de ver uma pequena imagem da dissertação no Béhance—https://www.behance.net/ferreiracarolina. Apesar de não ter podido participar no estudo, estou super-curioso por saber como o trabalho foi feito e quais os resultados obtidos. Até porque, foi orientada pelo Prof. Diniz Cayolla e pelo Prof. e Designer Dino dos Santos. Não espero menos do que um trabalho espetacular.  Aliás, Carolina: se estiveres a ler isto, aviso-te desde já que te vou cravar uma cópia da dissertação!

Manual do Tipógrafo, © Mário Moura (https://ressabiator.files.wordpress.com/2011/07/libc3a2nio4.jpg)
Manual do Tipógrafo, © Mário Moura (https://ressabiator.files.wordpress.com/2011/07/libc3a2nio4.jpg)

Depois segue-se “O Manual do Tipógrafo de Libânio da Silva: Um projecto ubíquo para a prática tipográfica” de Sofia Rodrigues. Outra apresentação que, apesar de não conhecer a autora, quero ver e ouvir com muita atenção. Aliás, qualquer designer português deve ter um interesse nisto. O Libânio é uma referência incontornável na nossa história Tipográfica
 portuguesa e o seu pequeno manual é uma autêntica pérola ;)

Depois segue-se uma apresentação de Yves Peters: “The Ubiquitous Typeface in Movie Posters”. Confesso que esta não é a rubrica que mais me interessa no blog da Fontshop. Mas ter cá um dos editores do site desta foundry é, sem dúvida, uma mais valia.

keynote2

O segundo keynote não precisa de introdução, nem explicação:

Gerry Leonidas é Professor Associado de Tipografia na Universidade de Reading, Inglaterra. Ocupa os seus dias a falar e a escrever sobre tipografia, typeface design e ensino de tipografia. É o Director do Programa MA Typeface Design e do Tdi summer course. www.leonidas.org

Gerry Leonidas irá apresentar a conferência A framework for typographic quality in typeface design

The growth of consciousness about typeface design has brought a rise in the numbers of aspiring typeface designers; that’s a good thing. But the ease with which fonts can now be published online has resulted in the loss of a filter for quality that was in the past embedded in the publishing process. This observation is most evident in the case of non-Latin scripts, where the lack of widely available resources and clear pathways to excellence present a major hurdle to aspiring designers. This talk reports on a current research collaboration between Reading and Google to develop a framework for ensuring a minimum level of typeface and typographic quality that is publicly available, while being agnostic with regard to the design specifics of each typeface.

http://web.ipca.pt/5et/gerrypt.html

Sendo um entusiasta da auto-publicação e da distribuição Open Source de tipos de letra, é escusado dizer quão importante me parece esta conferência atualmente!… Acho que todas as pessoas que usam tipos de letra na sua atividade profissional deviam assistir…

Já na parte da tarde, a conferência prossegue com mais um painel de comunicações e estou mesmo muito curioso e assistir a duas em particular Type in Progress: An investigation how interactive and responsive type can be designed and used as a creative tool” de Stefanie Schwarz. Esta primeira, porque reflete (?) a proposta que não cheguei a terminar para enviar para a conferência… Não conheço a autora, nem tão-pouco o seu trabalho. No entanto, nunca esteve tão em voga o conceito de “responsive typography” como agora. Não sei o que a autora vai frisar—se a questão mais editorial (as escalas, o conteúdo…?) ou como devemos usar as opções da tecnologia atual para criar verdadeiras soluções adaptáveis, tal como defendido por Jason Pamental e Jason Santa Maria. Pessoalmente, tal como tenho vindo a desenvolver com os alunos, a minha abordagem (a revelar talvez num futuro próximo?) centra-se no desenvolvimento progressivo (ou degradação graciosa) de gráficos e detalhes (aplicado normalmente às marcas e logótipos). Vamos ver. Estou muito entusiasmado, até por saber que não estou sozinho nesta abordagem. Novamente… vamos ver! ;)

Segue-se uma dupla que muito admiro e que tenho seguido nos últimos anos. “Foundry-in-a-box: A proposal for frictionless font publishing and distribution” é a comunicação a ser apresentada por Ana Isabel Carvalho & Ricardo Lafuente. Mais uma vez, este é daqueles trabalhos que sei que sei que vou ter que ver. Por um lado, o título tem tudo a ver com a minha posição em relação à produção e distribuição de tipos de letra. Por outro, estes são dois designers & autores que entendem muito bem as questões sociais, tecnológicas e de design envolvidas. A apresentação promete e vai, com certeza apresentar pontos de vista únicos e refrescantes.

keynote1

Por fim, fica à responsabilidade de Dave Crossland apresentar a última keynote  da conferência antes da sessão de fecho: “Control Points” por Dave Crossland:

Today typography is becoming more and more important for us each to express ourselves. Typography has become an extension of who we are. Our choice of words to express the ideas in our minds is as important as our typographic choices that express the emotions in our hearts. Billions of people are now online and each person need fonts that are tailor-made for themselves and their businesses. Libre fonts can fulfil this need, but we need good tools to turn our freedom from an abstract ideal into a reality. In this keynote address, Dave Crossland introduces a new approach to typeface design that is both ubiquitous and unique.

http://web.ipca.pt/5et/davept.html

Dave é um daqueles designers e autores dos quais não preciso apresentar mais, nem novamente. Já tive a oportunidade de o fazer aqui neste blog, no passado. Primeiro num workshop promovido pelo Lafuente: https://pedamado.wordpress.com/2010/06/21/dave-crossland-hacklaviva/. E depois numa conferência que organizei aqui em Aveiro: https://pedamado.wordpress.com/2012/01/04/dave-crossland-aveiro/ , cujos resultados e registo foram divulgados aqui: https://pedamado.wordpress.com/2012/02/09/conferencia-e-workshop-de-dave-crossland-ua/.

Sendo um dos raros designers [unicórnios] que cruza muito bem as áreas gráficas e tecnológicas, é sem sombra de dúvida, um designer a manter debaixo de olho nos próximos 10 anos:

Dave é um type designer inglês que em 2006 decidiu libertar as fontes! Desde então tem estudado e trabalhado para promover uma cultura de comunicação visual livre. Já desenhou centenas de fontes para designers em todo o mundo.

No decurso dos seus estudos no Departamento de Tipografia da Universidade de Reading (2009) desenhou a famosa “Cantarell”, uma fonte humanista contemporânea sem serifa, incluída no lançamento do Google Fonts e também a fonte pré-definida do User Interface do GNOME 3. Actualmente é um “Consultor de Fontes” da Google Web Fonts e um instrutor da equipa Crafting Type.

www.understandingfonts.com/who/dave-crossland/

A sessão irá encerrar depois do keynote de Dave, mas não é o fim. Ainda ficamos para um jantar de gala que irá ser a oportunidade de falar dos resultados, trocar mais umas palavras amigas e quem sabe começar a preparar a próxima edição. Juntem-se a nós na próxima sexta e sábado. Vai ser uma edição fantástica!

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P.S.: Não se esqueçam de ler a primeira parte deste post, ou de ver detalhes sobre o workshop de Collaborative Type Design.

Vem aí o 5º Encontro de Tipografia! (Parte 2)

Vem aí o 5º Encontro de Tipografia! (Parte 1)

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Falta menos de uma semana. Na realidade, faltam apenas 5 dias até os primeiros Workshops tomarem lugar. Depois de um par de sessões dedicadas ao Letterpress e à colaboração no desenvolvimento de Type Design (com o Glyphs App) na quarta-feira 26 (mais informações brevemente neste blog). Seguem-se mais dois dedicados ao Crafting Type [com Fontforge?] e à descoberta e criação de um mapa tipográfico pela cidade de Barcelos num magnífico Type Walk, na quinta-feira 27.

keynote4

A conferência, em si, começa na sexta-feira dia 28. O programa abre com o Miquel Sousa, que irá revelar um pouco dos bastidores do desenvolvimento de fontes na Adobe:

Deixem-me levar-vos numa viagem que tem início no despontar do desktop publishing, e termina na ascensão do movimento open source aplicado a fontes.

http://web.ipca.pt/5et/miguelpt.html

Senão por outro motivo, este é um orador pelo qual todos devem estar presentes a horas. Espero uma casa cheia nesta conferência, nem que seja para demonstrar o apoio ao nosso tão digno “representante”  luso em terras americanas ;)

Segue-se o primeiro painel de apresentação de comunicações. Não conhecendo nenhum dos trabalhos fico curioso, pelo menos para ver apresentados o “Tipofoto” de Rita Bastos e a relação estabelecida na “Tipografia, design e filosofia: Reflexões sobre o projeto Léon Regular, sua estrutura, formulação, aplicação e leitura” de João Batista Corrêa.

A tarde abre com mais um painel de comunicações, que, apenas pelos títulos, geram muita expectativa. Senão conseguirem assistir todos, recomendo vivamente que não percam (mesmo) as apresentações The Typesetting of Pessoa’s The Transformation Book” de Alessandro Segalini. E a “Typographic analysis of Brazilian indigenous languages” do Rafael Dietzsch. Confeso que só conheço o Segalini de reputação online. Espero que esta seja a oportunidade para nos conhecermos em pessoa. Já o Rafael, posso atestar que é um tipo impecável, com um conhecimento profundo sobre as questões tipográficas. O trabalho que vai apresentar é, sem sombra de dúvida, um exemplo que irei “beber” com atenção.

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Mais para o final do dia, fui convidado para moderar o painel Ligatures Perspectives on becoming a typeface designer”, com um grupo de pessoas que, para além de admirar, considero meus amigos—o Rui Abreu, a Joana Correia, o Dino dos Santos e a Tiffany Wardle [bom, embora só conheça a Tiffany online, sinto-me honrado por ter finalmente esta oportunidade de a conhecer pessoalmente]. Este painel está a ser preparado e irá ter material para discussão no palco e na plateia! Apareçam, ou enviem-me tópicos que pretendam ver discutidos ;)

Por isso vai ser um bom motivo para ficarmos todos até ao fim do dia!

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Senão pela discussão, aproveitem e fiquem para a inauguração da exposição “As artes de escrever diversas sortes de letras“—a Colecção de livros raros e antigos de Dino dos Santos. Já tive a oportunidade de passar no atelier antigo do Dino, e, tendo visto apenas alguns exemplares, testemunho a maravilha da coleção que apresenta. Não sei o que vai estar em exposição, mas, pelo teaser que colocaram online (em https://itunes.apple.com/pt/book/as-artes-de-escrever/id942573446?l=en&mt=11), vai ser muito boa!

E isto encerra o primeiro dia. Bom, quer dizer. Espero que não. Espero que haja uma oportunidade de bebermos um copo e jantarmos juntos… ;)

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P.S: Não percam os próximo posts sobre o segundo dia e sobre o workshop de Collaborative Type Design, que irei lecionar com o Julien Priez da Fontyou.

Vem aí o 5º Encontro de Tipografia! (Parte 1)

UX+HCI Open Seminars: Bieke Zaman

Bieke Zaman @ UA
Bieke Zaman @ UA

Hoje à tarde (quarta-feira, dia 30), no âmbito do Mestrado em Comunicação Multimédia, a investigadora Bieke Zaman, da Universidade K.U. Leuven da Bélgica apresentou uma conferência com o título: From Human Computer Interaction to Player-Computer Interaction: The evolution of HCI and games research. Para além de uma presença muito simpática, a conferência foi bastante interativa e o tempo passou a voar…

[update: não percam a conferência de David Geerts, hoje, quinta-feira dia 30 à tarde. Até porque não sei se vai ser possível haver um stream como ontem]

A conferência começou com uma breve incursão (interativa com o público) sobre as (noções e) definições de Human-Computer Interaction (HCI) e User Experience (UX). No final, acabou um pouco mais curta do que esperava (passando apenas brevemente nas estratégias de gamification).

Mas a conferência não deixou de impressionar. Para além de um rescaldo dos principais conceitos, Zaman brindou-nos com uma abordagem muito interessante à reflexão sobre as últimas décadas de Design de Interação e sobre as abordagens de Design Participativo.

Como a imagem deste artigo revela (num breve pormenor), Bieke apresentou um diagrama (desenvolvido por ela) sobre a  evolução do conceito, investigação e desenvolvimento sobre HCI ao longo dos últimos 30 anos.

Organizou esta noção através de uma framework que organiza as áreas de interesse/de investigação que se envolveram com o HCI em três vagas (do original waves). Áreas como as Ciências Cognitivas (denominada de Primeira Vaga) através das experiências controladas em laboratórios de interação. Seguindo-se (e acrescentando) as Ciências Sociais (a Segunda Vaga) através de métodos etnográficos e da fenomenologia. E por fim (disse Bieke, em tom de interrogação), destaca o envolvimento das Artes e Humanidades neste domínio (a Terceira Vaga), através dos estudos críticos e da interpretação.

[The i]ncreasing importance of aesthetics in technology.

Um dos primeiros aspetos que é interessante observar nesta framework, é a alteração da da importância e do envolvimento das ciências humanas e sociais, e das artes e design, no desenvolvimento e estudo de soluções de HCI. E no final da apresentação da framework deixou em tom de provocação:

What will be the 4th pillar, the 4th wave?

Outro aspeto que se destacou no discurso e apresentação de Zaman, foi a passagem da observação em laboratório para os métodos mais contextuais, de observação situada e da importância do envolvimento dos utilizadores finais no processo de desenho e desenvolvimento da soluções—abordagens de User-Centered Design e de Participatory Design. No entanto, a autora denotou uma definição muito particular desta abordagem. Se as minhas notas não me atraiçoam (por favor confirmem nos artigos dela), Bieke considera esta abordagem da seguinte forma:

Participatory Design, as involving users in Design. It’s more like a moral stance in order to empower the people for whom you are designing for…

Apesar de estar fora do contexto, e de ela realçar a crescente importância de envolver os utilizadores finais (e todos os stakeholders) no processo, Bieke denota que o processo de participação deve ser gerido com cuidado. Consiste mais numa abordagem moral e social do que propriamente uma forma de verdadeiro co-design. Isto é, os participantes não vão todos desenhar. Mas o seu input é valioso para a definição e construção do desenho: “Empower in order ot facilitate knowledge creation… It’s really complex”

Não é um processo fácil. Aliás, Bieke destacou isto várias vezes. Não é fácil!

In theory it’s wonderful. In practice it’s difficult. It is really difficult. But it’s not because it’s difficult that we should avoid it.

Ela admite que o processo participativo é difícil, ou virtualmente impossível quando se envolve todos os stakeholders—é impossível envolve-los e acolher a participação de todos de forma positiva.

Na segunda parte deu mais enfoque na layer atual de Gamification para abrir o tópico de “What’s Next?…”

A direção que Bieke imprimiu à conferência é que o tempo do estudo da interação Humano-Computador já passou das máquinas, para a camada de interação social—o que é que nós, pessoas, podemos fazer com as máquinas. Citando e desafiando-nos todos a ver a conferência da TED de Jane McGonigal, sobre como é que podemos usar a tecnologia para resolver os problemas reais do mundo?

How can we design for a more meaningful interaction, achieving a positive… in people’s lives

Terminou a conferência com um excerto de um vídeo ainda neste tópico—Connecting (disponível no Vimeo)

Portanto, resumindo a experiência, para além de um par de horas muito bem passadas (em boa companhia de uma audiência porreira!) Zaman deixou-nos a pensar sobre como e sobre o que devemos valorizar no estudo de HCI dos próximos 4, 8 anos. Isto é, tal como Jason Pamental referiu (numa outra conferência), nos últimos jogos Olimpicos não havia o iPad. E nos anteriores não havia o iPhone… hoje já temos iWatch[es]… o que é que vai aparecer [e mudar tudo] nos próximos jogos olímpicos? A que é que devemos prestar atenção e valorizar?

Eu sei que o meu telefone já tem mais um par de vídeos para ver assim que puder…


Notas finais:

As citações podem não corresponder ipsis verbis ao discurso de Bieke. Não se trata de livre adaptação, mas sim, apenas da falta de velocidade para tirar notas (tenho cada vez mais dificuldade em fazer multitasking…). Consultem o registo do stream no canal do Mestrado em Comunicação Multimédia: http://www.livestream.com/mcmm

Cartaz da conferência: http://www.slideshare.net/slideshow/embed_code/40776821)

UX+HCI Open Seminars: Bieke Zaman

Links do dia: de graça sai mais barato!

Letters-inc website http://letters-inc.jp/
Letters-inc website http://letters-inc.jp/
  • Logótipos de 5$;
  • Evolução do Ícone de partilha;
  • Letters Inc;
  • Photoshop para IxD;
  • Alternativa ao Photoshop no Browser.

Este primeiro link nem merece qualuqer comentário. Acho que é mesmo para ler e chorar… (de alegria ou de tristeza, não sei…). Logótipos a 3,70€: http://blog.folyo.me/the-5-dollar-logo/


 

Depois da história do ícone do Hamburger, aqui vai uma breve discussão sobre o ícone de partilha: https://bold.pixelapse.com/minming/share-the-icon-no-one-agrees-on

Pessoalmente, prefiro o ícone (que eles identificam como sendo) do Android / Google. É um conceito mais visual, parece a piramide deitada do Canavilhas, ou ainda o Modelo de Comunicação de Massas Editorial do Westley & McLean—, e daí, perfeitamente adaptado ao conceito de “edit & share” das plataformas digitais atuais. Creio que a primeira vez que o vi aplicado foi no vídeo do projeto Picol (2009): https://vimeo.com/2696386. E, por isso, acho que deve ser bem mais antigo do que os autores afirmam. Aliás, basta ler a entrada na Wikipedia (criada em 2010 por Suarez), e percebemos que… bom… o artigo pode não ser assim tão original: http://en.wikipedia.org/wiki/Share_icon


Letters Inc: http://letters-inc.jp/
Simples e minimalista. Vale a pena manter debaixo de olho. Via Site Inspire


A IDEO está a trabalhar num editor de programação visual para Interaction Design(ers) (IxD). Chama-se Avocado (Abacate?) e foi especialmente desenvolvido para prototipar aplicações: http://labs.ideo.com/2014/05/27/avocado/

Mais uma coisa para experimentar nas férias? Via FastCo Design


Pixlr. Um Editor Bitmap online: http://pixlr.com/editor/. Rápido, familiar, gratuito. Já disse que é rápido?
Via Mário V.

 

 

Links do dia: de graça sai mais barato!